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VIVER A QUARESMA: QUARTA-FEIRA DA PRIMEIRA SEMANA

Quaresma de fé

Afaste-se cada um do seu mau caminho e das violências que tenha praticado

A nossa fé em Deus «clemente e misericordioso» não significa uma «licença para pecar». Deus perdoa, quando vê as boas obras dos ninivitas e que se tinham convertido dos seus maus caminhos. A conversão é necessária para o perdão. O que não significa que, uma vez convertidos, já estejamos livres de voltar a pecar. > > >

Fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; 

e aqui está quem é maior do que Jonas

É interessante e original apresentar a «pessoa/sinal». Jonas foi um sinal para os ninivitas (com a sua presença e o seu anúncio). Jesus (o Filho do Homem) é-o para os seus contemporâneos, com a sua presença, com a sua palavra e com as suas obras. > > >

Seguir Jesus Cristo

Esta geração é uma geração perversa: pede um sinal

Perdoar é, primeiro, tentar compreender o que está mal e porque é que esse mal foi feito; é, depois, não desejar vingar-se por causa do dano causado; é rezar por que aquele que o cometeu e querer-lhe bem; é iniciar uma reconciliação no diálogo com ele; é deixar claro que não lhe exijo nada e que existe uma amizade, até mesmo um amor para oferecer... Que nível de perdão dado aos outros! > > >

Rezar na Quaresma

Fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas 

e aqui está quem é maior do que Jonas

Ensina-me, Senhor, a perceber os sinais de bondade que puseste na minha vida. Faz-me ver a tua presença terna, mesmo nos momentos mais banais. Ajuda-me a reconhecer o teu amor sem limites. Abre o meu coração à liberdade que me ofereces. > > >


Lavai-me de toda a iniquidade e purificai-me de todas as culpas

Detestamos a sensação de culpa. «A culpa morre sempre solteira». Por vergonha, porque o pecado belisca a nossa auto-imagem… sabe-se lá. Teremos ainda a coragem de sermos honestos e sinceros perante Deus e a nossa consciência? Teremos ainda a esperança de Lhe pedir perdão? > > >

Quaresma, Ano A, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.3.14 | Sem comentários
Nihil Obstat — blogue de Martín Gelabert Ballester

O tema da mensagem quaresmal do Papa é retirado das palavras de São Paulo: Cristo  fez-se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza. Estas palavras não são uma descrição do modo como funciona o perverso sistema capitalista, onde uns poucos enriquecem à custa da pobreza de muitos. Aqui, não se diz que Cristo foi despojado duns bens que tinha ganho, para que outros se aproveitassem do seu trabalho e do seu suor. Tampouco se diz que Cristo era uma pessoa generosa que entregou parte do que tinha e se tornou um pouco mais pobre, para que outros pudessem tornar-se um pouco mais ricos. Aqui, não se trata de tirar a um para que outros tenham. Assim funciona o mundo. Mas a lógica de Deus, refletida em Cristo, é totalmente diferente e, por isso, surpreende.
O que São Paulo diz é que Cristo, sendo rico, voluntariamente fez-se pobre por nós, para que nós enriquecêssemos com a sua pobreza. De que riqueza e de que pobreza se trata? A riqueza de Cristo é o seu «ser de condição divina». Mas, em Cristo, revela-se que o divino é o amor: Deus é Amor. Por isso, também diz São Paulo que Cristo era rico em misericórdia. Assim se explica que, sendo Amor cheio de misericórdia, se despoja da sua condição para se tornar igual ao ser humano. Porque Deus ama a criatura humana, a sua melhor obra, como não se pode amar mais. O autêntico amante quer ser como o amado. Daí que, o Deus amante, em Cristo, despoja-se de tudo o que o separa do seu amado humano para estar ao lado do amado. Este é o sentido do seu tornar-se pobre. E, ao fazer-se pobre por amor, enriqueceu-nos com o seu amor, encheu-nos do seu amor. O amor é a maior riqueza, o que sempre permanece, o que enche a quem o tem.
Se não se tivesse feito pobre, não tinha podido chegar até nós. A sua pobreza é a nossa riqueza. O seu despojar-se da categoria de Deus é a possibilidade que se abre para nós nos podermos tornar divinos. Ser como Deus deixou de ser uma missão impossível, uma vez que, em Cristo, Deus quis ser como o ser humano. Na Cruz, aparece o maior despojamento, mas também o amor maior. Na maior pobreza aparece a maior riqueza, no total despojamento dá-se o máximo ganho. Nesta Quaresma, somos convidados a contemplar este mistério de amor. A contemplá-lo e a deixarmo-nos interpelar por ele, a mudar, como consequência da contemplação. Um modo de comprovar se a mudança é efetiva é solidarizar-nos com os pobres deste mundo, com aqueles com os quais Cristo se identifica. O único modo de ser solidário com todos é fazer-se pobre. A pergunta é: quero identificar-me com Cristo?

© Martín Gelabert Ballester, OP

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Mensagem para a Quaresma, 2014



Nihil obstat - www.laboratoriodafe.net
Martín Gelabert Ballester, frade dominicano, nasceu em Manacor (Ilhas Baleares) e reside em Valencia (Espanha). É autor do blogue «Nihil Obstat» (em espanhol), que trata de questões religiosas, teológicas e eclesiais. Pretende ser um espaço de reflexão e diálogo. O autor dedica o seu tempo à pregação e ao ensino da teologia, especialmente antropologia teológica e teologia fundamental. 
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.3.14 | Sem comentários
VIVER A QUARESMA: TERÇA-FEIRA DA PRIMEIRA SEMANA

Quaresma de fé

A palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, 

sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão

O centro é ocupado pela Palavra. A Palavra que sai da boca de Deus. A palavra do profeta é reconhecida pela expressão bíblica da «boca de Deus». Não se fala de conteúdos; apenas se apresenta a «Palavra». Mas, a Palavra, sabemo-lo, é sinónimo de «vontade de Deus»...: os seus preceitos são também as «suas palavras». > > >

Seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu

A fé e a oração. Orar com fé é orar com confiança. E orar com confiança supõe saber entregar a nossa vida nas mãos de Deus: «como uma criança nos braços da sua mãe» (Salmo 131, 2). A fé na oração não se mostra nos «charlatães», os que se contentam em fazer barulho. Mostram-na os que deixam que Deus lhes fale no silêncio interior. E, nesse mesmo silêncio, aprendem a responder. > > >

Seguir Jesus Cristo

Se perdoardes aos homens as suas faltas, 

também o vosso Pai celeste vos perdoará

Perdoar é, primeiro, tentar compreender o que está mal e porque é que esse mal foi feito; é, depois, não desejar vingar-se por causa do dano causado; é rezar por que aquele que o cometeu e querer-lhe bem; é iniciar uma reconciliação no diálogo com ele; é deixar claro que não lhe exijo nada e que existe uma amizade, até mesmo um amor para oferecer... Que nível de perdão dado aos outros! > > >

Rezar na Quaresma

Rezai assim: Pai nosso...

Bem sei que a oração é uma das estradas obrigatórias para uma Quaresma de qualidade. Mas não é fácil rezar. Talvez o melhor seja mesmo aprender a rezar com Jesus. Como Jesus. > > >


Quando rezares, não digas muitas palavras, como os pagãos...

