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A porta da fé [5]


Estamos a onze semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Sob alguns aspectos, o meu venerado Predecessor viu este Ano como uma «consequência e exigência pós-conciliar» [8], bem ciente das graves dificuldades daquele tempo sobretudo no que se referia à profissão da verdadeira fé e da sua recta interpretação. Pareceu-me que fazer coincidir o início do Ano da Fé com o cinquentenário da abertura do II Concílio do Vaticano poderia ser uma ocasião propícia para compreender que os textos deixados em herança pelos Padres Conciliares, segundo as palavras do Beato João Paulo II, «não perdem o seu valor nem a sua beleza. É necessário fazê-los ler de forma tal que possam ser conhecidos e assimilados como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja. Sinto hoje ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa» [9]. Quero aqui repetir com veemência as palavras que disse a propósito do Concílio poucos meses depois da minha eleição para Sucessor de Pedro: «Se o lermos e recebermos guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação sempre necessária da Igreja» [10].

[8] Paulo VI, Audiência Geral (14 de Junho de 1967): Insegnamenti, V (1967), 801
[9] João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 57: AAS 93 (2001), 308
[10] Discurso à Cúria Romana (22 de Dezembro de 2005): AAS 98 (2006), 52


A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • Acontecimento central para o Ano da Fé: os 50 anos da abertura do Concílio.
  • Afirmações de João Paulo II sobre o Concílio: os textos conciliares não perderam o seu valor nem o seu esplendor; necessidade de os ler de forma apropriada, para que sejam conhecidos e assimilados; o Concílio é a grande graça que beneficiou a Igreja do século XX; o Concílio é uma bússola para nos orientar no caminho do século XXI.
  • Afirmações de Bento XVI sobre o Concílio: precisamos de ler e acolher os textos a partir de uma correta interpretação; cumprida essa condição, pode e deve chegar a ser uma grande força de renovação da Igreja, sempre necessária.
  • Não podemos recordar o Concílio, sem a convicção de que a Igreja tem de estar sempre em permanente reforma («conversão pastoral»).

Interiorizando

  • A minha postura em relação ao II Concílio do Vaticano: considero-o como um acontecimento do passado ou como um acontecimento vivo e ainda atual? Sou dos que digo: «o Concílio já passou, graças a Deus»? Sinto necessidade de retomar a leitura dos textos conciliares e de renovar a minha receção do Concílio? Tenho de começar por me perguntar: eu, cristão do século XXI, já fiz alguma vez uma leitura cuidada dos textos do II Concílio do Vaticano?

  • Aconteceram leituras incorretas do Concílio; mas «o abuso não anula o uso». As leituras não corretas levam-me à recusa prática do Concílio? Posso sempre ler e aplicar os texto a partir de uma «interpretação correta». O facto de alguns lerem e aplicarem os textos conciliares incorretamente não é razão para dizer: «o Concílio já não serve».

  • No que diz respeito à «interpretação do Concílio», faço o que me apetece ou procuro estar em sintonia com a transmissão viva da Igreja? As coisas que, na Igreja, fazemos «por nossa conta e risco» não contribuem para uma bela experiência de comunhão eclesial.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.9.13 | Sem comentários

A porta da fé [3]


Estamos a treze semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida (cf. Mateus 5, 13-16). Também o ser humano contemporâneo pode sentir de novo a necessidade de ir como a samaritana ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer n’Ele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva (cf. João 4, 14). Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos (cf. João 6, 51). De facto, nos nossos dias ressoa ainda, com a mesma força, este ensinamento de Jesus: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» (João 6, 27). E a questão, então posta por aqueles que O escutavam, é a mesma que colocamos nós também hoje: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?» (João 6, 28). Conhecemos a resposta de Jesus: «A obra de Deus é esta: acreditar n’Aquele que Ele enviou» (João 6, 29). Por isso, acreditar em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação.

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • A força testemunhal das imagens de Jesus: o sal e a luz. São duas imagens missionárias e muito estimulantes. Se o sal perde o sabor, já o sabemos: a comida fica insossa; se a luz se apaga, vivemos nas trevas. A nossa fé tem que «dar ao mundo o sabor de Cristo» e tem que ser uma verdadeira iluminação de toda a da nossa vida. As curas dos cegos por parte de Jesus ensinam-nos que é necessária a «iluminação» de toda a nossa vida. Não podem existir «espaços escuros», de costas voltadas para o Evangelho.
  • A necessidade de responder com a evangelização aos desejos mais íntimos e mais profundos das pessoas. A evangelização, quando é verdadeira, não é um «acrescento» externo, como quem tem um guarda-sol que usa ou não conforme convém. A evangelização tem de tocar os problemas e aspirações mais íntimos da pessoa. Diz Paulo VI, na Exortação Apostólica sobre a evangelização no mundo contemporâneo — «Evangelii Nuntiandi»: a evangelização tem de «chegar a atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade» (19). E acrescenta: «importa evangelizar, não de maneira decorativa, como que aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital, em profundidade e isto até às suas raízes, a civilização e as culturas humanas» (20).
  • Os dois grandes alimentos da vida do crente: a Palavra e a Eucaristia. A «mesa da Palavra» e a «mesa da Eucaristia» estão sempre presentes na celebração da Missa. Contudo, muitas vezes, acontece que somos ouvintes «esquecidos». Expressa-o muito bem a Carta de São Tiago: «Quem se contenta com ouvir a palavra, sem a pôr em prática, assemelha-se a alguém que contempla a sua fisionomia num espelho; mal acaba de se contemplar, sai dali e esquece-se de como era» (1, 23-24). E a Eucaristia tem de ser celebrada com autenticidade, não como uma simples obrigação. Escutamos São Paulo: «todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. [...] Aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação» (1Coríntos 11, 27-29).
  • A Eucaristia como «impulso para a missão» («trabalhai pelo alimento que perdura»). O impulso missionário da Eucaristia está muito bem expresso no evangelho segundo João como dádiva para a vida do mundo: «O pão que eu hei de dar pela vida do mundo é a minha carne» (João 6, 51).

Interiorizando

  • Examino se, com o meu testemunho, estou a ser sal e luz. Ou tenho a fé tão apagada que nem salga nem alumia...  quase como se não a tivesse. Afinal, em nada se nota o facto de ser crente. Sou como as outras pessoas, até mesmo como as não crentes, na minha maneira de pensar, nos meus juízos, nos interesses que movem a minha vida...

  • Examino se a minha fé chega a tudo o que sou e faço, de tal maneira que desperta nos outros o desejo de, pelo mesmo caminho, encontrar resposta para as interrogações humanas que são comuns a todos. Para isso, tenho que estar muito próximo das pessoas. Não partilho a minha fé com os anjos, mas com as pessoas que são companheiras no caminho da vida

  • Examino a minha relação com a Palavra e a Eucaristia: rotina, convicção, fazer por fazer, escutar por escutar, encontro real, «cumplicidade com o Senhor»... Não podemos ficar com a afirmação: «temos a Palavra e a Eucaristia». Temos de perguntar: o que significa, nas nossas vidas, escutar a Palavra e celebrar a Eucaristia? São realidades transformadoras ou ficamos sempre na mesma como estávamos?

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.8.13 | Sem comentários

Domingo da quinta semana de Páscoa


Evangelho segundo João 13, 31-33a.34-35

Quando Judas saiu do Cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora. Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros».

A porta da fé abre-se com o coração

Paulo e Barnabé «convocaram a Igreja, contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos gentios a porta da fé». Que bela expressão sobre a ação apostólica! Ao proclamar este Ano da Fé que estamos a viver o Papa Bento XVI escreveu: «A Porta da Fé [...] está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma» («A Porta da Fé», 1). No evangelho, Jesus Cristo diz que a abertura da porta da fé passa pela abertura dos corações: «Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros». 

