CELEBRAR O DOMINGO DA EPIFANIA


É Natal, plenamente Natal! Com a Epifania — palavra que significa «manifestação» — o Natal recebe toda a sua plenitude: «os gentios recebem a mesma herança» (segunda leitura). Jesus Cristo não veio à terra apenas para os cristãos, mas para todos os seres humanos, homens e mulheres, para todas as nações, ricas e pobres, como recorda a profecia de Isaías (primeira leitura). Tal é a amplitude do mistério, «uma grande paz até ao fim dos tempos» (salmo): maravilha da salvação oferecida aos que, na noite, sabem levantar os olhos para ver a estrela e decidem pôr-se a caminho (evangelho). Para eles (e para nós), «uma grande alegria»!

«A sua glória te ilumina»
A primeira leitura proposta para o domingo da Epifania, retirada do profeta Isaías, expressa o mistério do dia com uma espécie de pregão: «Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. […] As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora». A luz como sinal de salvação volta a ser o tema dominante. Em estreita sintonia com esta palavra usam-se termos como resplandece, brilha, ilumina, esplendor, aurora.
A terceira parte do livro de Isaías («Terceiro Isaías») serve-se da imagem de Jerusalém, símbolo da presença de Deus, para afirmar que todos os povos hão de ir ao encontro da cidade, o mesmo é dizer, de Deus. Apesar de humilhada ao longo da história (um dos principais exemplos dessa humilhação foi a destruição levada a cabo por Nabucodonosor e o consequente exílio para a Babilónia), agora, com a presença de Deus, Jerusalém atrairá a si todos os povos, todas as religiões, todas as culturas, todas as pessoas. E trazem consigo os seus melhores dons. A cidade de Deus voltará a ser o orgulho dos povos e nela reinará a justiça e a paz; nunca mais haverá noite, pois será iluminada pelo próprio Deus: «A sua glória te ilumina».
No contexto litúrgico, o trecho exprime o sentido da festa: a universalidade da salvação. O centro não é propriamente a cidade em si mesma, mas o facto de nela se manifestar a presença de Deus. A luz de Deus é para todos!
As palavras do profeta, carregadas de esperança, convidam os seus ouvintes a levantar o ânimo e a experimentar a misericórdia de Deus. Hoje, a profecia converte-nos em testemunhas do movimento de Israel da escuridão para a luz; do desespero para a esperança; da consternação para o bem-estar; da violência para a paz; do ódio para o amor.

Neste Ano Santo, Deus quer fazer brilhar a luz da sua misericórdia em cada pessoa. E quer precisar da nossa colaboração comprometida e alegre. Assim, o Natal desafia-nos a gerar amor. Jesus Cristo é Deus connosco, é o amor de Deus presente na nossa carne. O Natal é a revelação da gratuidade e da misericórdia, do amor e da alegria do Evangelho. «Quando dizemos ‘é Natal’ estamos a dizer: Deus disse ao mundo a sua última, mais profunda e formosa palavra numa Palavra feita carne [...]. E esta Palavra significa: eu amo-vos, a ti, mundo, e a vós, seres humanos» (Karl Rahner).

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.16 | Sem comentários
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