CELEBRAR O DOMINGO VIGÉSIMO OITAVO


No vigésimo oitavo domingo (Ano B), o evangelho oferece-nos um diálogo de Jesus Cristo com um homem faminto por alcançar a vida eterna. Ocasião para Jesus Cristo recordar as condições para o seguir. Ocasião para lançar um alerta sobre os perigos das riquezas que obstruem o coração e ensombram o olhar (evangelho). O apelo a vender tudo para dar aos pobres pode-nos parecer demasiado radical, pelo que somos livres de rejeitar tal palavra «viva e eficaz» (segunda leitura)… Mas se temos fé, saberemos implorar a sabedoria (primeira leitura), sentiremos fome da bondade divina (salmo): só Deus nos pode saciar com o essencial, com a sabedoria de coração, e, assim, exultarmos de alegria.

«O seu brilho jamais se extingue»
O livro da Sabedoria recebe esse nome, precisamente, por se tratar de uma ponte entre as propostas do mundo helénico (influência grega) e as provenientes do judaísmo. Os gregos propõem um «amor» ao conhecimento, à reflexão, à compreensão da natureza, à meditação sobre os comportamentos humanos. São os pais da «filosofia», que se expande na ética, na política, na metafísica, na epistemologia. O judaísmo não é alheio a essa reflexão e a esse «amor» ao conhecimento, mas concebe-os a partir da relação com o Deus da Aliança que acompanha o povo no desenrolar da história. São duas formas diferentes, necessárias e não excludentes, de aproximação à verdade.
O poema proposto para primeira leitura (provavelmente, escrito no primeiro século antes de Cristo) identifica a aproximação à verdade com a «prudência», que podemos traduzir também como «sensatez», «bom senso»; mas sempre em união com a fé (oração), pois não é uma conquista humana, mas dom de Deus.
Qualquer pessoa que vive com critério sabe que o poder («cetros e tronos») é passageiro e passível de atraiçoar o sentido da vida; tal como as riquezas (pedras preciosas, ouro e prata) e a beleza. Surpreende o facto de colocar a sabedoria até acima da saúde!
A sabedoria é superior aos bens da terra, é superior às coisas preciosas e desejadas pelos humanos (poder, riqueza, saúde, beleza). Todos esses bens comparados com a sabedoria tornam-se insignificantes (nada, pouco de areia, lodo). A sabedoria vale mais do que a luz para a visão, porque os olhos iluminados guiam apenas os passos, enquanto que a sabedoria guia a totalidade da vida: «o seu brilho jamais se extingue».

O que pedimos na oração? Importa refletir sobre o ponto de partida que assumimos na hora de focalizar a nossa vida (cristã): partimos do «comum», daquilo que é preferido pela maioria da sociedade, ou partimos da palavra de Deus (Evangelho)? Para o cristão, a chave de leitura da vida e os critérios para o discernimento estão na palavra de Deus. Uma palavra que é «viva e eficaz», quando permitimos que ela penetre a nossa inteligência e coração, pois não se trata de uma teoria, de uma vago pensamento ou sentimento, mas de uma intervenção direta no agir, no estilo de vida. A palavra de Deus é a sabedoria mais valiosa do que qualquer outro bem!

© Laboratório da fé, 2015


Celebrar o domingo vigésimo oitavo (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.10.15 | Sem comentários
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