Senhor, ensina-me a rezar. Ensina-me a só dizer palavras sinceras. Ensina-me a ficar calado para Te poder escutar. > > >

Quaresma, Ano A, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.3.14 | Sem comentários
VIVER A QUARESMA: SEGUNDA-FEIRA DA PRIMEIRA SEMANA

Quaresma de fé

Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo

No texto do Levítico, é importante a «motivação moral», para exortar a um comportamento digno: «sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo». Trata-se, pois, de recuperar «a imagem e semelhança de Deus». «Ser como Deus». Não no sentido da primeira tentação, mas no sentido da graça que o próprio Deus oferece a cada ser humano. > > >

Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes

As advertências são sérias, como séria é a apresentação de Mateus. Trata-se do discernimento final. Ninguém pode dizer, depois de escutar o texto, que este discernimento ou juízo será uma incógnita. Sabemos perfeitamente a matéria desse «exame final»: resumia-o muito bem São João da Cruz: «ao entardecer da vida, sermos examinados pelo amor». > > >

Seguir Jesus Cristo

Em verdade vos digo: 

Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes

«A senhora idosa com quem perdeste o tempo, era eu; o prisioneiro que foste visitar, era eu; o jovem sem abrigo que ajudaste, era eu; a vizinha abandonada que convidaste para usar a tua piscina, era eu; a pessoa que levaste ao hospital, era eu; aqueles e aquelas que beneficiaram da tua presença, dos teus dons, da tua ajuda, era eu... O que tu lhes fizeste, foi a mim que o fizeste» > > >

Rezar na Quaresma

Foi a mim que o fizeste

Podes encontrar Deus na beleza do universo. Podes descobri-Lo na Bíblia ou nos sacramentos. Mas se queres certezas, não hesites: procura-O no pobre, no doente incurável, no emigrante clandestino, nas mulheres vítimas de violência doméstica... > > >


Quando é que te vimos com fome e te demos de comer?

Quero ver o teu rosto, Jesus. Para lá da imagem que faço de Ti, quero saber quem és realmente. Ajuda-me a aceitar que és um Deus próximo, encontrável no concreto do dia-a-dia. > > >

Quaresma, Ano A, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.3.14 | Sem comentários

VIVER A PRIMEIRA SEMANA DA QUARESMA


9 A 15 DE MARÇO — AO RITMO DA LITURGIA


Segunda classe magistral

Na intimidade da Quaresma, Jesus Cristo continua a dar o seu peculiar «curso de catequese» («Mestrado em Jesus Cristo») àqueles que, hoje em dia, queremos ser seus discípulos — lição sobre o núcleo da mensagem (9 a 15 de março): «core business», o miolo da mensagem que tem de ser transmitida pelo discípulo de Jesus Cristo.
Nesta «lição magistral», Jesus Cristo previne-nos para a ratoeira das tentações do «só pão/só glória/só religião» (DOMINGO: «O tentador aproximou-se...»), para nos centrarmos no essencial, nos sinais que temos de mostrar a esta geração que, como todas as gerações, pede um sinal (QUARTA: «Esta geração [...] pede um sinal»): o irmão mais humilde (SEGUNDA: «A Mim o fizestes»); perdoar (TERÇA: «Se não perdoardes [...], também o vosso Pai celeste não vos perdoará»); fazer o bem (QUINTA: «Esta é a Lei e os Profetas»); promover a reconciliação (SEXTA: «Reconcilia-te com o teu adversário»); ser bons em tudo (SÁBADO: «Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito»).

Esta semana, Jesus Cristo encoraja-nos a sintetizar, a entender o núcleo do que vamos transmitir aos nossos contemporâneos. É importantíssimo saber o que é essencial e o que é secundário.

© José Luis Cortés — El ciclo C, Herder Editorial
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Brilhará na escuridão a tua luz
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.3.14 | Sem comentários

A LUZ DA FÉ


A revista «Catequistas», no número 91 (setembro de 2013), apresentou um dossier, da autoria do padre Rui Alberto, sobre a Carta Encíclica do papa Francisco sobre a fé — «Lumen Fidei». Em conformidade com a temática quaresmal proposta pelo «Laboratório da fé» reproduzimos o resumo do primeiro capítulo do referido documento sobre a fé (números 8 a 22).

O primeiro capítulo usa uma citação da Primeira Carta de S. João: «Acreditámos no amor» (1João 4, 16). Este capítulo recupera tudo aquilo que a Bíblia nos diz sobre a fé.
Começando com a figura de Abraão, este capítulo apresenta a fé como o ato de quem escuta um Deus que quer falar connosco. A fé torna-se chamamento a sair do isolamento do nosso eu e a abrirmo-nos a uma vida nova, a uma promessa de futuro e de esperança.
O Deus que nos chama não é desconhecido. É um Deus que é Pai, que está na origem de tudo, que responde aos desejos mais profundos do coração humano. À fé, a resposta a este Deus Pai bondoso, opõe-se a idolatria, um estilo de vida que nos dispersa por mil desejos mas que nos bloqueia à promessa que salva. A fé, pelo contrário, é entrega confiada ao amor misericordioso de Deus, que sempre acolhe e perdoa. É disponibilidade a deixar-se transformar constantemente pelo Deus que nos chama.
A «Lumen Fidei» continua a narrar a fé na história da salvação e dá muita atenção à figura de Jesus. «Todas as linhas do Antigo Testamento se concentram em Cristo: Ele torna-Se o «sim» definitivo a todas as promessas, fundamento último do nosso 'Amen' a Deus» (15).
É em Jesus que se manifesta plenamente quem é Deus. Por isso, todo o tema da fé se joga na maneira como nos colocamos diante da vida, morte e ressurreição de Jesus. É na vida de Jesus, totalmente oferecida para que a humanidade possa reencontrar vida nova e abundante, que Deus Se manifesta em plenitude.
Não é apenas ao olhar para Cristo que cresce a nossa fé. «A fé não só olha para Jesus, mas olha também a partir da perspetiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver» (18). Olhamos Deus com os olhos de Jesus.
O Papa apresenta três significados que o verbo crer tem: «Juntamente com o 'crer que' é verdade o que Jesus nos diz (cf. João 14, 10; 20, 31), João usa mais duas expressões: 'crer a (sinónimo de dar crédito a)' Jesus e 'crer em' Jesus» (18).
A partir dessa experiência intensa de fé, a nossa existência é transformada. Deixamos de ser alguém que olha de longe para Deus e passamos a ser filhos. Damo-nos conta que tudo o que de bom temos na vida nos vem de Deus. E acaba a mentira da nossa autossuficiência. Estando na intimidade de um Deus que é amor, começamos a viver por amor: «Na fé, o 'eu' do crente dilata-se para ser habitado por um Outro, para viver num Outro, e assim a sua vida amplia- se no Amor» (21).
Esta lógica de amor, de comunhão com o outro, faz com que a fé seja necessariamente vivida em Igreja, em relação de amor com todos os outros que fazem a mesma experiência. «A fé tem uma forma necessariamente eclesial, é professada partindo do corpo de Cristo, como comunhão concreta dos crentes. A partir deste lugar eclesial, ela abre o indivíduo cristão a todos os homens» (22).


Refletir... 


  • Os números 8 a 11 descrevem a experiência de fé vivida por Abraão. Lê com calma estes números. Resume numa frase tudo o que de bom a fé trouxe à vida de Abraão.