O essencial do cristão: amar

O mandamento do amor continua tão novo! Se calhar ainda está por estrear! Não se trata apenas de uma coisa muito importante; é o essencial. Sem amor, não há cristão, não há vida cristã. 
A pergunta que temos de fazer hoje é esta: O mandamento do amor apresentado por Jesus Cristo inspira a tua [minha] maneira de viver? Não pode ser um amor teórico. O amor é uma atitude concreta vivida na relação com os outros. A última frase de Jesus Cristo reforça a importância essencial do amor: «Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros». Quando não amamos, não somos discípulos de Jesus Cristo! Não somos cristãos.
Talvez tenhamos insistido demasiado no acessório: normas para cumprir; doutrinas para acreditar; rituais para celebrar. E esquecemos o que é para viver como essencial: o amor. 
Há ainda outro perigo: apresentar o amor como um preceito, uma norma. E volta a não resultar. 
O importante é aprender a descobrir a importância do amor. Enquanto não fizer esta descoberta, nunca percebei a grandeza e a beleza deste mandamento novo dado por Jesus Cristo. Se não dou este passo, será sempre uma norma sem consequências na minha vida. Até posso apreciar as palavras de Jesus Cristo; mas não influenciarão a minha maneira de viver. 

A novidade de Jesus Cristo

Jesus Cristo não propõe uma norma, uma lei; propõe uma resposta pessoal ao Amor que é o próprio Deus. Trata-se de descobrir em nós o dom incondicional de Deus, que através de nós tem de chegar a todos. Jesus Cristo não propõe um princípio teórico; e depois pede para que todos o cumpram. Jesus Cristo começa por viver o amor de depois diz: Imitai-me, fazei como eu! 
«Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros». «Como eu vos amei» não é só uma comparação. É a origem do amor. Isto quer dizer que amamos porque Jesus Cristo nos ama; e amamos da mesma forma. Esta é também a novidade. De facto, o amor já existia nas normas judaicas, na Lei. Também a filosofia fala do amor e da filantropia. A novidade de Jesus está na forma de amar. 
A nova comunidade formada por Jesus Cristo não se pode ser conhecida pelas doutrinas ou pelos rituais. O único distintivo cristão tem de ser o amor, o amor manifestado em todas e em cada uma das nossas ações. A base e o fundamento da comunidade cristã é a vivência do amor. 
«A fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria» («A Porta da Fé», 7). 
Vivamos a fé com amor e alegria!

© Laboratório da fé, 2013

João 20, 20 - www.laboratoriodafe.net
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.4.13 | Sem comentários
— Todo tiene su momento - blog de Pedro Jaramillo —

Segunda-feira da primeira semana


— Evangelho segundo Mateus 25, 31-46

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’ E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna».

— «Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, 

      a Mim o fizestes»

Pelo facto de ser conhecido este texto evangélico pode parecer-nos menos surpreendente. Já João Paulo II tinha dito que não é uma página de moral, mas uma página de cristologia. Na Carta Apostólica «No Início do Novo Milénio», o Papa apresenta uma aproximação exegética bastante certeira. A «identificação» de Jesus com os pobres e os necessitados indica que, neles, há um «lugar cristológico» de encontro com o Senhor. E acrescenta também João Paulo II: sobre esta página, a Igreja avalia sempre a sua fidelidade a Jesus Cristo.
As advertências são sérias, como séria é a apresentação de Mateus. Trata-se do discernimento final. Ninguém pode dizer, depois de escutar o texto, que este discernimento ou juízo será uma incógnita. Sabemos perfeitamente a matéria desse «exame final»: resumia-o muito bem São João da Cruz: «ao entardecer da vida, sermos examinados pelo amor».
O «a mim o fizeram» ou o «a mim o deixaram de fazer» soa-nos, efetivamente, a identificação. Jesus quis identificar-se com todos aqueles que passam necessidade. Pode-se dizer, por isso, que os pobres são «um lugar teológico», um lugar onde encontramos o rosto de Deus, revelado em Jesus Cristo.
Impressiona, no texto, o realismo das necessidades e o concreto das receitas. Em situações de extrema pobreza, não ser solidários é já uma injustiça. No início da Quaresma, recebemos já a advertência: «ao entardecer da vida, seremos examinados pelo amor».

— Sinais para o caminho de fé

  • O texto evangélico situa-nos de novo na relação entre fé e caridade. Vem-nos ao pensamento o texto de São Tiago sobre a fé sem obras. Trata-se de uma fé simplesmente morta. A fé sem obras não salva. A fé, se não tem obras, está morta por dentro. «Mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé» (cf. Tiago 2, 14-18).
  • «Muitos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo» («A Porta da Fé», 14).
  • «É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida» («A Porta da Fé», 14).
  • Um amor que se torna ainda mais amplo: «Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando 'novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça' (2Pedro 3, 13)» («A Porta da Fé», 14).
© Pedro Jaramillo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.2.13 | Sem comentários
— pergunta e resposta — O que é «A Porta da Fé» («Porta Fidei»)?
Os documentos «oficiais» da Igreja Católica são apresentados em latim. E o título do documento corresponde às (duas) primeiras palavras. O papa Bento XVI recorreu a uma «Carta Apostólica» para proclamar o Ano da Fé. As duas primeiras palavras em latim são «Porta Fidei», que em português se traduzem por «A Porta da Fé». Esta expressão — A porta da fé — é retirada do livro dos Atos dos Apóstolos (capítulo 14, versículo 27), conforme o próprio Papa indica no texto da «Carta Apostólica».


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.10.12 | Sem comentários
— a Igreja alimenta-se da Palavra de Deus —

Evangelho segundo Marcos 10, 46-52
Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho. Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim». Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja». Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.

A tua fé te salvou
A cura do cego Bartimeu, narrada pelo evangelista, tem um propósito pedagógico. É um episódio central no evangelho segundo Marcos. Curiosamente, um cego torna-se no modelo do verdadeiro discípulo. Recordando os textos evangélicos dos domingos anteriores (passagens do evangelho segundo Marcos), percebemos que aqueles que até agora acompanharam Jesus ouvem as suas palavras, mas não entendem a proposta de vida feita por Jesus. Têm o coração fechado ao estilo de vida de Jesus Cristo. Ao contrário, o cego Bartimeu tem consciência que não vê. E, ao saber que Jesus ia a passar junto dele, não perde a oportunidade para abrir o coração. Perante os gritos insistentes, Jesus diz: «chamai-o». Então, «o cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus». Um cego tem de andar devagar e com cuidado. Mas agora há qualquer coisa que altera a normalidade. Ele dá «um salto»! O que muda é a confiança. Mesmo sem ver, aquele homem confia em Jesus Cristo, isto é, acredita que Jesus pode mudar a sua vida. Por isso, o manto, sinal da vida anterior, é atirado fora. Todas as suas esperanças fixam-se em Jesus. Este é o milagre, que é realizado pelo próprio cego: deita fora tudo o que lhe impede de abrir o coração a Jesus Cristo. Já nada o prende. Então, pode saltar, pode dar um salto (de alegria) para ir ao encontro da vida. Jesus apenas confirma o milagre já realizado: «A tua fé te salvou». Agora, aquele homem que antes estava «à beira do caminho», salta e segue Jesus «pelo caminho». Este caminho não é topográfico, mas é um caminho existencial.
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.10.12 | Sem comentários

Mistério da fé! [8]


O Batismo é o primeiro sacramento e o primeiro dos sacramentos. «O Batismo, porta da vida e do reino, é o primeiro sacramento da nova lei, que Cristo propôs a todos para terem a vida eterna, e, em seguida, confiou à sua Igreja, juntamente com o Evangelho» (Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos. Preliminares Gerais, 3). Neste tema, apresentamos o fundamento do Sacramento do Batismo associado ao mandato de Jesus Cristo ressuscitado confiado aos discípulos [Para ajudar a compreender melhor, ler: Mateus 28, 16-20; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1213 a 1216]

«Ide... fazei discípulos... 

batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo»

— é, segundo a narração de Mateus, o mandato que Jesus Cristo ressuscitado confia aos (onze) discípulos. A presença terrena de Jesus Cristo continua com a presença missionária dos discípulos (até ao fim dos tempos). A fórmula batismal explicitamente trinitária — «em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» — é única em todos os escritos do Novo Testamento. É provável que tenha origem na prática litúrgica já existente na comunidade a que pertence o evangelista Mateus.

