CELEBRAR O DIA DE NATAL


Na manhã deste dia, nada fica na mesma: ele corre, o mensageiro da boa nova (primeira leitura), Deus está no meio de nós! É inaudito, inacreditável, como se costuma dizer… Mas sim, hoje, «Deus falou-nos por seu Filho» (segunda leitura), nasceu na nossa humanidade, o «Verbo fez-se carne» (evangelho), luz nas nossas trevas, Filho Primogénito que nos vem dar a conhecer o rosto misericordioso do Pai… Não há palavras suficientes para explicar o mistério. Como dizer a nossa alegria? Como expressar o nosso agradecimento? «Adorem-no todos os Anjos de Deus». E nós? Cantai, aclamai, exultai de alegria, «cantai ai Senhor um cântico novo» (salmo). É Natal: a nossa alegria exprima a nossa fé!

«Traz a boa nova»
No texto proposto para primeira leitura da «Missa do dia» de Natal, o poeta/profeta anuncia o «evangelho» aos exilados. Há um mensageiro que atravessa o deserto com a primeira notícia do resultado da batalha entre Deus e os poderes do Império. O mensageiro traz o evangelho, «traz a boa nova». E qual é essa boa nova? «O teu Deus é Rei». Este facto traz uma vida nova à cidade de Sião, Jerusalém. E até são «belos» os pés do mensageiro, apesar de atravessar os montes.
As sentinelas, debruçadas sobre os muros de Jerusalém destruída, gritam com alegria o que estão a ver: o regresso de Deus. Pelos verbos usados, facilmente se percebe que se trata de uma boa notícia. Gritam de alegria, porque vai acabar o exílio a que tinham sido submitos pelo império babilónico (ao longo de mais de cinquenta anos). Por isso, as sentinelas cantam e dançam de alegria. Até as «ruínas de Jerusalém» são convidadas a exultar de alegria, «porque o Senhor consola o seu povo».Não se trata duma atitude resignada, mas uma intervenção ativa que muda as circunstâncias da comunidade.
Deus «resgata Jerusalém»: a cidade e o povo são objeto privilegiado do amor divino e, por isso, podem viver em liberdade. Ao ver a força do poder de Deus («o seu santo braço»), os impérios inimigos mudarão as suas políticas desumanizadoras. O «nosso Deus» é um Deus que liberta e salva. Compreender isto é, sem dúvida, uma boa nova.

As palavras do «Segundo Isaías» têm um eco especial no nosso coração. O profeta convida a não ceder face à situação de derrota supostamente evidente. Não é salutar promover qualquer tipo de rancor e/ou desilusão. É verdade que o povo se sente abandonado, afastado da sua terra. Mas há sempre uma réstia de esperança! Eis que as promessas messiânicas alcançam o seu cumprimento. Haverá maior alegria?! Não é caso para menos. O anúncio da intervenção salvadora de Deus, em Jerusalém, é antecipação e figura da intervenção definitiva de Deus, em Belém, no nascimento do seu Filho. É um nascimento salvador, que rompe todas as fronteiras, que «traz a boa nova» a todos os desconsolados e cansados deste mundo. Hoje, aos que levantam questões que lhes parecem não ter resposta, é necessário que os cristãos levem a boa nova, sejam discípulos missionários da alegria do Evangelho. Deus está no meio de nós!

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.12.15 | Sem comentários
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