  • O número 13 detém-se sobre a idolatria. Qual o problema dos ídolos? Identifica ídolos de hoje que provocam os mesmos efeitos negativos que o Papa denuncia.

  • O número 14 apresenta Moisés como mediador. A fé é vivida a partir da mediação de outros que nos abrem ao rosto de Deus. Quais as dificuldades que os nossos catequizandos podem ter com esta dimensão da fé?

  • Lê com atenção os números 15 a 17. Qual o papel da morte de Cristo para a nossa fé? Achas que a catequese que fazemos sublinha adequadamente esta verdade?

  • Os números 19 a 21 apresentam a «salvação pela fé». Segundo o Papa, como é que se nota que a nossa vida é salva, melhorada, pela fé? Como apresentar essa ideia às crianças? E aos adolescentes?
© Rui Alberto



A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Temática quaresmal proposta pelo «Laboratório da fé»

  • Primeiro domingo da Quaresma — apresentação do primeiro capítulo 
  • Segundo domingo da Quaresma — números 8 a 11
  • Terceiro domingo da Quaresma — números 12 a 14
  • Quarto domingo da Quaresma — números 15 a 18 
  • Quinto domingo da Quaresma — números 19 a 21 
  • Sexto domingo da Quaresma — número 22
© Laboratório da fé, 2014

Papa Francisco


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.3.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2009) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado à Quaresma e Páscoa («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Quaresma - Páscoa — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação da Quaresma e dos textos bíblicos propostos na LiturgiaA coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.

Seria impróprio considerar a Quaresma fora da sua relação com a Páscoa. Ela nasceu precisamente com a finalidade de favorecer uma participação mais profunda e mais intensa no mistério pascal de Cristo, centro da fé e da vida do cristão. É a resposta ao convite de Paulo a celebrar a Páscoa «não com o velho fermento, nem com o fermento de malícia e perversidade, mas com pães sem fermento, isto é, na sinceridade e na verdade» (1Coríntios 5, 8). Um mistério tão grande precisa de longa e intensa preparação. Para além de que, desde outros tempos, dias ou anos, nos quais o número quarenta indica um tempo de prova antes de uma vitória final (cf. Génesis 8, 6: a espera de Noé depois do dilúvio; Êxodo 24, 18 e 34, 28: a permanência de Moisés no monte; Josué 5, 6: os quarenta anos de permanência de Israel no deserto; 1Samuel 17, 16: o desafio de Golias a Israel; 1Reis 19, 8: Elias caminha durante quarenta dias; Jonas 3, 4: ainda quarenta dias e Nínive será destruída; etc.), o tempo litúrgico da Quaresma recebe a sua medida de quarenta dias passados por Jesus no deserto antes de começar a Sua missão de evangelização. Uma medida que evidentemente não é só quantitativa, mas também qualitativa: o tempo da prova («tentação») de Jesus remete o discípulo, no momento «penoso» da sua sequela, para a vertente de sofrimento do mistério pascal de Jesus, precisamente a «Paixão» na qual a única possibilidade de ultrapassar a prova consiste em confiar na Palavra de Deus, como o próprio Cristo que responde à tentação da fé com o triplo «a Escritura diz» (Mateus 4, 4.6.10) da Palavra de Deus. Com o seu apelo à conversão, a Quaresma não esgota em si mesma o seu significado e a sua missão, mas torna-se o «tempo exemplar» para todo o ano: ou seja, fornece as linhas de fundo para uma vida cristã que, inspirando-se na Páscoa do Senhor, se coloca em atitude de «conversão permanente».
É preciso muito cuidado, então, para não isolar a Quaresma da Páscoa. Se o mistério pascal é o centro da fé e da vida do cristão, a Quaresma não deve ser entendida simplesmente como um tempo de preparação para a Páscoa. Ela é uma dimensão do Tempo Pascal que no entanto deve ser enquadrada numa perspetiva mais ampla: a dos noventa dias que incluem também os cinquenta dias da Páscoa numa continuidade que abrange preparação, cume, e ainda continuação e aprofundamento. Observa-se, pelo contrário, que a práxis pastoral amiúde gasta muito tempo na preparação (Quaresma), esquecendo quase o seguimento e o aprofundamento (Tempo Pascal). Tempo de Quaresma e Tempo Pascal não são simplesmente dois tempos litúrgicos juntos, mas formam uma unidade litúrgica orgânica, são como as duas vertentes do único mistério celebrado e vivido pela comunidade crente e pelo discípulo do Senhor. Em cada um destes dois tempos acentua-se um dos dois grandes aspetos, necessários e interdependentes, do mistério pascal de morte e ressurreição. Na Quaresma, é evidenciada e vivida a componente «negativa» do mistério pascal, a Paixão, sem todavia esquecer o mistério pascal na sua globalidade. No Tempo Pascal é a outra dimensão, a dimensão positiva da «Ressurreição», da vida nova do Ressuscitado participada aos crentes, que é posta em evidência. Na Quaresma é evidenciado o aspeto da provação e da conversão da existência cristã; no Tempo Pascal é evidenciado o seu carácter pascal e pentecostal.
Enquanto preparação para a celebração da Páscoa, a Quares­ma deve ser considerada um tempo de graça no qual os fiéis, me­diante a escuta mais frequente da Palavra de Deus (porque «não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» é já a mensagem do primeiro domingo), são convidados a redescobrir a sua dignidade de filhos de Deus e a sua libertação efetuada pela Páscoa de Cristo, ou seja, a graça do Batismo (de facto, é mediante o Batismo que somos inseridos no mistério pascal de Cristo e portanto tornados filhos no Filho e libertados da escravidão do pecado). O novo Povo de Deus está a caminho para a Terra Prometida do mundo redimido por Cristo [...].
Toda a vida do cristão é sempre uma caminhada na luz da Páscoa e em direção à luz da Páscoa, por isso requer um dinamismo de conversão permanente: a Quaresma, sinal sacramental da nossa conversão, torna-se momento de referência e de reabastecimento necessário para todas as estações da vida do cristão.

A Liturgia da Palavra

A peculiaridade da Liturgia da Palavra no Tempo de Quaresma é que, junto com a costumada leitura «horizontal» das perícopes bíblicas dominicais (a que liga as leituras no interior de cada uma das celebrações), torna-se possível também uma leitura «vertical», ou seja, que deveria permitir-nos compreender o desenrolar progressivo de uma temática de domingo a domingo.
Os seis domingos do Tempo da Quaresma podem dividir-se em dois grupos, concluídos no último domingo, o Domingo de Ramos, que introduz imediatamente (com os primeiros dias da Semana Santa) nas celebrações pascais. Os primeiros dois domingos, em todos os três ciclos, estão baseados respectivamente nas tentações de Jesus no deserto e na sua Transfiguração. A atenção do crente é portanto endereçada, desde o início do tempo litúrgico, para a consideração das duas vertentes do mistério pascal de Cristo: o da Paixão no primeiro domingo, o da vitória gloriosa no segundo. Os três domingos seguintes, pelo contrário, têm características diversas nos três ciclos. O domingo conclusivo, «Domingo de Ramos da Paixão do Senhor», finalmente, é assinalado como o único domingo do ano em que se faz memória solene da Paixão do Senhor.
[...]
No que diz respeito à primeira leitura notemos a preferência dada aos Livros Históricos do Antigo Testamento, em particular ao Génesis e ao Êxodo, nos primeiros quatro domingos,,e aos Livros Proféticos no quinto. No Domingo de Ramos, depois, lê-se Isaías nos três ciclos. [...]
A primeira leitura [Ano A] foi escolhida com a finalidade de apresentar os momentos mais significativos da História da Salvação do Antigo Testamento. Sucedem-se os episódios da Criação, do chamamento de Abraão, da caminhada do povo no deserto, da escolha de David e do regresso do Povo (expresso em termos de ressurreição) do Exílio. Infelizmente, precisamente por causa da progressão «vertical», não resulta sempre claramente a relação com o Evangelho.

