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PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO QUARTO

6 DE JULHO DE 2014


Zacarias 9, 9-10

Eis o que diz o Senhor: «Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta. Destruirá os carros de combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra. Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra».



Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro


O texto no seu contexto
. Hoje, aceita-se que o texto profético que conhecemos como «Zacarias» é formados por dois livros: capítulos 1-8 e 9-14. Embora tenham elementos em comum, pois ambos são claramente do tempo pós-exílio, têm diferenças ao nível de conteúdo, estilo e vocabulário. O texto proposto para primeira leitura do décimo quarto domingo (Ano A) pertence ao segundo livro ou «Segundo Zacarias», mantendo o nome do profeta por falta de melhor alternativa. Para muitos comentadores situa-se no domínio grego da Palestina (finais do século IV e inícios do III antes de Cristo). Época onde as tradições antigas de Judá se desenvolve, crescem e adquirem novas perspetivas de futuro.

O texto na história da salvação. Zacarias desenvolve duas tradições próprias de Judá: a centralidade de Sião/Jerusalém na salvação e a figura de um Messias que vem da parte de Deus. Contudo, introduz uma novidade: a chegada de um «rei». De que «rei» se trata? A experiência monárquica de Judá é ambígua. Todos têm a recordação do grande rei David; mas o último descendente carnal da «casa de David» tinha desaparecido com o exílio na Babilónia; além disso, a imagem dos reis assírios, babilónios e, ultimamente, dos reis gregos, os herdeiros dos generais de Alexandre Magno, era temida e detestada pela população. Zacarias surpreende com o seu anúncio: primeiro acrescenta um possessivo «eis o teu Rei»; depois, descreve-o não como um rei forte, violento e poderoso, rodeado de exércitos, com máquinas de guerra... O rei que chega é modesto, montado num jumentinho, quebra os arcos e traz a paz. O «Segundo Zacarias» recolhe e adapta a esperança que anuncia um Messias de paz.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Os textos bíblicos messiânicos trazem uma luz progressiva sobre o mistério de Cristo. Do primitivo messianismo real, à volta de uma linhagem biológica e de uma descendência submetida às misérias humanas (a casa de David), passar-se-á a um messianismo escatológico, anunciado por Deus como a sua intervenção definitiva para inaugurar o Reino da paz. No anúncio do Segundo Zacarias prefigura-se Jesus, Messias de paz.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo décimo quarto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.7.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO QUARTO

6 DE JULHO DE 2014


Zacarias 9, 9-10

Eis o que diz o Senhor: «Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta. Destruirá os carros de combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra. Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra».



Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro


Zacarias é o penúltimo livro da coleção dos doze profetas menores. Agrupa mensagens proféticas pronunciados em épocas diversas. Os fragmentos propostos na primeira leitura do décimo quarto domingo (Ano A) são provavelmente do princípio do século III antes de Cristo, quando os gregos já tinham chegado à Palestina. O profeta fala a Jerusalém e anuncia a restauração do reino de Deus, que começa com o regresso do rei vitorioso. A alegria é imensa. É um rei justo, humilde e pacífico. Este aspeto é fundamental e manifesta-se na cavalgadura. É um jumentinho, um animal humilde, como o que usam os camponeses, em vivo contraste com o arrogante cavalo que é montado pelos militares. Dominará sobre Israel — o antigo reino do norte, no texto chamado Efraim — e Judá — designado pelo nome da capital, Jerusalém — e o seu território se estenderá do mar Morto ao Mediterrâneo, do Eufrates (o Rio) até à torrente do Egito («confins da terra»), dimensão ideal do reino de Israel no tempo de Salomão (1Reis 5, 1.4; Salmo 72, 8). A paz, dom messiânico por excelência — recordemos o poema de Isaías 9, 5, no qual o menino messiânico recebe o título de «príncipe da paz», e Isaías 11, 6, onde os animais que foram sempre inimigos hão de conviver pacificamente guiados por uma criança —, reinará em todo o seu território.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo décimo quarto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.7.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO QUARTO

6 DE JULHO DE 2014


Evangelho segundo Mateus 11, 25-30

Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».



O cansaço do desamor


O Coração de Jesus é o lugar do nosso repouso, sossego para as nossas angústias e consolo nos momentos mais duros. Este descanso não nos paralisa, antes dinamiza a nossa entrega. Não é descanso do que foge às responsabilidades e trabalhos. É descanso para centrar a vida e sentir as mãos que nos acolhem. A situação mais grave que podemos atravessar é a de renunciar a amar por cansaço. Cansados de sermos feridos, de críticas amargas, de diferenças irreconciliáveis, talvez pensemos que o jugo é uma carga demasiado pesada para nós. 
O combate da fé leva-nos a amar sem descanso, procurando descobrir os mistérios do Reino revelados aos simples. Tratemos de carregar o jugo com humildade, para acolher os companheiro do caminho como amigos, sem pensar que somos sábios e inteligentes, confiando que o Espírito está presente antes de nós chegarmos.