Batismo

O Batismo é o primeiro dos sacramentos, o ponto de partida da Iniciação Cristã (cf. tema 7), «o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito (‘porta da vida espiritual’) e a porta que dá acesso aos outros sacramentos» (Catecismo da Igreja Católica», 1213). A palavra «batismo» deriva do «grego, ‘baptisma’, que, por sua vez, vem de ‘bapto’ (banhar) e de ‘baptizdo’ (submergir, mergulhar na água). O seu sentido original é, portanto, banho, ablução externa, embora entendendo-a no seu sentido de purificação e vida nova» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 47).

Mandato de Cristo

Nos relatos evangélicos segundo Mateus e Marcos há uma referência ao mandato confiado aos discípulos: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mateus 28, 19-20); «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for batizado será salvo» (Marcos 16, 15-16). Jesus Cristo apresenta-se como aquele que ressuscitou de entre os mortos e que tem plena autoridade para encarregar os discípulos de continuarem até ao fim dos tempos a atividade que tinha iniciado. Os discípulos são enviados («Ide») ao mundo inteiro para proclamar o Evangelho, «fazer» discípulos, batizar e ensinar «a cumprir tudo» o que aprenderam de Jesus Cristo. O (novo) discipulado concretiza-se na adesão aos ensinamentos de Jesus Cristo («acreditar») e na participação na vida da Trindade através da celebração do Sacramento do Batismo. Com esta referência bíblica confirma-se que desde o tempo dos Apóstolos o Batismo tornou-se essencial para a adesão à fé cristã, juntamente com o acolhimento do Evangelho, a Boa Nova de Jesus Cristo. Em primeiro lugar, fica claro que a experiência pascal dos discípulos não é para o próprio consolo interior, mas para assumir uma missão universal. Esta missão é confiada por Jesus Cristo para que anunciem o Evangelho a «todos os povos», ao «mundo inteiro». O anúncio do Evangelho não tem nenhum tipo de fronteiras: geográficas, económicas, políticas, sociais, culturais... É universal por natureza. Hoje, esta continua a ser a missão confiada a todos os discípulos, a todos os cristãos. O Batismo não é para um consolo próprio, mas para dar continuidade à missão. O papa Francisco tem insistido com frequência na importância do mandato de Cristo: «Não se fechem, por favor! Isto é um perigo: fecharmo-nos na paróquia, com os amigos, no movimento, com aqueles que pensam as mesmas coisas que eu... Sabeis o que sucede? Quando a Igreja se fecha, adoece, fica doente. Imaginai um quarto fechado durante um ano; quando lá entras, cheira a mofo e há muitas coisas que não estão bem. A uma Igreja fechada sucede o mesmo: é uma Igreja doente. A Igreja deve sair de si mesma. Para onde? Para as periferias existenciais, sejam quais forem…, mas sair. Jesus diz-nos: ‘Ide pelo mundo inteiro! Ide! Pregai! Dai testemunho do Evangelho!’» (Francisco, Vigília de Pentecostes, 18 de maio de 2013). Em segundo lugar, a missão não consiste em transmitir uma «ideologia» ou uma simples «doutrina». A missão está associada ao batismo: «Quem acreditar e for batizado será salvo».

O Sacramento do Batismo é muito mais do que um simples rito ou ritual. Celebrar o Batismo significa mergulhar a totalidade da vida em Jesus Cristo para assumir uma vida nova.






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.11.13 | Sem comentários
— A música no laboratório da fé —

Senta-te aí

— Intérprete: Rio Grande 

Letra 

Está na hora de ouvires o teu pai
Puxa para ti essa cadeira 
Cada qual é que escolhe aonde vai 
Hora-a-hora e durante a vida inteira 

Podes ter uma luta que é só tua 
Ou então ir e vir com as marés 
Se perderes a direcção da lua 
Olha a sombra que tens colada aos pés 

Estou cansado. aceita o testemunho 
Não tenho o teu caminho pra escrever 
Tens que ser tu, com o teu próprio punho 
Era isso o que te queria dizer 

Sou uma metade do que era 
Com mais outro tanto de cidade 
Vou-me embora que o coração não espera 
À procura da mais velha metade

Esta música conta a conversa entre um pai que, no início da sua velhice, e antes de regressar à sua terra natal, decide passar o testemunho de uma vida ao seu filho. 
Sem se demitir de continuar a acompanhar o seu filho, o pai, com grande clareza mas sobretudo com grande liberdade, responsabiliza o filho para tomar “conta do leme”.
Embalados pela bonita melodia do João Gil não é difícil imaginarmo-nos num cenário idêntico. Se calhar, tendo presente a parábola do filho pródigo ou o quadro de Rembrandt facilmente nos colocamos num momento de silêncio e de pausa para escutar o Pai que nos quer falar e que, para isso, nos convida: “Senta-te aí”. 

Para o Ano da Fé 
Desafia-te a pensar na Fé como a relação que tu tens com Deus Pai. De que forma é que podes, ao longo do Ano da Fé, estreitar laços com Deus? Tornar-te (ainda) mais familiar das usas palavras? Tornar-te ainda mais consciente da tua condição de filho? 

«Se perderes a direcção da lua
Olha a sombra que tens colada aos pés»

A partir destes versos medita na forma como o Papa inicia «A Porta da Fé» (Porta Fidei). Tens presente no teu quotidiano a tua vocação/missão de Baptizado? 

«A PORTA DA FÉ (cf. Act 14, 27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. (…) Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. Este caminho tem início no Baptismo (cf. Rm 6, 4), pelo qual podemos dirigir-nos a Deus com o nome de Pai, (…)» (in Porta Fidei)

Claudine Pinheiro


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.11.12 | Sem comentários

Pequeninos do Senhor


São Paulo escreve na Carta aos Romanos: «Acredita-se com o coração e, com a boca, faz-se a profissão de fé» (Romanos 10, 10). Mas como fazer desabrochar a fé desde a infância?
Na Carta Apostólica «A Porta da Fé» — «Porta Fidei» (PF) —, escrita pelo Papa Bento XVI para o «Ano da Fé» (2012-2013), podemos ler que, a «fé, que atua pelo amor» (Gálatas 5, 6), muda toda a vida do ser humano (PF 6). Ela cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido (PF 7). E o coração indica que o primeiro ato, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e ação da graça que age e transforma a pessoa até ao mais íntimo de si mesma (PF 10).
Frequentemente, ouvimos pessoas que dizem: eu não sei o que é fé; a minha fé é muito pequena... E, então, podemos perguntar: será que a fé lhe foi transmitida?; como é que a fé foi alimentada ao longo da vida?
Se uma pessoa é batizada e celebra a Festa Eucaristia (Primeira Comunhão) aos dez anos, e só volta à Igreja vinte anos depois para se casar, quão grande será a sua fé? Se a primeira e, porventura, a última vez que teve uma orientação cristã foi na catequese da infância, talvez seja esse o tamanho da sua fé: o tamanho da roupa da Primeira Comunhão. Será que na hora de se casar, a roupa ou a fé estará a condizer com o seu tamanho físico e emocional?
A Declaração sobre Educação Cristã — «Gravissimum Educationis» (GE) —, promulgada no II Concílio do Vaticano, afirma que «os pais devem ser para os seus filhos os primeiros mestres da fé» (GE 2). E o Documento 26 — Catequese Renovada – da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (1983) concorda que «a família cristã, pela graça sacramental do matrimónio tornada como que 'igreja doméstica', é lugar, por excelência, de Catequese, especialmente na primeira infância» (121).
[Em Portugal, os bispos portugueses escreveram no documento «Para que acreditem e tenham vida» (2005): «O despertar para a vida e para a fé, num mesmo movimento, começa desde a infância. Os pais são chamados a comunicar o seu gosto de viver, a sua maravilha perante a vida e a transmitir uma arte de viver em referência ao Evangelho. O seu contributo é insubstituível, porque a fé é uma vida que se comunica, uma osmose que se realiza e não uma doutrina a inculcar»; e ainda: «A família que dá origem à vida tem também a responsabilidade de dar sentido e contribuir para o pleno desenvolvimento dessa existência, enriquecendo-a com o património moral e espiritual que vem do cristianismo».]
Portanto, os pais são os primeiros responsáveis pela transmissão da fé aos seus filhos. Compete-lhes dar os primeiros passos na caminhada cristã, em casa; e depois no encaminhamento para a catequese que é uma educação da fé. E, à Igreja, cabe a responsabilidade de os acolher na iniciação cristã desde bem pequeninos, desde a mais tenra idade, até mesmo antes dos sete anos, tempo em que estão a ser formados o caráter, a personalidade, a afetividade e os valores que serão a base das suas condutas durante a vida; e também inseri-los numa catequese lúdica, orientando-os para a fé, o quanto antes, a partir do encontro com a pessoa de Jesus, Aquele que será o melhor amigo durante toda a vida, introduzindo-os na vida da comunidade e formando-os para uma vida cristã prática e atuante.
Segundo o Documento de Aparecida (2007), assumir essa iniciação cristã exige não só uma renovação de modalidade catequética da paróquia, mas também desenvolver uma catequese que seja permanente, que continue o processo de amadurecimento da fé (cf. número 294), além de organizar novas formas que ajude o catequizando a valorizar o sentido da vida juntamente com os sacramentos, a participação na comunidade e o compromisso como cidadão, para que ele tenha a consciência de ser sal e fermento no mundo, com uma identidade cristã forte e segura (cf. número 286).

