Mostrar mensagens com a etiqueta Preparar o domingo trigésimo (Ano C). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Preparar o domingo trigésimo (Ano C). Mostrar todas as mensagens

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO


Conta-se que um homem, que ia crescendo na sua vida espiritual, chegou a um momento em que se deu conta de que era santo… Neste mesmo instante, retrocedeu todo o caminho que tinha percorrido e teve que voltar a começar desde o princípio. Quando uma pessoa trabalha intensamente no seu processo de crescimento espiritual, tem que se precaver contra duas ameaças: a primeira é perder a esperança e pensar que nunca vai alcançar a meta. A segunda, não menos perigosa, é pensar que já chegou. As duas situações são igualmente nocivas. Ambas produzem uma paragem no caminho espiritual.
A parábola que Jesus nos conta, no texto proposto para o trigésimo domingo (Ano C), foi dita «para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros». Diz Jesus que «dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano [um cobrador de impostos ao serviço de Roma]. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’». Duas atitudes que representam formas distintas de se apresentar diante de Deus. A primeira, daquele que se sente justificado e seguro; acredita que o seu comportamento corresponde ao plano de Deus; esta pessoa pensa que não precisa de crescer mais; tal como está, merece o prémio para o qual trabalhou intensamente. A segunda, daquele que se sente a caminho, com muitas coisas para melhorar; sente-se necessitado de Deus e da sua graça; sabe-se incompleto, em construção.
A conclusão de Jesus é «este [o cobrador de impostos] desceu justificado para sua casa e o outro [o fariseu] não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». Esta é a lógica do reino de Deus. Uma lógica que contradiz a nossa maneira de pensar. Há que reconhecer que é bom ter consciência dos nossos avanços e recuos; certamente, é saudável saber que nos comportamos bem e que a nossa maneira de agir está de acordo com o plano de Deus. Tudo isto coincide com uma sã auto-estima, tão valorizada recentemente por algumas correntes psicológicas. Mas não podemos esquecer que esta atitude pode-nos levar a perder de vista o que nos falta para avançar no próprio caminho espiritual; por outro lado, pode produzir uma atitude de desprezo por aqueles que, pelo menos aparentemente, estão um pouco mais atrás.
Além disso, se vivemos com verdade, reconhecendo os nossos próprios limites, sabendo que não estamos completos, teremos sempre a alternativa do crescimento; poderemos avançar sempre mais. Quando acolhemos a nossa frágil humanidade, com toda a sua complexidade de luzes e sombras, e temos consciência dos nossos defeitos, começa nesse preciso momento a gerar-se o processo de cura interior. Não há cura que não passe pelo próprio reconhecimento dos limites. Isto supõe manter sempre ativa a esperança para continuar a caminhar, embora sintamos que nos falta muito para chegar ao final do nosso crescimento espiritual. Tão perigoso para a nossa vida é deixar de caminhar, como pensar, antes do tempo, que já chegamos.

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ
© Encuentros com la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



  • Reflexão diária a partir do evangelho > > >



Preparar o domingo trigésimo, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.10.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO


O evangelho continua com o tema da oração, já iniciado no domingo anterior. No texto proposto para o trigésimo domingo (Ano C), Jesus fixa-se em duas atitudes perante a oração; para isso, socorre-se de duas personagens típicas: um fariseu e um publicano. Estes falam-nos de duas formas de dialogar com Deus, de duas maneiras de estabelecer relação com Ele, que necessariamente se traduzem também em duas posturas diante do próximo.
O fariseu personifica a personagem religiosa, cumpridor escrupuloso de cada um dos mandamentos, inclusive entregava dez por cento do que ganhava para obras piedosas. Mas faltava-lhe amar naquilo que fazia, estava demasiado seguro de si mesmo e desprezava os outros. Sentia-se superior aos outros, porque era dos «bons»: «Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens».
Ao contrário, o publicano não é demasiado religioso, pouco cumpridor, dos que «metem a pata na poça» com frequência, inclusive o seu trabalho não é excessivamente honrado. Mas sente-se pecador, necessitado de misericórdia; sabe que a sua vida tem que mudar. A sua oração nasce do coração. Humilha-se, porque se sente indigno diante de Deus.
O narrador comenta que o segundo «desceu justificado para sua casa» e o primeiro não. Que paradoxo!; rompe os nossos esquemas. É que Jesus refere que o publicano pode mudar; o fariseu não; o pecador pode amar, o soberbo não.

© Javier Velasco-Arias

© La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



  • Reflexão diária a partir do evangelho > > >



Preparar o domingo trigésimo, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.10.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO


Evangelho segundo Lucas 18, 9-14

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».



Este [o publicano] desceu justificado para sua casa
e o outro [fariseu] não.

A célebre parábola do fariseu e do publicano, exclusiva de Lucas, serve de complemento à do juiz e da viúva narrada no domingo anterior (vigésimo nono). Ambas oferecem uma reflexão sobre o tema da oração, especialmente sobre a atitude que tem de fazer parte da oração. Se a parábola do domingo passado elogiava o orante que reza com insistência, a deste trigésimo domingo destaca a atitude humilde e sincera na oração.
Lucas (18, 9-14) expõe em forma de parábola uma ideia recorrente em Paulo: ninguém é justo por si mesmo (entenda-se, pela suas obras); todos precisamos de ser justificados pela misericórdia de Deus. Mais ainda, a parábola ensina como o ser humano deixa de ser justo por causa do orgulho e é justificado por Deus na humildade. O texto é composto por uma breve introdução (versículo 9), a oração do fariseu (versículos 10-12), a oração do publicano (versículo 13) e a lição conclusiva (versículo 14).
Na introdução, Lucas descreve os fariseus, sem os nomear explicitamente, com três características: consideram-se justos pelas suas próprias obras; sentem-se seguros de si mesmos diante de Deus; desprezam os outros. Na parábola, a oração do fariseu confirma-o. Diz o texto que, de pé, «orava assim». O texto em grego afirma «orava para si», isto é, extasiado perante a sua própria santidade, porque se considerava justo por mérito próprio. Gaba-se das suas virtudes como se fossem objeto da sua propriedade e desde cima menospreza os outros, que considera miseráveis pecadores, em particular, o publicano. Por seu lado, o publicano não esconde a sua condição. Reconhece-se pecador. Com audácia e pouca arte, balbucia uma oração, enquanto bate no peito, cabisbaixo. A parábola termina com uma frase repetida por Jesus com frequência: «Aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado»; esta referência remete para o «Magnificat».

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



  • Reflexão diária a partir do evangelho > > >



Preparar o domingo trigésimo, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.10.13 | Sem comentários
  • Recentes
  • Arquivo
  • Comentários