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PREPARAR O DOMINGO SEXTO

16 DE FEVEREIRO DE 2014


Ben-Sirá 15, 16-21 (15-20)

Se quiseres, guardarás os mandamentos: ser fiel depende da tua vontade. Deus pôs diante de ti o fogo e a água: estenderás a mão para o que desejares. Diante do homem estão a vida e a morte: o que ele escolher, isso lhe será dado. Porque é grande a sabedoria do Senhor, Ele é forte e poderoso e vê todas as coisas. Seus olhos estão sobre aqueles que O temem, Ele conhece todas as coisas do homem. Não mandou a ninguém fazer o mal, nem deu licença a ninguém de cometer o pecado.



Ser fiel depende da tua vontade


O texto no seu contexto
. A Sagrada Escritura, para o judaísmo, articula-se à volta da Lei, da profecia e da sabedoria. Se é certo que a tradição religiosa de Israel considerou sempre com agrado os ditos dos sábios, foi preciso esperar o aparecimento do helenismo, com a exaltação do saber, para dar início a uma nova etapa. A sabedoria judaica, que até à data se bastava a si mesma, tem de se confrontar, agora, com o saber dos filósofos. O ser humano faz em todas as culturas as mesmas perguntas: Donde vem o mal? Por que ser bom e não mau? Que relação entre a fé em Deus e o nosso comportamento? O texto proposto na primeira leitura do sexto domingo (Ano A), articula-se entre a liberdade do ser humano criado por Deus e a sua possibilidade para agir de forma correta ou distorcida.

O texto na história da salvação. Podemos ir ao início da Bíblia para encontrar uma resposta à pergunta que o ser humano tem inscrita no seu coração. O mal está presente na vida humana, mas de quem é a responsabilidade? Acaso Deus não criou o ser humano frágil e com tendência para o mal? Não é, portanto, o próprio Deus a causa indireta do mal? O Ben-Sirá desculpa Deus, que cria tudo o que é «bom» e coloca em «ordem» o caos inicial (Génesis 1). Deus não é a origem do mal nem do pecado; o ser humano, pela sua parte, criado livre e responsável pelos seus atos, pode escolher conscientemente entre dois contrários, entre o «fogo e a água», entre o bom e o mau; assim, é o próprio que opta entre «a vida e a morte». E mais: Deus, que é «forte e poderoso», detesta o pecado; por isso, não «deu licença a ninguém de cometer o pecado».

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A vida da pessoa crente implica, necessariamente, uma tomada de posição perante Deus e perante os outros. Não somos vítimas de nenhum destino cruel que nos obriga a fazer o que não queremos; somos «livres» para escolher entre o bem e o mal, ao mesmo tempo que somos responsáveis pelo que fazemos. Deus conhece o coração do ser humano; mas nem é a origem do mal, nem se compraz com os nossos erros. Ser crente supõe tomar partido, tomar decisões morais, conforme o que acreditamos.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo sexto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.2.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SEXTO

16 DE FEVEREIRO DE 2014


Ben-Sirá 15, 16-21 (15-20)

Se quiseres, guardarás os mandamentos: ser fiel depende da tua vontade. Deus pôs diante de ti o fogo e a água: estenderás a mão para o que desejares. Diante do homem estão a vida e a morte: o que ele escolher, isso lhe será dado. Porque é grande a sabedoria do Senhor, Ele é forte e poderoso e vê todas as coisas. Seus olhos estão sobre aqueles que O temem, Ele conhece todas as coisas do homem. Não mandou a ninguém fazer o mal, nem deu licença a ninguém de cometer o pecado.



Nem deu licença a ninguém de cometer o pecado


Jesus, filho de Sirá, era um sábio de Jerusalém que viveu num momento perturbado para a fé de Israel: o pensamento grego ia-se introduzindo com força em Israel e a fé tradicional tinha começado a entrar em crise, sobretudo entre as classes dirigentes do país, que se sentiam atraídos por um mundo novo que consideravam mais moderno e sedutor.
Neste fragmento proposto pela primeira leitura do sexto domingo (Ano A), o sábio e o mestre da sabedoria coloca os seus leitores perante uma alternativa: há dois caminhos, «fogo e água», «morte e vida»; cada um tem de decidir qual escolhe.
Há que assinalar um facto fundamental: na fé de Israel o mandamento não é uma regra que se impõe à liberdade humana, mas a possibilidade infinitamente rica de escutar a palavra que vem de Deus, que enche as pessoas de sentido.
Por trás de tudo está a sabedoria do Senhor, que é a que articula a criação como possibilidade de sentido e de liberdade oferecida aos crentes.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo sexto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.2.14 | Sem comentários
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