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013

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Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

Outros artigos publicados no Laboratório da fé



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.5.13 | Sem comentários
— texto semanal publicado no «Diário do Minho» —

O programa pastoral da nossa Arquidiocese de Braga, cujo tema é a «fé professada», apresenta o «Credo» como sinal da identidade cristã. «O ‘Credo’ é um símbolo porque, ao recitarmos este texto, reconhecemo-nos cristãos e parceiros de todas as gerações cristãs que nos precederam. É a expressão de uma fé comum, da fé da Igreja, e, por isso, tem de ser devidamente respeitado por todos. Esta dimensão eclesial da fé exige uma linguagem comum, ‘uma linguagem normativa para todos, que a todos une na mesma confissão de fé» (Catecismo da Igreja Católica, 185). Por isso, este ano pastoral será uma oportunidade para aprofundar os conteúdos do ‘Credo’, a partir do Catecismo da Igreja Católica». Esta iniciativa está em sintonia com o convite do Papa Bento XVI ao proclamar o «Ano da Fé»: «Refletir sobre o próprio ato com que se crê, é um compromisso que cada crente deve assumir, sobretudo neste Ano» (Bento XVI, «A Porta da fé», 9).

A partir de hoje, o «Diário do Minho» — em parceria com o projeto «Laboratório da fé» (www.laboratoriodafe.net) da responsabilidade do arciprestado de Braga — vai publicar, semanalmente, uma reflexão sobre o «Símbolo niceno-constantinopolitano», o «Credo» que habitualmente se proclama nas eucaristias dominicais. 


[Para ajudar a compreender melhor, ler: Segunda Carta a Timóteo 1, 6-14; Catecismo da Igreja Católica, números 185 a 197]

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.11.12 | Sem comentários

— Queridos irmãos e irmãs,
Hoje gostaria de introduzir o novo ciclo de catequeses, que se desenvolve ao lonto de todo oAno da fé, recém-iniciado, e que interrompe — durante este período — o ciclo dedicado à escola da oração. Mediante a Carta Apostólica Porta Fidei proclamei este Ano especial, precisamente para que a Igreja renove o entusiasmo de crer em Jesus Cristo, único Salvador do mundo, reavive a alegria de percorrer o caminho que nos indicou e testemunhe de modo concreto a força transformadora da fé.
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.10.12 | Sem comentários
— Apostolado da Oração — intenção geral de janeiro — 

Para que, neste Ano da Fé, 

os cristãos aprofundem o conhecimento do mistério de Cristo 

e testemunhem a própria fé com alegria.


1. Já muito foi dito sobre o Ano da Fé e mais será nos próximos meses. É bom que assim seja, sobretudo se tal significar uma maior consciencialização dos crentes relativamente à urgência de professar com alegria a fé no Verbo de Deus encarnado, morto e ressuscitado, e a adesão, em obras e palavras, ao seu Evangelho. Afinal, como lembra Bento XVI na carta apostólica Porta fidei («A Porta da Fé»), a fé deixou de existir como «pressuposto óbvio da vida diária» e, com frequência, tal pressuposto é mesmo «negado» (cf. n. 2). Esta alteração do contexto social em que somos chamados a testemunhar o mistério de Cristo é, no entanto, essencialmente positiva, pois permite que a originalidade do Cristianismo seja mais visível e a novidade de Cristo inquiete mais poderosamente os corações com o sabor das coisas ainda não ditas e capazes de converter a vida.

2. Para que isso aconteça, porém, é necessário que os cristãos deixem modelos religiosos do passado e apostem de modo decidido em Cristo, no conhecimento do seu mistério. Não se trata apenas de um conhecimento intelectual, nem primariamente de um conhecimento desse tipo. Se nos lembrarmos do modo como São Paulo se refere a Cristo e ao seu mistério, «escondido» desde sempre em Deus, mas revelado «nestes últimos tempos» aos seus discípulos, percebemos que se trata, sobretudo, de uma ação de Deus, o qual Se dá a conhecer em seu Filho, Jesus Cristo. E, sendo assim, aprofundar o conhecimento do mistério de Cristo implica, antes de mais, dispor o coração para acolher o Evangelho e viver de acordo com ele.

3. Não sendo em primeiro lugar um conhecimento intelectual, a adesão ao mistério de Cristo passa também por aí. O Cristianismo não é um irracionalismo. Desde muito cedo, os cristãos perceberam a necessidade de saber apresentar Aquele em quem acreditam e as razões para acreditar. É justamente famosa a expressão da Primeira Carta de Pedro sobre a disponibilidade dos cristãos para darem, a quem lhas pedir, «as razões» da sua esperança (3, 15). Ao longo dos séculos, esta exigência da fé gerou no seio da Igreja uma incansável actividade intelectual, testemunhada nas obras dos Padres da Igreja, em bibliotecas, nas universidades e em escolas de todo o género. Hoje este compromisso com a cultura não pode esmorecer – mas, tal como no passado, deve sempre partir do desejo de aprofundar o conhecimento de Cristo, para poder falar d’Ele a quem, porventura, deseje escutar.

4. Verdadeiramente, ninguém nasce cristão – cada um faz-se cristão, ou melhor, é feito cristão através do baptismo. E se hoje é comum as famílias cristãs pedirem o batismo para os seus filhos na mais tenra idade, isso significa que o ser feito cristão acaba por se dilatar no tempo após o batismo, implicando um processo longo de aprendizagem, não apenas de conceitos mas sobretudo de um modo de vida. Este processo tem nas famílias e nas comunidades cristãs os seus agentes mais diretos e, hoje, praticamente únicos – pois, como referi no início desta reflexão, citando Bento XVI, o contexto social no qual a fé era um dado adquirido deixou de existir; não raro, tornou-se mesmo adverso à transmissão da fé. Testemunhar a fé com alegria, na família e na comunidade cristã, é, por isso, essencial se pretendemos que o Ano da Fé dê frutos, renovando a vida dos crentes e despertando em quem não acredita o desejo de conhecer o mistério de Cristo para O acolher e fazer d’Ele o centro da sua vida.

© «Diário do Minho» [10 de janeiro de 2013] — Suplemento «Igreja Viva»
© Elias Couto [Apostolado da Oração]


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.1.13 | Sem comentários
— Apostolado da Oração — intenção geral de janeiro — 

Para que, neste Ano da Fé, 

os cristãos aprofundem o conhecimento do mistério de Cristo 

e testemunhem a própria fé com alegria.