© Mario Chesi | Editora Paulus
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do editor



  • Ano Litúrgico: ano cristão — textos publicados no Laboratório da fé > > >



Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.3.14 | Sem comentários
VIVER O SÁBADO DE CINZAS

Quaresma de fé

Se tirares do meio de ti toda a opressão... 

brilhará na escuridão a tua luz

Deus fala-nos, mas quer uma resposta que «passe» pelo próximo. Restabelecemos a relação com Deus, quando a relação com os outros, especialmente os mais necessitados, é restabelecida no «partilhar o pão». Leia-se no «pão» toda a amplitude do partilhar humano e fraterno. Entendê-lo-emos plenamente quando o próprio Cristo nos disser: «a mim o fizeste»; «a mim o deixaste de fazer». > > >

Eu não vim chamar os justos, 

vim chamar os pecadores, para que se arrependam

A fé que nos faz justos é um chamamento para todos. Chamou-nos a nós, também sendo pecadores. Tem nos pecadores os melhores «candidatos». Entre os pecadores, a fé não «se mancha»; abre sempre caminhos: o arrependimento é o primeiro. > > >

Seguir Jesus Cristo

Eu não vim chamar os justos, 

vim chamar os pecadores, para que se arrependam

«O pecado não existe». Esta frase é dita por muitos à boca cheia. Que pena! Porque se não há pecados, não há pecadores. Então para que é que Jesus veio viver a nossa vida como ser humano? > > >

Rezar na Quaresma

Vim chamar os pecadores, para que se arrependam

Nem quero acreditar! Tu vens à minha procura. Chamas-me pelo nome. Não perdes tempo a censurar-me pelos erros. O teu olhar suave mostra-me que ainda acreditas em mim. > > >


Jesus disse a Mateus: «Segue-Me». 

Ele, deixando tudo, levantou-se e seguiu Jesus

Vivemos dominados pelo medo, pelos cálculos. Obcecados com a segurança, tentando ter toda a vida sob controlo. E por isso nos custa a entender que Jesus faça um convite tão exigente a segui-Lo. > > >

Quaresma, Ano A, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.3.14 | Sem comentários
VIVER A SEXTA-FEIRA DE CINZAS

Quaresma de fé

Jejuais, sim, mas no meio de contendas e discussões 

e dando punhadas sem piedade

A fé tem uma dimensão profética: anuncia e denuncia. A fé é uma ferramenta para o discernimento crente da realidade. Não se desenvolve apenas nas dimensões da intimidade ou privacidade. Confronta também as situações humanas de pobreza e marginalização. > > >

Podem os companheiros do esposo ficar de luto, 

enquanto o esposo estiver com eles?

A fé tem uma dimensão «festiva». A fé não se sofre, rejubila-se. Contra todas as tendências de uma fé «masoquista», proclama-se com força «a alegria da salvação». > > >

Seguir Jesus Cristo

Podem os companheiros do esposo ficar de luto, 

enquanto o esposo estiver com eles?

A Quaresma, mesmo sendo um tempo de penitência, é também um tempo de alegria. A resposta de Jesus aos discípulos de João e aos fariseus diz-nos claramente que Jesus quer que vivamos em alegria, porque ele está connosco. > > >

Rezar na Quaresma

Será este o jejum que me agrada?

É tão estranha esta ideia do jejum. Tão... fora de moda. Fui educado pelos 'media' a consumir como se não houvesse amanhã. E agora, na Quaresma, falam-me de jejum. > > >

O jejum que me agrada não será antes este: 

quebrar as cadeias injustas... repartir o teu pão com o pobre...?

Na tua companhia, Senhor, farei jejum. Ao teu lado, dominarei os meus sentidos. E o teu amor vai abrir o meu coração às necessidades dos outros. E os meus bens, a minha riqueza, será partilhada com quem precisa. > > >

Quaresma, Ano A, Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.3.14 | Sem comentários
VIVER A QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Hoje, começamos a Quaresma

Ou melhor, hoje começamos o grande Tempo de Páscoa da Igreja. Quarenta dias de preparação para a Páscoa; e, depois, cinquenta dias de celebração da Ressurreição do Senhor e da presença salvadora do seu Espírito. É o tempo forte da comunidade cristã. > > >

Primeira classe magistral

O estilo: sobre «a forma de ser» dos discípulos de Jesus Cristo

Rever o nosso estilo de anunciadores de Jesus Cristo é a primeira coisa a fazer, porque também nós, evangelizadores, «entramos pelos olhos». > > >

Ao ritmo da liturgia quaresmal

Quaresma... cinzas

Começamos um tempo litúrgico forte: o ciclo Quaresma-Páscoa. Deve ser uma nova oportunidade para renovar a nossa fé comunitária, e pessoal, para continuar com mais fidelidade a nossa vocação de discípulos de Jesus e de comunicadores do seu Evangelho, hoje. O grande objetivo é que cada crente e a comunidade cristã vivamos na atitude pascal de Jesus Cristo, caminhando para a vida em plenitude que ele nos oferece através da doação pessoal, de atitudes de serviço e não de domínio, de perdão e de reconciliação e nunca de ódio ou de exclusão. > > >

José Tolentino Mendonça

Quando (não) comer é uma oração

Na Quarta-feira [de Cinzas], os católicos começam um tempo de exercícios espirituais a que chamam Quaresma. Começam-no de uma forma, no mínimo, curiosa: com um dia de jejum (que voltam a replicar na Sexta-Feira Santa). Ora, um dado muito objetivo é a urgência de as comunidades católicas reencontrarem o sentido desta prática. [...] O que está em causa no jejum é a possibilidade de nos interrogarmos sobre algo mais fundo: aquilo que nos serve de alimento e a voracidade sonâmbula com que vivemos. > > >

Seguir Jesus Cristo

Oração para todos os dias da Quaresma

Senhor Jesus, eu quero seguir-te. Tu ias pelos caminhos e encontravas as crianças; encaminha-me para as crianças que precisam da minha ajuda. [...]  Senhor Jesus, eu quero seguir-te; coloco a minha mão na tua mão, os meus passos nos teus passos, o meu coração no teu coração. Amén. > > >

Mateus 6, 1-6.16-18

Teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa

Na minha família, a mãe nunca revelava ao pai, quando ele regressava do trabalho, as más ações que nós, os filhos, tínhamos feito durante o dia. Ela resolvia sempre os problemas à medida que surgiam. A chegada do meu pai era um momento de alegria. «O que é que se passou de bom, hoje?» — perguntava ele. E cada um contava as suas boas ações. E, a maior parte das vezes, o meu pai descobria que nem tudo tinha sido perfeito. Dizíamos que ele via através de nós. > > >

Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, 

para serdes vistos por eles

Uma advertência geral: «não praticar as boas obras apenas para ser vistos». As boas obras veem-se. Mas a intenção ao praticá-las não pode ser para que sejam vistas pelos outros. A intenção é sempre agradar a Deus. > > >

Rezar na Quaresma

Quando deres esmola.... quando rezares... quando jejuares...