© Kamiano
© desenho de Patxi Velasco Fano — texto de Fernando Cordero
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo décimo quarto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.7.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DA SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

29 DE JUNHO DE 2014


Atos dos Apóstolos 12, 1-11

Naqueles dias, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João, e, vendo que tal procedimento agradava aos judeus, mandou prender também Pedro. Era nos dias dos Ázimos. Mandou-o prender e meter na cadeia, entregando-o à guarda de quatro piquetes de quatro soldados cada um, com a intenção de o fazer comparecer perante o povo, depois das festas da Páscoa. Enquanto Pedro era guardado na prisão, a Igreja orava instantemente a Deus por ele. Na noite anterior ao dia em que Herodes pensava fazê-lo comparecer, Pedro dormia entre dois soldados, preso a duas correntes, enquanto as sentinelas, à porta, guardavam a prisão. De repente, apareceu o Anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela da cadeia. O Anjo acordou Pedro, tocando-lhe no ombro, e disse-lhe: «Levanta-te depressa». E as correntes caíram-lhe das mãos. Então o Anjo disse-lhe: «Põe o cinto e calça as sandálias». Ele assim fez. Depois acrescentou: «Envolve-te no teu manto e segue-me». Pedro saiu e foi-o seguindo, sem perceber a realidade do que estava a acontecer por meio do Anjo; julgava que era uma visão. Depois de atravessarem o primeiro e o segundo posto da guarda, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, e a porta abriu-se por si mesma diante deles. Saíram, avançando por uma rua, e subitamente o Anjo desapareceu. Então Pedro, voltando a si, exclamou: «Agora sei realmente que o Senhor enviou o seu Anjo e me libertou das mãos de Herodes e de toda a expectativa do povo judeu».



Agora sei realmente que o Senhor enviou o seu Anjo

e me libertou das mãos de Herodes

A Igreja nasce forte, porque é fruto do poder do Espírito de Deus, apesar de ser perseguida por todo o tipo de inimigos: as autoridades religiosas de Jerusalém; Saulo, zeloso, perseguidor dos seguidores do Ressuscitado; e também as autoridades políticas. Aqui intervém Herodes Agripa I (que era neto de Herodes, o Grande, o da «perseguição aos inocentes»). No ano 41 — recordemos que a Páscoa de Jesus acontece por volta do ano 30 — o imperador Cláudio nomeou-o imperador da Judeia. Este monarca persegue e maltrata a Igreja: Tiago, filho de Zebedeu e irmão mais velho de João, morreu decapitado. Pedro também foi encarcerado.
A ideia era poder apresentá-lo perante o povo judeu quando fosse oportuno para lhe fazer mal. Pedro é libertado milagrosamente da prisão.
A história é transparente: o discípulo é chamado por um mensageiro do Senhor, que, em seguida, o guia para fora da prisão e assim possa continuar a anunciar Jesus Cristo oferecendo o testemunho da sua vida.
O discípulo, como o Mestre, atravessa o caminho sombrio da recusa e da perseguição. Tiago morreu passado pouco tempo; Pedro é amarrado e guardado por soldados e sentinelas.
Neste contexto, a comunidade é fundamental: «a Igreja orava instantemente a Deus por ele». É um testemunho da força que provém da relação confiante das comunidades crentes com Deus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo da solenidade de São Pedro e São Paulo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DO CORPO E SANGUE DE CRISTO

22 DE JUNHO DE 2014


Deuteronómio 8, 2-3.14b-16a

Moisés falou ao povo, dizendo: «Recorda-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, para te atribular e pôr à prova, a fim de conhecer o íntimo do teu coração e verificar se guardarias ou não os seus mandamentos. Atribulou-te e fez-te passar fome, mas deu-te a comer o maná que não conhecias nem teus pais haviam conhecido, para te fazer compreender que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. Não te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, da casa de escravidão, e te conduziu através do imenso e temível deserto, entre serpentes venenosas e escorpiões, terreno árido e sem águas. Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti e, no deserto, te deu a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido».



O homem não vive só de pão, 

mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor


O texto no seu contexto
. O livro do Deuteronómio é o mais «ideológico» do Pentateuco, passe a expressão. É muito provável que faça parte da «história deuteronomista» que, na sua origem, constituía uma unidade literária e teológica anexada ao Pentateuco. Isto faz com que seja, em muitos momentos, uma reflexão «a posteriori» do que se pensava ter sido a travessia do deserto, uma vez que o povo já tinha chegado à terra. Repete com frequência exortações como «escuta» ou «recorda»; só assim o povo viverá; de contrário, encontrará a sua própria ruína. O povo, uma vez estabelecido, viu que a terra dava para viver e até para viver com certa abundância. Os relatos do deserto passaram a ser «histórias dos avós». Moisés recorda ao povo em que consiste a fome, em que consiste o alimento; o que alimenta e o que não alimenta; como Deus sempre velou pelo seu povo; nunca o abandonou.