Afirma o Papa, na Carta Apostólica «A Porta da Fé»: «Decidi convocar um Ano da Fé. Começará [a Carta foi publicada a 11 de Outubro de 2011] no dia 11 de Outubro de 2012, no 50.º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, e terminará na solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, no dia 24 de Novembro de 2013. A 11 de Outubro de 2012 celebrar-se-ão também os 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, promulgado pelo meu predecessor, o beato João Paulo II, com a intenção de mostrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé» (número 4).
As razões para a proclamação deste Ano da Fé são muitas, ainda que aqui apontaremos somente duas. A primeira e a mais importante é aquela que o Santo Padre sublinhou, a 22 de Dezembro de 2011: «O núcleo da crise da Igreja na Europa é a crise de fé. Se não encontrarmos uma resposta para ela, se a fé não ganha uma nova vitalidade, dentro de uma convicção profunda e uma força real, graças ao encontro com Jesus Cristo, todas as mais reformas serão inúteis». Estas palavras do Sumo Pontífice são muito sérias e devem representar para nós grande motivo de profunda meditação.
Outra razão é a de verificarmos que, sobretudo a nível da Europa, a fé desapareceu da vida de muitos, ou está tão debilitada que mal se nota.
As finalidades deste Ano da Fé são também várias. Como o Papa refere na já citada Carta Apostólica, é necessário «intensificar a reflexão sobre a fé, para ajudar todos os crentes em Cristo, a fim de que a sua adesão a Cristo seja mais consciente e vigorosa» (número 8).
Este Ano da Fé deve ser também um convite a um encontro com Jesus Cristo Vivo, que nos permita sermos transformados pela sua acção. Só por meio do aprofundamento no conhecimento do mistério de Cristo é que daremos um testemunho credível da nossa fé. A Intenção deste mês exorta-nos a que demos este testemunho «com alegria». É este testemunho de alegria e esperança que é necessário dar nesta velha Europa que está a ficar cada vez mais «Europa velha».

© Apostolado da Oração — www.apostoladodaoracao.pt


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.1.13 | Sem comentários
— A Porta da Fé, 13 — 

— «Será decisivo repassar, durante este Ano, a história da nossa fé, que faz ver o mistério insondável da santidade entrelaçada com o pecado. Enquanto a primeira põe em evidência a grande contribuição que homens e mulheres prestaram para o crescimento e o progresso da comunidade com o testemunho da sua vida, o segundo deve provocar em todos uma sincera e contínua obra de conversão para experimentar a misericórdia do Pai, que vem ao encontro de todos. Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo, 'autor e consumador da fé': n’Ele encontra plena realização toda a ânsia e desejo do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar connosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição. N’Ele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação. 
Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação. Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam. Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade. Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egipto a fim de O salvar da perseguição de Herodes. Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota. Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo, transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo. 
Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre. Acreditaram nas palavras com que Ele anunciava o Reino de Deus presente e realizado na sua Pessoa. Viveram em comunhão de vida com Jesus, que os instruía com a sua doutrina, deixando-lhes uma nova regra de vida pela qual haveriam de ser reconhecidos como seus discípulos depois da morte d’Ele. Pela fé, foram pelo mundo inteiro, obedecendo ao mandato de levar o Evangelho a toda a criatura e, sem temor algum, anunciaram a todos a alegria da ressurreição, de que foram fiéis testemunhas. 
Pela fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, pondo em comum aquilo que possuíam para acudir às necessidades dos irmãos. 
Pela fé, os mártires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho que os transformara, tornando-os capazes de chegar até ao dom maior do amor com o perdão dos seus próprios perseguidores. 
Pela fé, homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos de quem aguarda o Senhor, que não tarda a vir. 
Pela fé, muitos cristãos se fizeram promotores de uma acção em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos. 
Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida, confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados. 
Pela fé, vivemos também nós, reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na história».


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.11.12 | Sem comentários

Maio, Mês de Maria


«Maria expressa sobretudo o segredo mais profundo da sua vida. Nestas palavras, ela está por inteiro. A sua vida, de facto, foi um ‘sim’ profundo ao Senhor. Um ‘sim’ cheio de alegria e de confiança. Maria, cheia de graça, viveu toda a sua existência completamente disponível a Deus, em perfeita sintonia com a vontade divina. [...] ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’. Esta breve frase contém o programa de vida que Maria realizou como primeira discípula do Senhor. É um programa de vida que se apoia num fundamento sólido que tem um nome: Jesus. [...] Construí a vossa vida sobre o fundamento que é Jesus. Desejo que a vossa meditação sobre o mistério de Maria vos leve a imitar a sua maneira de viver. Aprendei com ela a escutar e a pôr em prática a Palavra de Deus» (João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial da Juventude de 1988). 

Ano da Fé

Em pleno Ano da Fé para celebrar o cinquentenário do II Concílio do Vaticano, somos convidados a repassar a história da nossa fé, mantendo o olhar fixo sobre Jesus Cristo: nele encontra plena realização o desejo mais profundo do coração humano. «Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação. Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam. Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade. Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egito a fim de O salvar da perseguição de Herodes. Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota. Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo, transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo» (Bento XVI, «A Porta da Fé» 13). 

Mãe da Igreja

Neste caminho celebrativo, preparamos os 50 anos da proclamação de Maria como «Mãe da Igreja», pelo Papa Paulo VI (1964) e os 40 anos da Carta Encíclica sobre o culto mariano — «Marialis Cultus» (1974). Este documento dá continuidade ao oitavo capítulo da Constituição sobre a Igreja («Lumen Gentium» — LG) dedicado a Maria no mistério de Cristo e da Igreja. «A Mãe de Deus é o tipo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo, como já ensinava S. Ambrósio» (LG 63). «A Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira. Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo» (LG 62). «Na verdade, as várias formas de piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites de sã e recta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole e modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor se conheça, ame e gloria fique o Filho, por quem tudo existe e no qual ‘aprouve a Deus que residisse toda a plenitude’, e também melhor se cumpram os seus mandamentos» (LG 66). «Os fiéis lembrem-se de que a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa mãe e a imitar as suas virtudes» (LG 67). 

Fazei tudo o que ele vos disser

«Esta passagem diz-nos, na sua simplicidade, duas coisas muito importantes. A primeira é que Deus se interessa sempre por nós, até mesmo nas festas e durante os banquetes. A segunda é que também Maria se interessa por essas nossas ocupações e as olha com um olhar vigilante e maternal» (Carlo Maria Martini, «Tomados de assombro», ed. Paulinas).

© Laboratório da fé, 2013

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.13 | Sem comentários
— Reflexão do Papa Bento XVI —

O Papa Bento XVI, no Ano da Fé, apresentou aos membros do tribunal da Rota Romana, que são responsáveis pela análise dos processos de nulidade do Matrimónio, uma reflexão sobre a importância da fé para a celebração do Sacramento: 
  •  «A fé em Deus é um elemento muito importante para viver a dedicação mútua e a fidelidade conjugal»; «o fechamento a Deus ou a recusa da dimensão sagrada da união conjugal e do seu valor na ordem da graça torna árdua a encarnação concreta do modelo altíssimo de matrimónio concebido pela Igreja segundo o desígnio de Deus, podendo chegar a minar a própria validade do pacto quando se traduz numa recusa de um princípio da mesma obrigação conjugal de fidelidade, ou seja, dos outros elementos ou propriedades essenciais do matrimónio»;
  • «A fé é importante na realização do autêntico bem conjugal, que consiste simplesmente em querer sempre e contudo o bem do outro»; «não se deve prescindir da consideração que se possam verificar casos nos quais, precisamente devido à ausência de fé, o bem dos cônjuges resulte comprometido, isto é, excluído do próprio consenso».
[...]
1. No contexto do Ano da Fé, gostaria de analisar, de modo especial, alguns aspetos da relação entre fé e matrimónio, observando como a atual crise da fé, que atinge várias partes do mundo, traz consigo uma crise da sociedade conjugal, com toda a carga de sofrimento e de privações que isto comporta também para os filhos. Podemos tomar como ponto de partida a raiz linguística comum que, em latim, têm as palavras fides e foedus, termo, o segundo, com o qual o Código de Direito Canónico designa a realidade natural do matrimónio, como pacto irrevogável entre homem e mulher (cf. cân. 1055 § 1). De facto, o confiar-se recíproco é a base irrenunciável de qualquer pacto ou aliança.
A nível teológico, a relação entre fé e matrimónio assume um significado ainda mais profundo. De facto, o vínculo matrimonial, mesmo sendo realidade natural, entre os batizados foi elevado por Cristo à dignidade de sacramento (cf. ibidem).
O pacto indissolúvel entre homem e mulher não exige, para fins da sacramentalidade, a fé pessoal dos nubentes; o que é exigido, como condição mínima necessária, é a intenção de fazer o que faz a Igreja. Mas se é importante não confundir o problema da intenção com o da fé pessoal dos contraentes, contudo não é possível separá-los totalmente. Como fazia notar a Comissão Teológica Internacional num Documento de 1977, «no caso em que não seja percetível vestígio algum da fé como tal (no sentido do termo “crença”, disposição para crer), nem desejo algum da graça e da salvação, apresenta-se o problema de saber, na realidade, se a intenção geral e verdadeiramente sacramental da qual falámos, está ou não presente, e se o matrimónio é ou não contraído validamente» (A doutrina católica sobre o sacramento do matrimónio [1977], 2.3: Documenti 1969-2004, vol. 13, Bolonha 2006, p. 145). O beato João Paulo II, dirigindo-se a este Tribunal, há dez anos, esclareceu contudo que «uma atitude dos nubentes que não tenha em conta a dimensão sobrenatural no matrimónio só o pode tornar nulo se incide sobre a validade a nível natural no qual é colocado o próprio sinal sacramental» (ibidem). Sobre esta problemática, sobretudo no contexto atual, será preciso promover ulteriores reflexões.