Hoje começa este teu caminho de renovação. À tua frente, tens quarenta dias para um diálogo mais profundo com o Deus da vida. > > >


Quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta 

e ora a teu Pai em segredo....

Hoje começa este tempo de qualidade para a fé que se chama Quaresma. E começa com um convite à autenticidade. > > >

Preparar-se para a Ressurreição

Perfumar-se

Fomos convidados na Quarta-feira de Cinzas a manifestar o nosso desejo de conversão sem nos sentirmos obrigados a fazer uma cara de enterro! O perfume ocupa um lugar importante nos evangelhos: Marcos diz que onde quer que a boa nova venha a ser proclamada, se contará o gesto desta mulher, que ousou verter sobre a cabeça de Jesus um perfume de grande valor (Marcos 14, 9). Paulo falará do bom odor de Cristo (2Coríntios 2, 15). Então, como fazer? > > >

Quaresma, Ano A, Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.3.14 | Sem comentários

VIVER A QUARTA-FEIRA DE CINZAS


Hoje, começamos a Quaresma

Ou melhor, hoje começamos o grande Tempo de Páscoa da Igreja. Quarenta dias de preparação para a Páscoa; e, depois, cinquenta dias de celebração da Ressurreição do Senhor e da presença salvadora do seu Espírito. É o tempo forte da comunidade cristã.
Há alguns elementos que marcam muito a maneira de viver a Quaresma. Talvez o primeiro seja o facto de a celebrarmos todos os anos. Para muitos, significa que a repetem há já vinte, trinta ou mais vezes. É muito difícil evitar a sensação de rotina, de ver aproximar-se uma coisa já conhecida. Outro aspeto é a carência progressiva, já quase total, de eco social, quando não é o eco por contraste do carnaval; precisamente o tempo que nos convida a superar a superficialidade é anunciado por um estalido de frivolidade.
A Quaresma convida-nos a tomar consciência do que é a fé cristã, em concreto no mundo de hoje. O centro é Jesus Cristo, a sua pessoa e a sua mensagem, o mistério da sua Morte e Ressurreição. O nosso momento histórico de crise, em muitos sentidos, está cheio de perguntas, de sofrimento, de perplexidades. Pois bem, nós acreditamos que também este nosso mundo encontra a luz verdadeira da vida na mensagem de Jesus, no mistério da sua Páscoa. O Evangelho, situando-nos diante da morte e ressurreição de Jesus Cristo, põe-nos a cada um e a cada comunidade diante da própria fidelidade. Não há outro caminho. Tudo o que seja procurar culpas fora de nós são desculpas. O Evangelho de Jesus e o seu processo pessoal até à entrega à morte e à plenitude da ressurreição interpelam-nos a todos e propõe como caminho verdadeiro a conversão pessoal e comunitária segundo o seu Espírito, a nós cristãos, e a todos.
Este é o sentido do «combate» cristão (oração coleta). A Igreja oferece-nos um tempo favorável (segunda leitura), para voltar a colocar cada cristão e cada comunidade — se fosse possível, cada pessoa e cada grupo humano — diante do mistério de Jesus Cristo como caminho verdadeiro, diante da própria vida como a única coisa que temos em mãos. Trata-se não só de fazer um exercício de devoção, mas de progredir na tarefa de aprender a viver.
[...]
A cinza recorda o nosso erro, correndo atrás de tantas coisas que nos enchem o coração e não nos podem dar a vida, mas fazem este mundo agressivo e injusto. Contudo, esta tónica é parcial e precisa de ser completada. Há que colocar em destaque o que tem de ser o objeto da nossa atenção, centro de toda a Quaresma: o Senhor Jesus, a sua vida, a sua morte e ressurreição. [...]
A Quarta-feira de Cinzas é um convite à conversão. Isto é, a reconhecer com espírito arrependido a falta de humanidade em que vivemos, o pecado, para mudar de mentalidade, de perspetiva, de interesses. A cinza há de significar também esta mudança. É evidentemente um desafio a cada pessoa; mas não é um refúgio espiritualista e individual, mas a recordação da grande mensagem cristã: só pela conversão pessoal e pela fé, os seres humanos acolhemos o dom da Vida e entramos no Reino. [...]
Tudo conduz para dar importância ao que a tem: a verdadeira vida no Espírito.

© Gaspar Mora, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Brilhará na escuridão a tua luz
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.3.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


A palavra «Quaresma» tem a sua origem na expressão latina «Quadragesima dies»: o «quadragésimo dia» antes da Páscoa (por associação, passou a designar a totalidade dos quarenta dias que antecedem o início da Páscoa).
Os idiomas latinos usam uma palavra com a mesma raiz para referir o «tempo de preparação» para a Páscoa: «Quaresma» (em português); Quaresima» (em italiano); «Cuaresma» (em espanhol); «Carême» (em francês).
Há outros idiomas que seguem lógicas diferentes, como por exemplo, o inglês e o alemão. 
O inglês associou o «tempo de preparação» para a Páscoa à estação temporal da primavera (ainda que uma parte deste tempo coincida com o inverno; e só acontece no Hemisfério Norte). Neste sentido, a palavra inglesa é «Lent» («Lencter» era um termo arcaico para designar a «primavera»). 
O alemão seguiu uma das características deste tempo: o jejum. Assim, o «tempo de preparação» para a Páscoa é designado como «Fastenzeit», isto é, «tempo de jejum»: Fasten (jejum); Zeit (tempo).

© Laboratório da fé, 2013



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Laboratório da fé celebrada, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.3.14 | Sem comentários

VIVER A SEMANA DAS CINZAS DA QUARESMA


5 A 8 DE MARÇO — AO RITMO DA LITURGIA


Primeira classe magistral

A primeira coisa que Jesus Cristo nos diz é que ter uma vida profundamente cristã não significa ser amargurados (QUARTA: «Quando jejuares, perfuma a cabeça»), nem é incompatível com levar uma vida normal (QUINTA: «A sua cruz todos os dias»); diz-nos que as penitências ou os gestos dramáticos e extraordinários não são necessários. Pelo contrário, é preciso saber conservar uma alegria íntima (SEXTA: «Podem os companheiros do esposo ficar de luto, enquanto o esposo estiver com eles?») que nos ajude a «saber estar» em todos os momentos (SÁBADO: «Comeis e bebeis com os publicanos e os pecadores»).

Rever o nosso estilo de anunciadores de Jesus Cristo é a primeira coisa a fazer, porque também nós, evangelizadores, «entramos pelos olhos».

© José Luis Cortés — El ciclo C, Herder Editorial
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Brilhará na escuridão a tua luz

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.3.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


O Secretariado de Liturgia da diocese do Porto, num artigo do jornal «Voz Portucalense» (26 de fevereiro de 2014) recorda que a Quaresma é um tempo que prepara e conduz à Páscoa; e apresenta «algumas notas para a viver e celebrar validamente»: ter bem claro o objetivo; importa considerar que não há muitas ajudas do exterior para a vivência quaresmal; fazer um grande investimento espiritual e litúrgico na Quaresma e valorizar os sinais; os seis domingos da Quaresma pontuam a caminhada da comunidade.