O texto na história da salvação. A história da salvação passa pela travessia do deserto, lugar de prova e de tentação. Rapidamente o povo protesta e se revolta contra o próprio Deus que lhe tinha dado a liberdade. Deus, de forma pedagógica, envia um alimento suficiente para sobreviver, mas escasso e sem corpo, para entenderem que as suas forças não provêm desse pão do «maná». O povo comeu-o, pôde seguir o seu caminho, mas quando chegou à terra prometida esqueceu-se do maná e de Deus. É verdade que nem só de pão vive o homem; o pão é necessário, é imprescindível, mas o alimento que sacia — que dá plenitude — só pode ser dado por Deus.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A experiência de Israel no deserto, aprendendo a discernir o que alimenta e o que não tem substância, é uma antecipação e um símbolo da condição humana. Precisamos de procurar o verdadeiro alimento; o que sacia o ser humano só se encontra em Deus.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo do Corpo e Sangue de Cristo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DO CORPO E SANGUE DE CRISTO

22 DE JUNHO DE 2014


Deuteronómio 8, 2-3.14b-16a

Moisés falou ao povo, dizendo: «Recorda-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, para te atribular e pôr à prova, a fim de conhecer o íntimo do teu coração e verificar se guardarias ou não os seus mandamentos. Atribulou-te e fez-te passar fome, mas deu-te a comer o maná que não conhecias nem teus pais haviam conhecido, para te fazer compreender que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. Não te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, da casa de escravidão, e te conduziu através do imenso e temível deserto, entre serpentes venenosas e escorpiões, terreno árido e sem águas. Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti e, no deserto, te deu a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido».



Deu-te a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido


O Deuteronómio — o último livro do Pentateuco — é uma reflexão ou um discurso de Moisés ao povo mesmo antes de entrar na Terra Prometida, aonde ele já não chegará. Contém uma síntese da história da salvação e das leis que hão de reger a comunidade do povo de Israel.
No fragmento proposto para primeira leitura da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo (Ano A) é fundamental o verbo «recordar». Não se trata de uma simples evocação de uns factos ocorridos num passado mais ou menos longínquo, mas de tornar presente esse passado como oportunidade de salvação, de encontro com Deus, que ao longo da história nunca deixou de realizar prodígios em favor do seu povo: a saída do Egito, terra de escravidão; a passagem pelo deserto; o dom da água da vida do alimento do maná.
Os mandamentos que o povo de Israel tinha de observar não são como o peso de uma pedra que cai sobre a pessoa crente, mas são a prova e o testemunho da palavra viva de Deus, sempre presente na vida de cada pessoa. Quem observa o mandamento vive em diálogo permanente com Deus, que fala à vida de cada homem e de cada mulher.
É fundamental a referência ao pão, que alimenta o corpo; mas é imprescindível não esquecer que a vida só é possível a partir do diálogo constante com «toda a palavra que sai da boca» de Deus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo do Corpo e Sangue de Cristo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

15 DE JUNHO DE 2014


Êxodo 34, 4b-6.8-9

Naqueles dias, Moisés levantou-se muito cedo e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe ordenara, levando nas mãos as tábuas de pedra. O Senhor desceu na nuvem, ficou junto de Moisés, que invocou o nome do Senhor. O Senhor passou diante de Moisés e proclamou: «O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade». Moisés caiu de joelhos e prostrou-se em adoração. Depois disse: «Se encontrei, Senhor, aceitação a vossos olhos, digne-Se o Senhor caminhar no meio de nós. É certo que se trata de um povo de dura cerviz, mas Vós perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de nós a vossa herança».



O Senhor é um Deus clemente e compassivo


O texto no seu contexto
. O livro do Êxodo é muito complexo na sua composição. Não é fácil seguir de forma coerente as suas diferentes etapas; isto faz com que às vezes os textos parecem desconexos ou pouco delimitados. Do ponto de vista «final», isto é, «canónico», o texto proposto para primeira leitura do domingo da Santíssima Trindade (Ano A) apresenta-nos Moisés e Deus cara a cara no Sinai; é uma revelação de Deus, uma revelação de Moisés e uma revelação do povo. O Senhor (YHWH) toma a iniciativa; é ele que manda Moisés subir, é ele quem se revela, não como um Deus distante, mas próximo do ser humano, um Deus de presença: «ficou junto de Moisés». Diante desta grandeza de Deus, grandeza que é também proximidade ao ser humano, Moisés só pode adorar, inclinar-se, prostrar-se. Moisés adora e intercede pelo seu povo. Por sua vez, o povo revela-se como «de dura cerviz», necessitado de perdão e órfão.