2. A cultura contemporânea, marcada por um acentuado subjetivismo e relativismo ético e religioso, apresenta desafios urgentes à pessoa e à família. Em primeiro lugar, face à questão sobre a própria capacidade do ser humano de se unir, e se um vínculo que dure toda a vida seja deveras possível e corresponda à natureza do ser humano, ou, antes, não esteja, ao contrário, em contraste com a sua liberdade e auto-realização. Com efeito, faz parte de uma mentalidade difundida pensar que a pessoa se torna ela mesma permanecendo «autónoma» e entrando em contacto com o outro só mediante relações que se possam interromper em qualquer momento (cf. Alocução à Cúria Romana [21 de Dezembro de 2012]: L’Osservatore Romano, ed. port. de 22 de Dezembro, pp. 8/9). A ninguém passa despercebido como sobre a escolha do ser humano de se unir com um vínculo que dure toda a vida influa sobre a perspectiva de base de cada um, isto é, se for ancorada num plano meramente humano, ou se abra à luz da fé no Senhor. De facto, só abrindo-se à verdade de Deus é possível compreender, e realizar concretamente também na vida conjugal e familiar, a verdade do homem como seu filho, regenerado pelo Batismo. «Quem permanecer em Mim e Eu nele, dará muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer» (João 15, 5): assim ensinava Jesus aos seus discípulos, recordando-lhes a incapacidade substancial do ser humano de realizar sozinho o que é necessário para a consecução do bem verdadeiro. A recusa da proposta divina, com efeito, conduz a um desequilíbrio profundo em todas as relações humanas (cf. Discurso à Comissão Teológica Internacional [7 de Dezembro de 2012] L’Osservatore Romano, ed. port. de 15 de Dezembro, p. 11), incluída a matrimonial, e facilita uma compreensão errada da liberdade e da auto-realização que, unida à fuga face à suportação paciente do sofrimento, condena o ser humano a fechar-se no seu egoísmo e egocentrismo. Ao contrário, o acolhimento da fé torna o humano capaz da doação de si, unicamente na qual, «abrindo-se ao outro, aos outros, aos filhos, à família... deixando-se plasmar no sofrimento, descobre a amplitude do ser pessoa humana» (Discurso à Cúria Romana [21 de Dezembro de 2012]: L’Osservatore Romano, ed. port. de 22 de Dezembro, pp. 8/9).
Por conseguinte, a fé em Deus, apoiada pela graça divina, é um elemento muito importante para viver a dedicação mútua e a fidelidade conjugal (Catequese na Audiência geral [8 de Junho de 2011]: Insegnamenti VII/1 [2011], pp. 792-793). Não se pretende afirmar com isto que a fidelidade, como as outras propriedades, não são possíveis no matrimónio natural, contraído entre não-batizados. De facto, ele não está privado dos bens que «provêm de Deus Criador e inserem-se de modo incoativo no amor esponsal que une Cristo e a Igreja» (Comissão Teológica Internacional, A doutrina católica sobre o sacramento do matrimónio [1977], 3.4: Documenti 1969-2004, vol. 13, Bolonha 2006, p. 147). Mas certamente o fechamento a Deus ou a recusa da dimensão sagrada da união conjugal e do seu valor na ordem da graça torna árdua a encarnação concreta do modelo altíssimo de matrimónio concebido pela Igreja segundo o desígnio de Deus, podendo chegar a minar a própria validade do pacto quando se traduz numa recusa de um princípio da mesma obrigação conjugal de fidelidade, ou seja, dos outros elementos ou propriedades essenciais do matrimónio.
Tertuliano, na célebre Carta à esposa, falando da vida conjugal que se distingue pela fé, escreve que os cônjuges cristãos «são deveras dois numa só carne, e onde a carne é única, único é o espírito. Juntos rezam, juntos se prostram e juntos jejuam: um ensina ao outro, um honra o outro, um ampara o outro» (Ad uxorem libri duo, II, IX: PL 1, 1415b-1417a). Com termos semelhantes se expressa São Clemente Alexandrino: «Se de facto para ambos um só é Deus, então para ambos um só é o Pedagogo — Cristo — uma é a Igreja, uma a sabedoria, um o poder, em comum temos o alimento, o matrimónio nos une... E se comum é a vida, comum é também a graça, a salvação, a virtude, a moral» (Paedadogus, I, IV, 10.1: PG 8, 259b). Os Santos que viveram a união matrimonial e familiar, na perspetiva cristã, conseguiram superar também as situações mais adversas, um amor sempre fortalecido por uma sólida confiança em Deus, por uma sincera piedade religiosa e por uma intensa vida sacramental. Precisamente estas experiências, marcadas pela fé, fazem compreender como, ainda hoje, é precioso o sacrifício oferecido pelo cônjuge abandonado ou que tenha sido vítima de divórcio, se — reconhecendo a indissolubilidade do vínculo matrimonial válido — consegue não se deixar «envolver numa nova união... Neste caso o seu exemplo de fidelidade e coerência cristã assume um particular valor de testemunho diante do mundo e da Igreja» (João Paulo II, Exort. ap. Familiaris consortio [22 de Novembro de 1981], 83: AAS 74 [1982], p. 184).

3. Por fim, gostaria de analisar brevemente o bonum coniugum. A fé é importante na realização do autêntico bem conjugal, que consiste simplesmente em querer sempre e contudo o bem do outro, em função de um verdadeiro e indissolúvel consortio vitae. Na realidade, no propósito dos esposos cristãos de viver uma verdadeira communio coniugalis há um dinamismo próprio da fé, motivo pelo qual a confessio, a resposta pessoal sincera ao anúncio salvífico, envolve o crente no mote de amor de Deus. «Confessio» e «caritas» são «os dois modos em que Deus nos envolve, nos faz agir com Ele e para a humanidade, para a sua criatura... A “confessio” não é algo abstrato, é “caritas”, é amor. Só assim é realmente o reflexo da verdade divina, que como verdade é inseparavelmente também amor» (Meditação na primeira Congregação Geral da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos [8 de Outubro de 2012]: L’Osservatore Romano, ed. port. de 13 de Outubro, p. 14). Só através da chama da caridade, a presença do Evangelho já não é só uma palavra, mas realidade vivida. Por outras palavras, se é verdade que «a fé sem a caridade não dá fruto e a caridade sem a fé seria um sentimento à mercê constante da dúvida», deve-se concluir que «fé e caridade se reclamam mutuamente, de tal modo que consente à outra realizar o seu caminho» (Carta ap. Porta fidei [11 de Outubro de 2011], 14: L’Osservatore Romano, ed. port. de 22 de Outubro, pp. 4-9). Se isto é válido no amplo contexto da vida comunitária, deve ser ainda mais válido na união matrimonial. Com efeito, é nela que a fé faz crescer e frutificar o amor dos esposos, dando espaço à presença de Deus Trindade e tornando a própria vida conjugal, assim vivida, «boa nova» diante do mundo.
Reconhecendo as dificuldades, sob o ponto de vista jurídico e prático, de esclarecer o elemento essencial do bonum coniugum, até agora entendido predominantemente em relação às hipóteses de incapacidade (cf. CIC, cân. 1095). O bonum coniugum assume relevância também no âmbito da simulação do consenso. Certamente, nos casos submetidos ao vosso juízo, será a indagação in facto que certificará o eventual fundamento deste motivo de nulidade, prevalecente ou coexistente com outro motivo dos três «bens» agostinianos, a procriatividade, a exclusividade e a perpetuidade. Por conseguinte, não se deve prescindir da consideração que se possam verificar casos nos quais, precisamente devido à ausência de fé, o bem dos cônjuges resulte comprometido, isto é, excluído do próprio consenso; por exemplo, na hipótese de subversão de um deles, por causa de uma conceção errada do vínculo nupcial, do princípio de igualdade, ou na hipótese de rejeição da união dual que distingue o vínculo matrimonial, em relação com a possível coexistente exclusão da fidelidade e do uso da copulação realizada humano modo.
Com estas considerações, não pretendo certamente sugerir qualquer automatismo fácil entre carência de fé e união matrimonial não válida, mas antes evidenciar como esta carência possa, mesmo se não necessariamente, ferir também os bens do matrimónio, a partir do momento que a referência à ordem natural querida por Deus é inerente ao pacto conjugal (cf. Gn 2, 24). [...]