A Quaresma está à porta. É certamente um tempo litúrgico muito importante. Porquê? Porque nos conduz à Páscoa e para ela – que é muitíssimo mais importante – nos prepara. Aqui deixamos algumas notas para a viver e celebrar validamente:
1. Ter bem claro o objetivo: celebrar de forma autêntica a ressurreição do Senhor. Objetivo com consequências: a) Mudar a nossa vida, de modo a assemelhar-nos mais a Jesus; se isso não acontecer, então a celebração da ressurreição soará a falso. b) Preparar bem e participar na celebração do Tríduo santo da Páscoa, especialmente na Vigília Pascal; se tal não acontecer, então a Quaresma será um caminho que não leva a parte nenhuma. Ambas as consequências (conversão e celebração) são fundamentais para todo o cristão. Sem elas a Quaresma perde a principal razão de ser.
2. Importa considerar que não há muitas ajudas do exterior para a vivência quaresmal: o carnaval tende a prolongar-se; as propostas dos media são evasivas; mesmo com a “crise”, o tempo da Páscoa é absorvido pela indústria do turismo. Estas propostas dispersivas atraem muitos cristãos e desviam­‑nos da riqueza espiritual deste tempo favorável.
3. Dada a importância da celebração da Páscoa, torna-se necessário fazer um grande investimento espiritual e litúrgico na Quaresma e valorizar os sinais. A peregrinação interior a que somos convidados há de levar-nos a evitar tudo quanto nos disperse e nos desvie de contemplar o mistério e de ouvir a voz de Deus. As nossas igrejas deverão, por isso, ser um convite a essa atitude: não estarão adornadas com flores, nem nelas soarão os instrumentos festivos. Talvez um crucifixo ou uma bíblia nos possam chamar a atenção para o essencial: escutar a Palavra e seguir Jesus tomando a cruz de cada dia. Mas o canto não deixa de desempenhar um importante papel neste tempo evidenciando a Palavra e restituindo-lhe a sua força expressiva e impressiva. A Quaresma tem um repertório musical próprio que lhe dá identidade. Neste tempo, deverá dar-se um lugar muito especial ao canto do Salmo responsorial. Iniciar a Quaresma com o canto das ladainhas dos santos, acompanhando a procissão de toda a assembleia para o lugar da celebração, ajudará a perceber que a Quaresma nos põe em movimento comunitário para a casa do Pai. A riqueza da Palavra de Deus exige leitores capazes e bem preparados e a expressividade da ação litúrgica requer acólitos suficientes e competentes, aptos a tornar viva e visível a ação mistérica nela contida.
4. Os seis domingos da Quaresma pontuam a caminhada da comunidade. Os dois primeiros mostram-nos o sentido e a natureza desta nossa peregrinação: Cristo aparece como protagonista, modelo e mestre da Quaresma; os quarenta dias no deserto, a luta que se consumará na cruz, por um lado, e a glória que antecipadamente se revela e que resplandecerá para sempre no corpo do ressuscitado. Luta e glória que mostram o caminho de Jesus entre as oposições dos seus inimigos e a certeza da presença do Pai na sua vida. Este é, pois também, o itinerário da nossa peregrinação: «peregrinando entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus» (Sto. Agostinho). Esta temática é comum a todos os ciclos.
O ciclo A (este ano) apresenta-nos a mensagem luminosa de três encontros de Cristo com os homens que assinalam as etapas do itinerário batismal dos crentes. Como caminho catecumenal (tempo de iluminação e de purificação) estes encontros purificam e iluminam em contacto vivo com a pessoa de Cristo. Como memória do batismo recebido, renovam a consciência do cristão e abrem-na à luz de Cristo que sonda as profundezas do coração e purifica os resíduos necróticos do pecado. A Quaresma prepara para o batismo e para a revitalização da nossa condição de batizados.
O sexto domingo (conhecido por Domingo de Ramos) abre-nos à grande celebração anual da Páscoa do Senhor que terá lugar no Tríduo sacro da sua morte, sepultura e ressurreição (missa vespertina da Ceia do Senhor, celebração da Paixão do Senhor, o sábado do repouso, da contemplação e da oração e o domingo da ressurreição que abre com a solene vigília).

© SDL | Voz Portucalense
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014



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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.3.14 | Sem comentários

VIVER A QUARESMA


5 DE MARÇO A 17 DE ABRIL — AO RITMO DA LITURGIA

O Laboratório da fé apresentou, em 2013, uma caminhada quaresmal inspirada no Ciclo C de Cortés (RD-Herder), tendo como ponto de apoio os textos evangélicos para os dias quaresmais. Neste ano pastoral (2013+14), voltamos a recuperar a proposta com algumas adaptações.

Brilhará na escuridão a tua luz

Ao longo deste ano litúrgico (Ano A) caminhamos iluminados por uma luz, a luz da fé. A temática da luz, apoiada na Carta Encíclica do papa Francisco sobre a fé — «Lumen Fidei», marca o ritmo do nosso itinerário litúrgico e existencial. Por isso, nesta Quaresma queremos que o seguimento de Jesus Cristo e o acolhimento dos seus ensinamentos se transformem em luz capaz de dissipar a escuridão que, muitas vezes, nos envolve para deixar brilhar a luz que nos habita.
Jesus Cristo convida-nos a ir com ele para um lugar tranquilo para receber, através dos seus ensinamentos, um «mestrado em Jesus Cristo», isto é, aprender a viver o Evangelho.
Este mestrado dura quarenta dias (tal como a Quaresma) e consta de sete lições magistrais:
  1. sobre o estilo (5 a 8 de março): classe magistral sobre «a forma de ser» dos discípulos de Jesus Cristo; > > >
  2. sobre o núcleo da mensagem (9 a 15 de março): «core business», o miolo da mensagem que tem de ser transmitida pelo discípulo de Jesus Cristo; > > >
  3. sobre o enfoque (16 a 22 de março): «focus», a pequenez entendida como verdadeira grandeza; > > > 
  4. sobre o trabalho de campo I (23 a 29 de março): «fieldwork», o conhecimento da realidade, a necessidade de perceber os sinais dos tempos para que a nossa ação seja eficaz; > > >
  5. sobre o trabalho de campo II (30 de março a 5 de abril): «fieldwork», o conhecimento de Deus, a necessidade de perceber Deus para que a nossa ação seja profunda; 
  6. sobre a atitude e a técnica do apostolado (6 a 12 de abril): «tools», o perdão e a misericórdia como instrumentos de trabalho; 
  7. sobre as equipas (13 a 17 de abril): «the team», a comunidade como espaço imprescindível para a vivência do Evangelho. 
Tomemos bons apontamentos, porque teremos de fazer um exame final; e porque imediatamente depois da Quaresma (na Páscoa) começam as aulas práticas.

© Laboratório da fé, 2014

Brilhará na escuridão a tua luz

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.3.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2009) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado à Quaresma e Páscoa («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Quaresma - Páscoa — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação da Quaresma e dos textos bíblicos propostos na LiturgiaA coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.

