Gaudium et Spes — Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual [5]


O quarto e último capítulo da primeira parte da GS aborda a compreensão do Concílio sobre «a função da Igreja no mundo atual»: apresenta-se como serva do mundo, a exemplo de Jesus Cristo. «No presente capítulo, pressupondo tudo o que o Concílio já declarou acerca do mistério da Igreja, considerar-se-á a mesma Igreja enquanto existe neste mundo e com ele vive e atua». Embora convicta do seu fim «salvador e escatológico», a Igreja de Jesus Cristo neste mundo, organizada como sociedade, é uma comunidade visível que deseja caminhar com a humanidade e ajudar, através dos seus ensinamentos, a tornar a família humana mais fraterna e solidária (GS 40).

A Igreja ajuda o ser humano

A Igreja entende que, apesar do desenvolvimento humano e da afirmação dos seus direitos, os quais não só proclama como apoia os que os promovem, existe para ajudar o ser humano na busca pelo «significado da sua vida, da sua atividade e da sua morte». Neste auxílio prestado ao ser humano, destaca-se o Evangelho de Jesus Cristo, pois «nenhuma lei humana pode salvaguardar tão perfeitamente a dignidade pessoal e a liberdade do homem como o Evangelho de Cristo, confiado à Igreja» (GS 41).

A Igreja ajuda a sociedade

A Igreja sabe que a missão que lhe foi confiada por Jesus Cristo não é de ordem política, económica ou social, mas de ordem religiosa. «Mas desta mesma missão religiosa deriva um encargo, uma luz e uma energia que podem servir para o estabelecimento e consolidação da comunidade humana segundo a lei divina». Por isso, coloca-se ao serviço da humanidade como promotora, orientadora e colaboradora das instituições, pessoas e associações que procuram preservar a dignidade e bem estar de todos, nomeadamente no apoio aos mais necessitados (GS 42).

A Igreja ajuda a atividade humana

Sem esquecer o papel dos bispos e dos presbíteros, o principal destaque está na afirmação de que a Igreja se faz presente no mundo através da ação dos leigos que conscientemente assumem a sua vocação de serviço no mundo como um serviço religioso. Assim, para a Igreja não pode existir oposição entre a fé professada e a vida quotidiana. «Este divórcio entre a fé que professam e o comportamento quotidiano de muitos deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo». Cabe, pois, aos leigos, evangelizar onde exercem as suas atividades. Porque «o cristão que descuida os seus deveres temporais, falta aos seus deveres para com o próximo e até para com o próprio Deus, e põe em risco a sua salvação eterna». Assim, são testemunhas de Jesus Cristo exercendo no mundo a sua função como membros da Igreja. Quanto aos bispos e presbíteros, além do testemunho que lhes compete nos vários âmbitos da sua missão específica, ressalta-se a importância de anunciarem a mensagem cristã «de tal maneira que todas as atividades terrenas dos fiéis sejam penetradas pela luz do Evangelho. Lembrem-se, além disso, os pastores que, com o seu comportamento e solicitude quotidianos, manifestam ao mundo o rosto da Igreja com base no qual os seres humanos julgam da força e da verdade da mensagem cristã. [...] tornem-se capazes de tomar parte no diálogo com o mundo» (GS 43).

A Igreja recebe a ajuda do mundo

A Igreja não ignora o contributo que recebe «da história e evolução do género humano [...]. Ela aprendeu, desde os começos da sua história, a formular a mensagem de Cristo por meio dos conceitos e línguas dos diversos povos [...]. Tudo isto com o fim de adaptar o Evangelho à capacidade de compreensão de todos e às exigências dos sábios. Esta maneira adaptada de pregar a palavra revelada deve permanecer a lei de toda a evangelização». Por isso, para continuar a sua missão e manter a sua mensagem sempre atual, a Igreja necessita «da ajuda daqueles que, vivendo no mundo, conhecem bem o espírito e conteúdo das várias instituições e disciplinas, sejam eles crentes ou não. É dever de todo o Povo de Deus e sobretudo dos pastores e teólogos, com a ajuda do Espírito Santo, saber ouvir, discernir e interpretar as várias linguagens do nosso tempo, e julgá-las à luz da palavra de Deus, de modo que a verdade revelada possa ser cada vez mais intimamente percebida, melhor compreendida e apresentada de um modo conveniente» (GS 44).

Jesus Cristo, Alfa e Ómega

O bem que a Igreja presta ao mundo deriva do facto de ser «sacramento universal da salvação». Pela Igreja, «o próprio Senhor o diz: ‘Eis que venho em breve, trazendo comigo a minha recompensa, para dar a cada um segundo as suas obras. Eu sou o alfa e o ómega, o primeiro e o último, o começo e o fim’» (GS 45).

Este texto foi elaborado a partir das «fichas» apresentadas pelo «Ambiente Virtual de Formação» da Arquidiocese de Campinas, Brasil — www.ambientevirtual.org.br —

© Laboratório da fé, 2015

II Concílio do Vaticano, no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.10.15 | Sem comentários
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