Anunciar a alegria da fé! [2]


«Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos» (EG 1) — afirma o papa Francisco, no primeiro número da Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG — bit.ly/EG_Alegria_Evangelho]. A EG apresenta-se como um texto prioritário nesta que é uma etapa decisiva na tomada de consciência por parte da Igreja da sua missão e dos desafios que lhe são colocados nos tempos atuais.

Uma novidade do papa Francisco

A novidade do documento está profundamente interligada com a novidade que o papa Francisco trouxe ao exercício do seu ministério. O texto está carregado de gestos e palavras nos quais se reconhece (com facilidade) a personalidade do papa Francisco. A EG não é apenas o resultado das «conclusões» da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos realizado entre os dias 7 e 28 de outubro de 2012, sobre «a nova evangelização para a transmissão da fé cristã». Até aqui era um costume do Papa apresentar, em forma de «Exortação Apostólica Pós-Sinodal», a sua reflexão baseada nas propostas sinodais. Ora, a EG vai muito para além dos conteúdos resultantes do Sínodo dos Bispos. É certo que, em vários pontos, o Papa menciona o tema e as «proposições» sinodais (cf. EG 14, 16, 73, 112, 245). Contudo, quis ir mais longe: «Com prazer, aceitei o convite dos Padres sinodais para redigir esta Exortação. Para o efeito, recolho a riqueza dos trabalhos do Sínodo; consultei também várias pessoas e pretendo, além disso, exprimir as preocupações que me movem neste momento concreto da obra evangelizadora da Igreja. Os temas relacionados com a evangelização no mundo atual, que se poderiam desenvolver aqui, são inumeráveis. Mas renunciei a tratar detalhadamente esta multiplicidade de questões que devem ser objeto de estudo e aprofundamento cuidadoso. [...] Aqui escolhi propor algumas diretrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo». [...] Ajudam a delinear um preciso estilo evangelizador, que convido a assumir em qualquer atividade que se realize» (EG 16-18).

Um documento programático

A EG é oferecida como um texto programático: traça as linhas de rumo para a «nova primavera» que o papa Francisco quer fazer acontecer na Igreja e no mundo. A EG é um texto programático, isto é, tem como intenção renovar todos os aspetos da vida e levar os cristãos e as comunidades a assumir um renovado compromisso missionário. «Não ignoro que hoje os documentos não suscitam o mesmo interesse que noutras épocas, acabando rapidamente esquecidos. Apesar disso sublinho que, aquilo que pretendo deixar expresso aqui, possui um significado programático e tem consequências importantes. Espero que todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necessários para avançar no caminho duma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão. Neste momento, não nos serve uma ‘simples administração’. Constituamo-nos em ‘estado permanente de missão’, em todas as regiões da terra» (EG 25).

Uma verdadeira exortação

A EG é uma verdadeira exortação. Sem excluir a reflexão e a argumentação, usa uma linguagem clara que demonstra o estilo simples e próximo do Papa. Não tem como finalidade transmitir «um tratado» (EG 18) ou uma doutrina. Pretende, isso sim, comunicar uma profunda convicção pessoal que brota da sua própria experiência vivencial (e não de conceitos teóricos). E, por isso, pretende também suscitar nos leitores tal experiência que os leve à mesma convicção e a viver em conformidade. A convicção que o papa Francisco transmite é que «a Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria» (EG 1). A EG faz lembrar a alegria com que o papa João XXIII, no dia 11 de outubro de 1962, procedeu ao início do II Concílio do Vaticano: «Alegra-se a Santa Mãe Igreja, porque, por singular dom da Providência divina, amanheceu o dia tão ansiosamente esperado em que solenemente se inaugura o II Concílio Ecuménico do Vaticano» (http://bit.ly/Abertura_IIConcilioVaticano).

A EG é um texto programático, uma exortação a uma «nova etapa evangelizadora». Interrogo-me sobre o meu estado de disponibilidade para tornar possível esta nova etapa: recetivo, desconfiado, indiferente, indisponível?

© Laboratório da fé, 2015 








Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.10.15 | Sem comentários
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