O texto na história da salvação. Como é o Deus bíblico? Como se manifesta? É semelhante a outras divindades que exigem sacrifícios humanos ou se mostram versáteis e caprichosas? O Deus da Bíblia revela-se a si mesmo como «clemente e compassivo»; deixa-se afetar pela intercessão de perdão e pela orfandade do ser humano. A proximidade de Deus não é contrária ao seu mistério que nos ultrapassa; Deus é um Deus próximo, ao mesmo tempo que se não confunde com a criatura; o ser humano deve tributar-lhe adoração e reverência.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A Igreja convida-nos a celebrar, numa única festa, o mistério de Deus que salva. A Escritura faz-nos entrar num mistério de grandeza e de compaixão, Deus santo e próximo, Deus da aliança e da exigência, no qual o ser humano se encontra consigo e com a sua essência.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo da Santíssima Trindade (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA — PENTECOSTES

8 DE JUNHO DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 1-11

Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».



Pentecostes é comunhão


O texto no seu contexto
. Do ponto de vista fenomenológico (História das Religiões), Pentecostes é uma festa judaica e cristã. Em ambos os casos te que ver com «cinquenta dias» (é o que significa Pentecostes em grego). Para os judeus, é a festa das colheitas no início do verão; para os cristãos, marca o dom do Espírito Santo culminando a presença de Jesus entre nós depois das suas aparições pascais. Do ponto de vista da expansão da Igreja, Pentecostes é o início da missão do cristianismo por toda a costa mediterrânea. Os judeus que tinham ido a Jerusalém por causa de uma das três festas de peregrinação (Páscoa, Pentecostes e Tendas) voltam aos seus lugares de origem (multidão de povos e regiões); muitos deles comunicam as novidades de Jerusalém: o acontecimento cristão, a Páscoa e o dom do Espírito.

O texto na história da salvação. Do ponto de vista da Bíblia, tomada a Escritura como uma só Aliança, a única que Deus faz com o ser humano, Pentecostes supõe a oposição a Babel. Em Babel, o pecado provoca a dispersão dos povos (diversidade de línguas); no Pentecostes, o Espírito convoca, congrega, une (apesar de serem de povos distintos, todos se entendem). Pentecostes é comunhão; Babel é desunião. Pentecostes é falar a língua do amor; Babel é falar a língua da oposição. Pentecostes é a unidade na diversidade; Babel é a oposição que leva à rutura. A Igreja só pode buscar um novo Pentecostes; nunca uma nova Babel.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Pentecostes é final de uma etapa e início de outra. Jesus prometeu o seu Espírito; a Igreja acolhe-o e celebra-o. A Igreja começa um novo caminho de evangelização e de presença no meio das pessoas, movida não pelo espírito da concorrência, da oposição e da subjugação, mas sob o espírito do diálogo, da comunhão e e da escuta do Espírito Santo.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo oitavo de Páscoa - Pentecostes (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA — PENTECOSTES

8 DE JUNHO DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 1-11

Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».



Ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas


Estamos perante a narração de uma vida nova: imprevista, surpreendente e irresistível. A história explica-a destacando que se trata de uma realidade prodigiosa: um ruído do céu como um vento impetuoso, um fogo que desce do céu, uma linguagem transformada...
Não é acidental que o nascimento da Igreja, essa grande colheita de pessoas, aconteça nesta data. No Antigo Testamento, Pentecostes assinalava o final das colheitas da primavera. Os israelitas fiéis louvavam a Deus e pediam-lhe a sua graça e generosidade.
Na ascensão de Jesus promete-se por duas vezes a vinda do Espírito. Aqui esta promessa chega ao cumprimento de uma maneira que supera as expectativas dos discípulos mais fiéis. Pentecostes é vida nova para a Igreja e para as pessoas que a formam, através do Espírito de Deus.
Ninguém é excluído desta mostra da graça de Deus. Na Transfiguração, por exemplo, só um pequeno grupo tinha sido testemunha da manifestação de Deus, mas aqui ninguém fica à margem. E um momento mais tarde, a multidão «ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua»; eram pessoas provenientes de todo o mundo da diáspora greco-romana. O que acontece durante o Pentecostes não é uma experiência mística interior, mas uma manifestação do poder de Deus que toca cada pessoa que está presente.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo oitavo de Páscoa - Pentecostes (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SÉTIMO DE PÁSCOA — ASCENSÃO

1 DE JUNHO DE 2014


Atos dos Apóstolos 1, 1-11

No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da qual – disse Ele – Me ouvistes falar. Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?». Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».