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.2.13 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


No contexto do Ano da Fé, o papa Bento XVI dedicou as Audiências Gerais das quartas-feiras ao tema da fé. Em tempo de Advento (19 de dezembro de 2012) refletiu sobre Maria como «ícone da fé obediente». 

Queridos irmãos e irmãs!
No caminho do Advento, a Virgem Maria ocupa um lugar especial, como Aquela que de maneira singular esperou a realização das promessas de Deus, acolhendo na fé e na carne Jesus, o Filho de Deus, em plena obediência à vontade divina. Hoje, gostaria de meditar brevemente convosco a propósito da fé de Maria, a partir do grande mistério da Anunciação.
«Chaîre kecharitomene, ho Kyrios meta sou», «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo!» (Lucas 1, 28). São estas as palavras — citadas pelo evangelista Lucas — com as quais o arcanjo Gabriel se dirige a Maria. À primeira vista, o termo «chaîre» («ave»), parece uma saudação normal, usual no âmbito grego, mas estas palavras, se forem lidas no contexto da tradição bíblica, adquirem um significado muito mais profundo. Este mesmo termo aparece quatro vezes na versão grega do Antigo Testamento e sempre como anúncio de alegria pela vinda do Messias (cf. Sofonias 3, 14; Joel 2, 21; Zacarias 9, 9; Lamentações 4, 21). Portanto, a saudação do anjo a Maria constitui um convite à alegria, a um júbilo profundo, anuncia o fim da tristeza que existe no mundo, diante do limite da vida, do sofrimento, da morte, da maldade e da obscuridade do mal que parece ofuscar a luz da bondade divina. Trata-se de uma saudação que marca o início do Evangelho, da Boa Nova.
Mas por que Maria é convidada a alegrar-se deste modo? A resposta encontra-se na segunda parte da saudação: «o Senhor está contigo». Também aqui, para compreender bem o sentido desta expressão, devemos consultar o Antigo Testamento. No Livro de Sofonias, encontramos esta expressão: «Alegra-te, filha de Sião... O rei de Israel, que é o Senhor, está no meio de ti... O Senhor teu Deus está no meio de ti como Salvador poderoso» (3, 14-17). Nestas palavras existe uma promessa dupla feita a Israel, à filha de Sião: Deus virá como Salvador e fará a sua morada precisamente no meio do seu povo, no ventre da filha de Sião. No diálogo entre o anjo e Maria realiza-se exactamente esta promessa: Maria é identificada com o povo desposado por Deus, é verdadeiramente a Filha de Sião em pessoa; é nela que se cumpre a expetativa da vinda definitiva de Deus, é nela que o Deus vivo faz a sua morada.
Na saudação do anjo, Maria é chamada «cheia de graça»; em grego o termo «graça» («charis») tem a mesma raiz linguística da palavra «alegria». Também nesta expressão é ulteriormente esclarecida a nascente do alegrar-se de Maria: o júbilo provém da graça, ou seja, deriva da comunhão com Deus, do facto de manter um vínculo tão vital com Ele, a ponto de ser morada do Espírito Santo, totalmente plasmada pela obra de Deus. Maria é a criatura que de modo singular abriu totalmente a porta ao seu Criador, colocando-se nas suas mãos sem quaisquer limites. Ela vive inteiramente da e na relação com o Senhor; põe-se em atitude de escuta, atenta a captar os sinais de Deus no caminho do seu povo; está inserida numa história de fé e de esperança nas promessas de Deus, que constitui o tecido da sua existência. E submete-se de maneira livre à palavra recebida, à vontade divina na obediência da fé.
O evangelista Lucas narra a vicissitude de Maria através de um paralelismo requintado com a vicissitude de Abraão. Do mesmo modo como o grande Patriarca é o pai dos crentes, que respondeu à chamada de Deus para sair da terra em que vivia, das suas seguranças, para começar a percorrer o caminho rumo a uma terra desconhecida e possuída só na promessa divina, assim Maria entrega-se com plena confiança à palavra que lhe anuncia o mensageiro de Deus, tornando-se modelo e mãe de todos os crentes.
Gostaria de sublinhar mais um aspecto importante: a abertura da alma a Deus e à sua obra na fé inclui também o elemento da obscuridade. A relação do ser humano com Deus não cancela a distância entre Criador e criatura, não elimina aquilo que o apóstolo Paulo afirma perante as profundezas da sabedoria de Deus: «Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos!» (Romanos 11, 33). Mas precisamente aquele que — como Maria — está aberto de modo total a Deus, consegue aceitar a vontade divina, ainda que seja misteriosa, embora muitas vezes não corresponda à propria vontade e seja uma espada que trespassa a alma, como profeticamente o velho Simeão dirá a Maria no momento em que Jesus é apresentado no Templo (cf. Lucas 2, 35). O caminho de fé de Abraão abrange o momento de alegria pelo dom do filho Isaac, mas inclusive o momento da obscuridade, quando deve subir ao monte Moriá para cumprir um gesto paradoxal: Deus pede-lhe que sacrifique o filho que lhe tinha acabado de doar. No monte, o anjo ordena-lhe: «Não estendas a tua mão sobre o menino, e não lhe faças nada; agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho» (Génesis 22, 12); a confiança plena de Abraão no Deus fiel às promessas não esmorece nem sequer quando a sua palavra é misteriosa e difícil, quase impossível, de aceitar. É assim que acontece para Maria, pois a sua fé vive a alegria da Anunciação, mas passa inclusive através da obscuridade da crucifixão do seu Filho, para poder chegar até à luz da Ressurreição.
Não é diferente inclusive para o caminho de fé de cada um de nós: encontramos momentos de luz, mas vivemos também outros nos quais Deus parece ausente; o seu silêncio pesa no nosso coração e a sua vontade não corresponde à nossa, àquilo que nós gostaríamos. Mas quanto mais nos abrirmos a Deus, acolhermos o dom da fé, depositarmos totalmente nele a nossa confiança — como Abraão e como Maria — tanto mais Ele nos torna capazes, mediante a sua presença de viver cada situação da vida na paz e na certeza da sua fidelidade e do seu amor. No entanto, isto significa sair de nós mesmos e dos nossos projetos, a fim de que a Palavra de Deus seja a lâmpada orientadora dos nossos pensamentos e das nossas acções.
Gostaria de refletir ainda sobre um aspecto que sobressai das narrações sobre a Infância de Jesus, escritas por são Lucas. Maria e José levam o Filho a Jerusalém, ao Templo, para o apresentar e consagrar ao Senhor, como prescreve a lei de Moisés: «Todo o primogénito varão será consagrado ao Senhor» (cf. Lucas 2, 22-24). Este gesto da Sagrada Família adquire um sentido ainda mais profundo, se o interpretarmos à luz da ciência evangélica de Jesus com doze anos que, depois de três dias de procura, é encontrado no Templo a dialogar com os doutores. Às palavras cheias de preocupação de Maria e José: «Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura», corresponde a resposta misteriosa de Jesus: «Por que me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» (Lucas 2, 48-49). Ou seja, na propriedade do Pai, na casa do Pai, como o é um filho. Maria deve renovar a fé profunda com que disse «sim» na Anunciação; deve aceitar que a precedência seja do verdadeiro Pai de Jesus; deve saber deixar livre aquele Filho que gerou, a fim de que siga a sua missão. E o «sim» de Maria à vontade de Deus, na obediência da fé, repete-se ao longo de toda a sua vida, até ao momento mais difícil da Cruz.
Diante de tudo isto, podemos interrogar-nos: como foi que Maria conseguiu viver este caminho ao lado do Filho, com uma fé tão sólida, também nas obscuridades, sem perder a confiança completa na obra de Deus? Existe uma atitude de fundo que Maria assume perante aquilo que se verifica na sua vida. Na Anunciação, Ela sente-se perturbada ao ouvir as palavras do anjo — trata-se do temor que o homem sente quando é tocado pela proximidade de Deus — mas não é a atitude de quantos têm medo diante daquilo que Deus pode pedir. Maria medita, interroga-se a respeito do significado de tal saudação (cf. Lucas 1, 29). O termo grego utilizado no Evangelho para definir este «meditar» («dielogizeto») evoca a raiz da palavra «diálogo». Isto significa que Maria entra em diálogo íntimo com a Palavra de Deus que lhe foi anunciada, não a considera superficialmente, mas detém-se, deixa-a penetrar na sua mente e no seu coração para compreender aquilo que o Senhor deseja dela, o sentido do anúncio. Outra referência à atitude interior de Maria diante da obra de Deus encontramo-la, ainda no Evangelho de são Lucas, no momento da Natividade de Jesus, depois da adoração dos pastores. Afirma-se que Maria «conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração» (Lucas 2, 19); em grego, o termo é «symballon»; poderíamos dizer que Ela «mantinha unidos», «reunia» no seu coração todos os eventos que lhe estavam a acontecer; colocava cada um dos elementos, cada palavra, cada acontecimento no interior do tudo confrontando-o, conservando-o e reconhecendo que tudo deriva da vontade de Deus. Maria não se limita a uma primeira compreensão superficial daquilo que acontece na sua vida, mas sabe olhar em profundidade, deixa-se interpelar pelos eventos, elabora-os, discerne-os e alcança aquele entendimento que só a fé pode garantir. É a humildade profunda da fé obediente de Maria, que acolhe em si mesma também aquilo que não compreende no agir de Deus, deixando que seja Deus quem abre a sua mente e o seu coração. «Feliz daquela que acreditou que teria cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor» (Lucas 1, 45), exclama a sua prima Isabel. É precisamente pela sua fé, que todas as gerações lhe chamarão ditosa.
Caros amigos, a solenidade do Natal do Senhor, que daqui a pouco celebraremos, convida-nos a viver esta mesma humildade e obediência de fé. A glória de Deus não se manifesta no triunfo e no poder de um rei, não resplandece numa cidade famosa, num palácio luxuoso, mas faz a sua morada no ventre de uma virgem, revela-se na pobreza de um menino. A omnipotência de Deus, também na nossa vida, age com a força, muitas vezes silenciosa, da verdade e do amor. Então, a fé diz-nos que no final o poder indefeso daquele Menino vence o ruído das potências do mundo.