Todos os anos, o período quaresmal tem a finalidade de preparar os cristãos para a Páscoa. A liturgia, com todas as suas propostas festivas e feriais, guia os fiéis para a celebração da Páscoa, e os catecúmenos para os sacramentos da iniciação cristã (Baptismo, Confirmação ou Crisma, e Eucaristia) que celebrarão na Vigília Pascal.
Batismo e Reconciliação ou Penitência são, portanto, as ca­racterísticas que assinalam este período, sobretudo para aqueles que, já redimidos e renovados em Cristo, se dispõem, através do itinerário anual da caminhada penitencial, a renovar a sua adesão ao mistério da morte e da ressurreição do Salvador.
O tempo da Quaresma decorre de Quarta-feira de Cinzas até à Missa de Quinta-Feira Santa, ou da Ceia do Senhor, exclusive. São quarenta dias (os domingos não entram na contagem!) nos quais os fiéis, através da riqueza dos itinerários festivo e ferial, são amparados na sua caminhada por uma riqueza que cada ano é proposta sempre do mesmo modo (exceptuando o lecionário festivo, conquanto se possa utilizar sempre o lecionário do ano A se se quiser renovar ou aprofundar em anos seguidos o itinerário batismal).
Diversamente dos outros períodos, a Quaresma é um espaço de tempo em que a escuta da Palavra é acompanhada por obras que denotam a atitude de conversão: o jejum e a penitência com­pletam tudo o que caracteriza quer o anúncio quer a celebração. E nesta linha não pode esquecer-se o papel das expressões típicas da piedade popular.

Uma riqueza temática com amplos aspetos espirituais e vitais

O percurso ferial oferecido pelo Lecionário é diverso do que apresenta o do Tempo Comum. Com efeito, as leituras são esco­lhidas cada dia «segundo um tema». Quer a primeira leitura, sem­pre unida ao salmo responsorial, quer o Evangelho, proclamam um tema unitário. Com o passar das várias semanas, o fiel tem deste modo diante de si o apelo dos elementos fundamentais da vida cristã, segundo uma riqueza que pode ser assim sintetizada:
- nos dias depois das Cinzas: jejum espiritual; conversão interior; fraternidade;
- na primeira semana: amor do próximo e justiça; conversão; cumprimento da vontade do Pai; oração feita com fé; chamados à santidade;
- na segunda semana: perdão dos pecados; interioridade e valores verdadeiros; anúncio da Paixão;
- na terceira semana: escutar o único Senhor; salvos pela fé; perdoarmos para sermos perdoados; interioridade do culto;
- na quarta semana: a vida de renovação interior e a aliança; incredulidade; tentativas para matarem o Senhor;
- na quinta semana: o poder do Senhor que salva e acolhe os homens na unidade;
- nos dias da Semana Santa: as leituras dos primeiros dias da Semana Santa referem-se ao mistério da Paixão (a unção em Betânia; o anúncio e a efetivação da traição de Judas).
Quando se juntam estes temas notamos a sua riqueza e valor, quer considerados em si mesmos, quer no conjunto do itinerário do inteiro ano litúrgico.
A esta riqueza deve acrescentar-se a da Liturgia das Horas, que a complementa. Aqui a palavra de Deus oferece um percurso que completa o das leituras da celebração eucarística; partindo da ampla leitura do Livro do Êxodo, passa-se à Carta aos Hebreus que guia a «lectio» do fiel orante até à manhã do Sábado Santo. Dos conteúdos do «evangelho da antiga aliança» para o texto «homilético», com o qual o autor da Carta quis fornecer a chave interpretativa do mistério da antiga aliança à luz de Cristo e portanto o fundamento do culto cristão.
[...]
A celebração da Reconciliação, os conteúdos da Liturgia das Horas, as diversas formas penitenciais do jejum juntamente — subordinadamente, é claro — com as formas da piedade familiar, oferecem as dimensões, os conteúdos, os desafios, os auxílios para um «caminho de verdadeira conversão» a que é chamado a percorrer, cada ano, o fiel na Quaresma «sinal sacramental de conversão».

© Manlio Sodi | Editora Paulus
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do editor



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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.3.14 | Sem comentários

BRILHARÁ NA ESCURIDÃO A TUA LUZ


«Ponham-se em maior realce, tanto na Liturgia como na catequese litúrgica, os dois aspetos característicos do tempo quaresmal, que pretende, sobretudo através da recordação ou preparação do Batismo e pela Penitência, preparar os fiéis, que devem ouvir com mais frequência a Palavra de Deus e dar-se à oração com mais insistência, para a celebração do mistério pascal» (Constituição Conciliar sobre a Liturgia — «Sacrosanctum Concilium», 109). A Quaresma não é um tempo «arqueológico» de práticas avulsas, mais ou menos com sentido. A Quaresma é um tempo novo, um tempo dito no presente, que faz mergulhar no mistério pascal de Jesus Cristo. «A celebração do mistério pascal de Cristo é celebração da salvação do ser humano que se faz realidade na morte e ressurreição de Jesus Cristo» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). O acento não se coloca tanto nas práticas ascéticas, mas mais na ação purificadora e santificadora de Jesus Cristo na nossa vida. As dinâmicas penitenciais são úteis na medida em que se tornam sinal da participação na Páscoa de Jesus Cristo, que se há de tornar na nossa própria páscoa.

Quaresma: brilhará na escuridão a tua luz!

«São 40 oportunidades (40 dias) para mudarmos o significado dos hábitos […]. Não pretendemos que a Quaresma seja apenas mais um tempo do calendário litúrgico, mais um tempo de carácter penitencial ou mais um tempo inútil, mas que seja, acima de tudo, um tempo e um teste de conversão progressiva» (Mensagem do Arcebispo de Braga, Dom Jorge Ortiga). Este «teste de conversão» não se esgota no tempo da Quaresma. É um desafio para todo o ano, para toda a vida.
A Quaresma torna-se «o ‘tempo exemplar’ para todo o ano: ou seja, fornece as linhas de fundo para uma vida cristã que, inspirando-se na Páscoa do Senhor, se coloca em atitude de ‘conversão permanente’. É preciso ter muito cuidado, então, para não isolar a Quaresma da Páscoa. […] Toda a vida do cristão é sempre uma caminhada na luz da Páscoa e em direção à luz da Páscoa, por isso requer um dinamismo de conversão permanente: a Quaresma, sinal sacramental da nossa conversão, torna-se momento de referência e de reabastecimento necessário para todas as estações da vida do cristão» (Mario Chesi).
Então, a Quaresma não pode ser vista como um tempo de «trevas» ou «escuridão». Também na Quaresma há uma luz, a luz da fé, que permite ver com mais clarividência o caminho. «A fé desvenda-nos o caminho e acompanha os nossos passos na história. Por isso, se quisermos compreender o que é a fé, temos de explanar o seu percurso, o caminho dos homens crentes» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «A luz da fé» [«Lumen Fidei» — LF], 8), desde o patriarca Abraão até ao apóstolo Paulo, culminando com «a forma eclesial da fé»: «O crente aprende a ver-se a si mesmo a partir da fé que professa. A figura de Cristo é o espelho em que descobre realizada a sua própria imagem. E dado que Cristo abraça em Si mesmo todos os crentes que formam o seu corpo, o cristão compreende-se a si mesmo neste corpo, em relação primordial com Cristo e os irmãos na fé» (LF 22). Ao longo desta Quaresma, percorrendo o primeiro capítulo da Carta Encíclica sobre a fé (números 8 a 22), queremos que se abra para nós um novo modo de ver, que a fé se torne luz para os nossos olhos (cf. LF 22). E com toda a propriedade poderemos dizer que, assim transformados, «brilhará na escuridão a tua luz».