Recebereis a força do Espírito Santo


O texto no seu contexto
. Lucas une o evangelho de Jesus («meu primeiro livro») com o nascimento da Igreja (Atos dos Apóstolos). A continuidade está marcada pelo mesmo protagonista: Jesus (anúncio do Reino, Paixão, Ressurreição e, agora, Ascensão). O segundo nexo é o Espírito Santo; primeiro, prometido (Lucas 24, 49) e depois, nos Atos, cumpre-se a promessa (Atos 1, 4); o próprio Espírito presente na vida de Jesus agora move, batiza e envia os apóstolos em missão. O terceiro elemento é Jerusalém: Lucas compreende a vida de Jesus como uma ascensão até Jerusalém, que agora se explica como centro a partir do qual se vai expandir a salvação até aos confins da terra. Para explicar o esquema da «ascensão», São Lucas primeiro usa a voz passiva: «foi elevado ao Céu»; além disso, serve-se de um esquema vertical que coloca a divindade nas alturas. Os apóstolos continuam a pensar na «restauração» de Israel. Por isso, é necessário que o Espírito Santo inaugure e leve por diante este novo tempo salvífico.

O texto na história da salvação. Lucas quer explicitamente que a «ascensão» faça parte do acontecimento salvador de Jesus: é uma sequência completa: reino - paixão - ressurreição - ascensão. Jesus culmina o seu caminho, iniciado com a pregação do reino na Galileia, com a glorificação. Não estamos perante o fracasso de um projeto ou perante a ilusão duns seguidores idealistas. O próprio Deus interveio para glorificar o seu filho.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Os apóstolos não devem empreender a tarefa de uma restauração política ou religiosa de um sistema (seja qual for), mas a sua missão é ser «testemunhas» do ressuscitado. Com este termo conclui o evangelho de Lucas (24, 48) e, com este termo, de novo repetido, começa o livro dos Atos dos Apóstolos (1, 8). Da dramatização lucana da exaltação e glorificação de Jesus nasce a festa litúrgica da Ascensão, que é antecipação da nossa própria glória, unidos a Cristo.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo sétimo de Páscoa - Ascensão (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SÉTIMO DE PÁSCOA — ASCENSÃO

1 DE JUNHO DE 2014


Atos dos Apóstolos 1, 1-11

No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da qual – disse Ele – Me ouvistes falar. Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?». Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».



Elevou-Se à vista deles


Na narração de Lucas da atividade salvadora de Deus em Jesus (evangelho) e no Espírito Santo (Atos dos Apóstolos), a história da ascensão de Jesus marca o fim das aparições aos discípulos depois da ressurreição e o prelúdio do envio do Espírito. A ascensão, na tradição da Igreja, converteu-se na festa da exaltação de Cristo ressuscitado.
A primeira parte da passagem proposta para o dia da Ascensão (Ano A) é uma introdução ao livro dos Atos dos Apóstolos e, portanto, à obra do Espírito de Deus na vida da jovem Igreja e, ao mesmo tempo, ao acontecimento da ascensão, que é descrito de forma mais detalhada, na segunda parte do texto. Contudo, a ênfase fundamental está na vinda do Espírito Santo.
O livro começa com um sumário dos factos que aconteceram ao longo dos quarenta dias seguintes à Páscoa, nos quais o Senhor ressuscitado «apareceu» aos apóstolos.
Os seguidores fiéis hão de permanecer em Jerusalém, porque em breve o Espírito de Deus se tornará presente de uma forma nova. Esta vinda é explicada em termos batismais: «sereis batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias».
Os discípulos estão preocupados com as esperanças, de cariz político, que depositaram no Messias sobre a restauração da monarquia política da casa de David. Jesus desvia a questão e concentra-a na maravilhosa revelação do amor e do poder de Deus que em breve vão contemplar: falamos do despontar da era do Espírito.
Depois, Jesus é elevado acima dos limites dos seus sentidos físicos e «dois homens vestidos de branco», como os que tinham aparecido no sepulcro na manhã de Páscoa, despertaram-nos do assombro em que estavam e prometem-lhes uma segunda vinda de Jesus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo sétimo de Páscoa - Ascensão (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SEXTO DE PÁSCOA

25 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 8, 5-8.14-17

Naqueles dias, Filipe desceu a uma cidade da Samaria e começou a pregar o Messias àquela gente. As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia. De muitos possessos saíam espíritos impuros, soltando enormes gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram curados. E houve muita alegria naquela cidade. Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram dizer que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João. Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos, para que recebessem o Espírito Santo, que ainda não tinha descido sobre eles: só estavam baptizados em nome do Senhor Jesus. Então impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo.



Filipe desceu a uma cidade da Samaria


O texto no seu contexto
. Segundo o esquema geográfico do livro dos Atos dos Apóstolos, o Evangelho estende-se desde Jerusalém (terra de Judá, piedosa e observante do judaísmo) a Antioquia (terra da Síria, terra de pagãos), passando pela Samaria (terra intermédia, habitada por cismáticos do judaísmo). A evangelização desta zona difícil é atribuída pelo autor dos Atos a Filipe, um do grupo dos sete. Embora o motivo da viagem parece ter sido uma perseguição (8, 1), o narrador une-o ao encargo do próprio Jesus para anunciar a mensagem em «Jerusalém, na Judeia, na Samaria e até aos confins da terra» (1, 8). Samaria, considerada apóstata, pagã e infetada de sincretismo, é terra de operações para os evangelistas; ultrapassam-se as fronteiras de Jerusalém, cidade da ortodoxia e do puritanismo. Mas não basta o primeiro anúncio e o batismo em nome do Senhor Jesus; é necessária a imposição das mãos por parte dos apóstolos, através das quais se recebe o Espírito Santo.