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Papa Bento XVI















Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.5.13 | Sem comentários
— reflexão semanal sobre o credo niceno-constantinopolitano — 

No «Credo niceno-constantinopolitano», depois da referência à Igreja — una, santa, católica e apostólica —, acrescenta-se o tema do Batismo interligando-o com a Igreja e com o perdão dos pecados: «Professo um só batismo para remissão dos pecados». Neste tema dedicamos a nossa atenção apenas à primeira parte da frase: «Professo um só batismo», a «porta de entrada» na vida de fé. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Mateus 28, 16-20; Catecismo da Igreja Católica, números 976-980 e 1213 a 1284] 

«Batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» — é a missão que Jesus Cristo ressuscitado confia aos discípulos, conforme o relato do evangelho segundo Mateus. A presença terrena de Jesus Cristo continua com a presença missionária dos discípulos. São enviados para «fazer» novos discípulos «ensinando-os a cumprir tudo» o que aprenderam com Jesus. Este discipulado concretiza-se na adesão aos ensinamentos de Jesus Cristo e na participação na vida da Trindade através da celebração do Sacramento do Batismo. Com esta referência bíblica confirma-se que desde o tempo dos Apóstolos o Batismo tornou-se essencial para a adesão à fé cristã, juntamente com o acolhimento do Evangelho, a Boa Nova de Jesus Cristo. «Os elementos essenciais do Batismo estão todos aqui: o anúncio de tudo o que Jesus fez e ensinou; o acolhimento do dom, expresso mediante a confissão da fé; a efusão da água em nome da Trindade. Quem recebe o Batismo já não está só: o Deus que é amor acolhe-o e vem habitar no seu coração! Graças a este amor, o batizado é inserido numa companhia de amigos que nunca o abandonará, tanto na vida como na morte: a família de Deus, a Igreja» (Bruno Forte, «Eis o Mistério da Fé: crer, viver, testemunhar», Paulinas Editora, Prior Velho 2012, 30). 

Professo um só batismo. A referência ao Sacramento do Batismo é uma particularidade do «Credo niceno-constantinopolitano» (no «Credo Batismal» e no «Símbolo dos Apóstolos» não há qualquer referência). O termo «batismo» tem origem no verbo grego («baptizein») que significa «mergulhar», «imergir» (cf. Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1214). É a designação mais comum para referir o Sacramento que é «o fundamento de toda a vida cristã» (CIC 1213). Mas também pode ter outras designações, como «banho da regeneração» ou «iluminação» (cf. CIC 1215-1216). São Gregório Nazianzeno descreve-o assim: «O Batismo é o mais belo e magnífico dos dons de Deus [...] Chamamos-lhe dom, graça, unção, iluminação, veste de incorruptibilidade, banho de regeneração, selo e tudo o que há de mais precioso. Dom, porque é conferido àqueles que não trazem nada: graça, porque é dado mesmo aos culpados: batismo, porque o pecado é sepultado nas águas; unção, porque é sagrado e régio (como aqueles que são ungidos); iluminação, porque é luz irradiante; veste, porque cobre a nossa vergonha; banho, porque lava; selo, porque nos guarda e é sinal do senhorio de Deus» (citado pelo CIC, no número 1216). O Sacramento do Batismo é o primeiro Sacramento da Iniciação Cristã. Esta é constituída pelos sacramentos do Batismo, Confirmação e Eucaristia. É a «porta de entrada» na vida da Igreja. «É o sacramento pelo qual os seres humanos se tornam membros do corpo da Igreja, edificados uns com os outros em morada de Deus no Espírito, e em sacerdócio real e povo santo; é também o vínculo sacramental da unidade que existe entre todos os que são assinalados por ele» (Ritual Romano da Celebração do Batismo das Crianças, «Preliminares Gerais», 4). No batismo das crianças, a pergunta inicial feita aos pais — Que pedis à Igreja de Deus...? — pode ter as seguintes resposta: o Batismo; a fé; a graça de Cristo; a entrada na Igreja; a vida eterna. No batismo dos adultos, a pergunta — Que vens pedir à Igreja de Deus? — tem uma única resposta: «a fé»; mas depois à pergunta — Para que te serve a fé? — a resposta pode ser: para alcançar a vida eterna; a graça de Cristo; ser admitido na Igreja. «O Batismo é o sacramento da fé. Mas a fé tem necessidade da comunidade dos crentes. Só na fé da Igreja é que cada um dos fiéis pode crer. A fé que se requer para o Batismo não é uma fé perfeita e amadurecida, mas um princípio chamado a desenvolver-se» (CIC 1253). Professar «um só Batismo» significa «mergulhar no abandono da fé e emergir-se mediante o dom de si mesmo, abrindo as asas do coração à força do vento do Espírito. Só assim nos podemos elevar, podemos subir até Deus» (Dionigi Tettamanzi, «Esta é a nossa fé!», Paulinas, Prior Velho 2005, 130). 

Pelo Sacramento do Batismo todos os pecados são perdoados...
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.2.13 | Sem comentários
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