Laboratório da Fé celebrada

Na liturgia, «não celebramos uma mera doutrina teórica, mas o acontecimento concreto da nossa salvação realizada em Jesus Cristo. […] A liturgia é, assim, um lugar privilegiado onde Cristo se torna presente na comunidade cristã e a Quaresma, um tempo privilegiado para meditarmos nos principais momentos da Sua vida pública, que culminou no alto da Cruz. Nesta consciência, gostaria apenas de deixar-vos uma pergunta a ser interiorizada durante este tempo: será que as nossas celebrações convidam realmente a um encontro pessoal e comunitário com Cristo, concretizado num encontro com os mais carenciados? […] Desejo uma boa caminhada quaresmal a todos nós, na certeza de que da Cruz de Cristo radiará uma luz carregada de sentido para as nossas vidas!» (Mensagem do Arcebispo). A Cruz, enquanto parte do mistério pascal, apresenta-se como um sinal luminoso no centro da nossa vida: há de brilhar uma luz capaz de dissipar qualquer tipo de escuridão; serei «envolvido numa luz intensa».

© Laboratório da fé, 2014

Brilhará na escuridão a tua luz

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.3.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


«A Igreja 'distribui todo o mistério de Cristo pelo correr do ano, da Incarnação e Nascimento à Ascensão, ao Pentecostes, à expectativa da feliz esperança e da vinda do Senhor. Com esta recordação dos mistérios da Redenção, a Igreja oferece aos fiéis as riquezas das obras e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar como que presentes a todo o tempo, para que os fiéis, em contacto com eles, se encham de graça da salvação' (SC 102). O Ano Litúrgico constitui o alimento principal e a melhor pedagogia para crescer na incorporação em Cristo. O Ano Litúrgico deve ser o nervo da vida da comunidade» (Programa Pastoral [2013+14] da Arquidiocese de Braga, Portugal).

«O Ano Litúrgico é a sobreposição do percurso do ano normal com os mistérios da vida de Cristo, desde a encarnação até ao regresso glorioso» (YOUCAT 186). Nele recordamos e celebramos os principais acontecimentos da História da Salvação.
É importante recordar que o Ano Litúrgico celebra só e sempre o mistério de Cristo como centro da história salvífica e portanto «o domingo é o centro do tempo cristão, pois ao domingo celebramos a Ressurreição de Cristo, e cada domingo é uma pequena Páscoa» (YOUCAT 187).

Ciclo do Natal

Advento: inicia o Ano Litúrgico; começa quatro domingos antes do Natal e termina no dia 24 de dezembro. É um tempo de verdadeira espera, de alegria e de preparação para receber Jesus. A cor litúrgica é o roxo.
Natal: celebrado no dia 25 de dezembro com muita alegria, pois é a festa do Nascimento do Salvador, a Encarnação do Filho de Deus. Estende-se até a festa do Batismo de Jesus e a sua cor litúrgica é o branco.

Ciclo da Páscoa

Quaresma: começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos, quando começa a Semana Santa. Compreende cinco semanas que nos preparam para a Páscoa, em sintonia com os quarenta anos que o povo de Israel passou no deserto e os quarenta dias em que Jesus foi tentado também no deserto. É um tempo de intenso sacrifício, jejum, esmola, oração, penitência e conversão. A cor litúrgica é o roxo.
O Tríduo Pascal – Quinta-Feira Santa, Sexta-feira Santa e Sábado Santo – conduz ao ponto máximo do Ano Litúrgico: o Domingo da Ressurreição. 
Tempo Pascal: a celebração da Páscoa não se restringe ao Domingo da Ressurreição. Estende-se ao longo de cinquenta dias até à solenidade de Pentecostes, a descida do Espírito Santo. A cor litúrgica é o branco.

Tempo Comum

Entre estes dois grandes ciclos temos o Tempo Comum. É o tempo que nos mostra o amor de Deus pelo ser humano e a Sua presença no mundo, um tempo de esperança e acolhimento da Palavra de Deus. Composto por 34 semanas, é dividido em duas partes: 
1.ª parte: começa após o Batismo de Jesus e acaba na terça-feira antes da Quarta-Feira de Cinzas.
2.ª parte: começa na segunda-feira após o Pentecostes e vai até o sábado anterior ao 1.º domingo do Advento. No último domingo do Tempo Comum, e portanto do Ano Litúrgico, celebramos a solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo. A cor litúrgica é o verde.

Todo o Ano Litúrgico é cadenciado por festas do Senhor, de Maria e dos santos, nas quais a Igreja exalta a graça de Deus, que conduziu a humanidade à salvação.

© YOUCAT | Paulus
© Adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Laboratório da fé celebrada, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.11.13 | Sem comentários
Cantar: nesta quinta semana, cantemos. Através do canto, exprimimos diversos sentimentos: a tristeza e a alegria, a dor e a felicidade.
Comecemos e terminemos cada um dos dias escutando um pouco de música à nossa escolha, uma música ou cânticos que nos voltem para Deus e que possam ajudar-nos a rezar. Não os escutemos com as orelhas distraídas, mas dando atenção à melodia, às palavras, numa verdadeira escuta.
Hoje, é fácil transmitir música pela Internet. Uma forma de viver a Quaresma com os outros, em comunhão com eles. Porque não divulgar estes textos [juntamente com «Preparar o domingo»] e juntar uma música que escolhemos para escutar e até explicar a razão da nossa escolha?
Enfim, temos à nossa disposição um tesouro presente nos Salmos. Os monges cantam-nos ao longo do dia. Existem CD's que nos permitem acompanhar os Salmos, mesmo que não sejamos músicos.

© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa de prévia autorização —



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.3.13 | Sem comentários
— Quinta Semana da Quaresma [no Ciclo C de Cortés (RD-Herder)] —


Jesus ensina a perdoar


O perdão como instrumento principal 

do trabalho evangelizador


Jesus salva uma mulher adúltera do apedrejamento (DOMINGO: «Ninguém te condenou? [...] Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar»). E afirma que não veio para julgar ninguém, mas para ser luz (SEGUNDA: «Eu sou a luz do mundo. Quem me segue [...] terá a luz da vida»). Talvez porque recorde que a sua própria mãe poderia ter sido acusada de adultério (TERÇA: «Antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida»).
Os seus inimigos não aceitam ser tratados como filhos do adultério (QUARTA: «Nós não somos filhos ilegítimos»), uma vez que lhes diz que não sabem quem é o pai deles (QUINTA: «Vós não O conheceis»); com tudo isto, no fim quem corre o risco de ser apedrejado é Jesus (SEXTA: «Agarraram em pedras para apedrejarem Jesus»), pois já estão decididos a matá-lo (SÁBADO: «A partir desse dia, decidiram matar Jesus»). Assim o farão na próxima semana!
Por tudo isto, ficam claras duas atitudes: a de Jesus (e dos seus discípulos), que identificamos com o perdão; e a dos que não são como Jesus, que relacionamos com a violência e a intransigência.
Esta semana falaremos de perdão.

Não nos mandam julgar as pessoas, mas a transmitir-lhes a mensagem da bondade de Deus e do seu Reino. Nesta semana, tentaremos aprender a utilizar o perdão como instrumento do nosso trabalho evangelizador.

© José Luis Cortés — El ciclo C, Herder Editorial 
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.3.13 | Sem comentários
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