O texto na história da salvação. A boa notícia de Jesus ressuscitado não se limita às muralhas de Jerusalém, ultrapassa-as. Pode ser que o motivo seja a perseguição dos cristãos helenistas; Deus escreve direito por linhas tortas. É um facto que a Igreja nasce da missão e vive da missão. Os apóstolos confirmam a missão de Filipe (comunhão) e invocam o Espírito Santo para que seja ele quem leve por diante a vida da Igreja nascente.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A Igreja é missionária ou não é; a missão não é ideologia ou imposição de formas culturais estranhas; a missão nasce, cresce e vive sempre nova pela ação contínua do Espírito Santo.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo sexto de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SEXTO DE PÁSCOA

25 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 8, 5-8.14-17

Naqueles dias, Filipe desceu a uma cidade da Samaria e começou a pregar o Messias àquela gente. As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia. De muitos possessos saíam espíritos impuros, soltando enormes gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram curados. E houve muita alegria naquela cidade. Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram dizer que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João. Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos, para que recebessem o Espírito Santo, que ainda não tinha descido sobre eles: só estavam baptizados em nome do Senhor Jesus. Então impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo.



Impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo


O fragmento proclamado no sexto domingo de Páscoa (Ano A), retirado do livro dos Atos dos Apóstolos, mostra-nos a missão que Filipe realiza na região da Samaria. Recordemos que os samaritanos eram desprezados pelos judeus, embora apareçam de forma muito positiva nos relatos evangélicos (a parábola do bom samaritano ou o diálogo de Jesus com a mulher samaritana). O que os dois discípulos de Emaús usam para explicar quem é Jesus ao desconhecido que faz caminho com eles — «Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo» (Lucas 24, 19) — é o que distingue a tarefa evangelizadora de Filipe: «As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia». A proclamação do Evangelho de Jesus traz salvação — «foram curados» — e alegria às pessoas.
Os apóstolos residentes em Jerusalém enviam dois representantes — Pedro e João — para confirmar que o Espírito de Deus atua efetivamente na Samaria. Aí, impõem as mãos aos samaritanos para mostrar, com um sinal, que o Espírito é o selo que confirma o batismo em nome de Jesus. Na história da Igreja este rito converter-se-á em sacramento da confirmação, embora aqui seja visto como um Pentecostes em miniatura, que sela a fundação da Igreja da Samaria, já que o Espírito, promessa de Jesus, é a alma da comunidade messiânica que é a Igreja.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo sexto de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO QUINTO DE PÁSCOA

18 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 6, 1-7

Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e obedecia à fé também grande número de sacerdotes.



Sete homens de boa reputação


O texto no seu contexto
. Este breve relato é muito importante. Por um lado, reflete as tensões presentes na comunidade entre cristãos procedentes de diversas culturas. O tom de harmonia e unanimidade que reinava nos sumários anteriores do livro dos Atos dos Apóstolos rompem-se agora por causa do conflito entre os cristãos de origem judaica e os gentios (helenistas). As diferenças ultrapassam os assuntos administrativos; são verdadeiras discrepâncias sobre o modo de entender a nova fé e a nova vida. Por outro lado, estamos perante uma notícia verosímil de como desenvolver a primeira missão. Estes sete homens cheios do Espírito Santo serão os que levarão a boa notícia aos não judeus, abrindo o evangelho a outras culturas.

O texto na história da salvação. A salvação de Deus tem uma matriz judaica indispensável. Nasce no povo de Israel e lê como próprias as suas Sagradas Escrituras. Contudo, não se limita aos judeus de raça; o Evangelho não admite costuras estreitas; a tensão de que nos fala os Atos dos Apóstolos é um fiel expoente dos desafios colocados pelas novas formas de ler as Escrituras e de viver em fidelidade ao Ressuscitado para além da matriz e da cultura hebraicas. Estêvão, um dos sete, será um dos personagens mais relevantes neste primeiro momento.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A Igreja viu neste texto a instituição dos diáconos. A Igreja tem um sentido de serviço que está inerente à vivência do Evangelho e à missão entre os mais pobres.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo quinto de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO QUINTO DE PÁSCOA

18 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 6, 1-7

Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e obedecia à fé também grande número de sacerdotes.



Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação


A palavra do Evangelho é uma força poderosa que se dissemina com uma vitalidade incrível, nos primeiros tempos da vida da Igreja, a comunidade reunida pelo Espírito de Deus à volta do Senhor Jesus Ressuscitado.
Contudo, surgem problemas que são inerentes à condição humana. Aqui, a causa é de tipo cultural: os imigrantes de língua grega sentem-se discriminados em relação aos nativos de língua aramaica. Os apóstolos entendem que a causa prioritária a que hão de dedicar os seus esforços é a Palavra — a proclamação do Evangelho de Jesus ressuscitado — e a oração — o diálogo confiado com Deus que proclama a sua glória e canta os seus louvores —. No entanto, o serviço aos necessitados também é importante e não pode ser descurado. Por isso, instituem um ministério dedicado especificamente ao serviço. Será confiado a «sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria». Os apóstolos confiaram-lhes o ministério pela oração e pela imposição das mãos. A Igreja vai descobrindo a sua forma, os ministérios que a constituem, a base para resolver os problemas que vão surgindo, no coração da sua história.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo quinto de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO QUARTO DE PÁSCOA

11 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 14a.36-41

No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?». Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa». Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Baptismo e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.



Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes


Este fragmento contém a introdução e a conclusão do sermão de Pedro, no dia de Pentecostes.
O primeiro anúncio não fala diretamente da ressurreição, embora tenha claramente em mente o acontecimento pascal. É devido à ressurreição que podemos afirmar que o mestre de Nazaré crucificado não é outra vítima duma justiça perversa. Ele é «Senhor e Messias»: é a expressão absolutamente única do amor e da presença de Deus. O acontecimento da Páscoa e as consequências que dele derivam são obra de Deus.
A referência a Jesus como Senhor (Kyrios, em grego) é a afirmação da sua divindade: é a forma como a Bíblia grega — que foi utilizada pelas primeiras comunidades cristãs — traduz o nome inefável do Deus de Israel. A confissão de que Jesus é Senhor é o resultado da ação do Espírito de Deus.
Cristo ou Messias é o ungido de Deus que há de ocupar o trono de David. Assim, dizer que Jesus é «Senhor e Messias» é afirmar que o crucificado, que ressuscitou, é Deus e portador do Reino de Deus.
A resposta à mensagem de Pedro sobre o núcleo do evangelho é formidável. A audiência é convidada a converter-se. Esta conversão é claramente cristológica: há de levar à confissão da divindade e do messianismo de Jesus.
A segunda instrução é que se hão de batizar em nome de Jesus. Aqui o batismo não é só um ato litúrgico, mas também é a ação de se abrir à presença do Espírito de Deus em cada um.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo quarto de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO QUARTO DE PÁSCOA

11 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 14a.36-41

No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?». Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Batismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa». Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Batismo e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.



Juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas


O texto no seu contexto
. O apóstolo mostra, nesta ocasião, um caráter enérgico, pedindo que toda a casa de Israel reconheça Jesus, constituído por Deus como «Messias» e «Senhor». O primeiro título indica com clareza que todas as promessas foram cumpridas, as esperanças realizaram-se e não é preciso esperar outro; o segundo é o título divino conferido a Jesus a partir da sua glorificação; quando o nome de YHWH deixou de se pronunciar foi substituído pelo de «'Adonay», em hebraico, e «Kurios», em grego (Senhor), título que os cristãos tributaram desde o princípio a Jesus, especialmente na liturgia. A resposta da pessoa que adere à nova fé começa com a conversão e com a nova vida do batismo.

O texto na história da salvação. A história do povo judeu é uma história marcada pelo futuro e pela esperança. Olham sempre em frente: «no ano que vem em Jerusalém», «Deus enviará o seu Messias». Este caráter faz dele um povo insatisfeito com a realidade, mas, ao mesmo tempo, com a expetativa e o desejo de que tudo mude segundo o plano de Deus. A Igreja proclama, através de Pedro, que a intervenção de Deus aconteceu em Jesus: não devemos esperar outro. Devemos e podemos viver já o reino anunciado.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A segunda parte do discurso de Pedro completa a anterior (terceiro domingo de Páscoa, Ano A). O cristão confessa Jesus como Senhor e incorpora-se a ele através do batismo. A Igreja nasce no anúncio e no sacramento.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo quarto de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TERCEIRO DE PÁSCOA

4 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 14.22-33

No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Homens da Judeia e vós todos que habitais em Jerusalém, compreendei o que está a acontecer e ouvi as minhas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós destes-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. Diz David a seu respeito: ‘O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção. Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença’. Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».



Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte


O texto no seu contexto
. O autor dos Atos dos Apóstolos apresenta Pedro a pronunciar um discurso, cheio do Espírito Santo, no dia de Pentecostes. Supõe-se que os ouvintes são judeus, pelo que Pedro argumenta com a Escritura, com dois Salmos: o 16 e o 110. Segundo a tradição judaica, David é o autor dos salmos; ao falar na primeira pessoa, será de pensar que se refere a ele. O texto citado diz que «não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção»; contudo — diz Pedro —, nós conhecemos o sepulcro de David. Pedro dá mais um passo argumentando que, na realidade, David fala de forma profética; não se refere a ele, mas a Jesus, que não experimentou a corrupção do sepulcro.

O texto na história da salvação. A missão cristã tem a sua matriz nas escrituras judaicas. Não são dois planos de salvação que Deus tem, mas um só: promessa e cumprimento, antecipação e realização, esboço e obra. Os textos da Antiga Aliança são lidos pelos primeiros cristãos com carácter de pré-anúncio: falam de Jesus, embora de forma velada e incompleta. A salvação de Jesus não nasce do nada, mas foi preparada cuidadosamente pelo seu Pai, Deus.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Lemos, no terceiro domingo de Páscoa (Ano A), a primeira parte do discurso de São Pedro; a segunda lê-se na próxima semana. Pedro é o pescador da Galileia que anuncia, no meio dos judeus de Jerusalém, a salvação trazida por Jesus. Não o faz pelas suas próprias forças, mas impelido pelo Espírito Santo. O Espírito é o verdadeiro motor e artífice da missão da Igreja.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo terceiro de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TERCEIRO DE PÁSCOA

4 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 14.22-33

No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Homens da Judeia e vós todos que habitais em Jerusalém, compreendei o que está a acontecer e ouvi as minhas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós destes-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. Diz David a seu respeito: ‘O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção. Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença’. Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».



Não era possível que ele ficasse sob o domínio da morte


O texto do discurso de Pedro, no dia de Pentecostes, proclamado no terceiro domingo de Páscoa (Ano A), está centrado na ressurreição de Jesus, enfatizada a partir de diferentes ângulos.
Em primeiro lugar é proclamado o núcleo central da fé: Jesus, apesar de ter realizado as obras prodigiosas de Deus, foi assassinado por gente má, mas Deus ressuscitou-o da morte. O contraste é avassalador: Jesus realizou as boas obras de Deus; os que o crucificaram só realizaram más ações. Nada na morte de Jesus foi merecido. Ocorreu apenas como resultado do pecado humano.
Outro facto fundamental é que «Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio». A ressurreição é um facto inevitável: Deus atua soberanamente, como quando dá a ordem da Criação: já que Deus é como é, só podia agir assim.
O fragmento dos Atos dos Apóstolos acentua a contínua atividade de Deus: é Deus quem realiza, através de Jesus, «milagres, prodígios e sinais» e é Deus quem ressuscita Jesus da morte. Jesus não é um simples homem bom nem um super-homem que enganou a morte. Deus é o poder de tudo o que Jesus fez pelos outros e Deus é a força que está por trás da ressurreição.
A Páscoa é a celebração da vulnerabilidade de Deus — que está aberto às necessidades dos seres humanos pecadores — e do poder de Deus que se quis encontrar com os necessitados. A vulnerabilidade de Deus manifesta-se quando Jesus morre «pela mão de gente perversa», mas o poder de Deus torna-se evidente na ressurreição. A vulnerabilidade de Deus é uma consequência da imediata da nossa debilidade e mortalidade — se não fosse assim, Deus seria distante e inatingível —; o seu poder é a nossa salvação.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo terceiro de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.4.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SEGUNDO DE PÁSCOA

27 DE ABRIL DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 42-47

Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, toda a gente se enchia de temor. Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam propriedades e bens e distribuíam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um. Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração, louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava todos os dias o número dos que deviam salvar-se.



Ensino, comunhão, fração do pão, oração


O texto no seu contexto
. O autor dos Atos dos Apóstolos salpica a narração dos primeiros passos da comunidade cristã com vários resumos ou «sumários»: a sua função é fazer uma paragem no relato para tomar consciência de que algo novo está a surgir. A oração comum e a fração do pão, sendo características distintivas desta Igreja nascente, não apresentam dificuldade; problemática é, contudo, a comunhão de bens, que nos indica uma visão ideal da assembleia cristã. Se o «tinham tudo em comum» acontecesse de forma normal e pacífica tal como se narra, não haveria ligar para as sérias e contínuas controvérsias que surgem no seio da comunidade por esse motivo (Atos 5, 4; 6, 1).

O texto na história da salvação. Os sumários não são uma «crónica» da primeira comunidade cristã de Jerusalém, embora tenham, sem dúvida, elementos históricos que não podemos desdenhar. Assumem a característica de «modelo», que possa servir para a Igreja de todos os tempos. Predomina o aspeto de comunhão à volta dos apóstolos, que manifestam a salvação obtida em Cristo. A Igreja, nascida do acontecimento pascal, renovada no Espírito Santo e guiada por ele, é comunidade viva.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A Páscoa não é celebração de uns acontecimentos alheios à nossa vida; a fé no ressuscitado reflete-se no modo de viver: comunhão na fé, na vida diária e na missão.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo segundo de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.4.14 | Sem comentários
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