CELEBRAR O DOMINGO VIGÉSIMO PRIMEIRO


O vigésimo primeiro domingo (Ano B) apresenta, na Liturgia da Palavra, o fim do ciclo dos trechos relativos à Carta de Paulo aos Efésios e ao evangelho segundo João. O extrato da segunda leitura é escutado em muitas celebrações do Sacramento do Matrimónio: trata da união indissolúvel entre Jesus Cristo e a Igreja com a qual se compara a união indissolúvel entre o marido e a esposa. Quanto ao evangelho, ficamos a conhecer a reação dos ouvintes às palavras de Jesus Cristo sobre o Pão da Vida. Muitos consideram-nas «duras». Pedro, porém, em nome dos Doze, afirma que são «palavras de vida eterna». É inseridos nesta profissão de fé que somos convidados a repetir, como descreve a primeira leitura sobre o povo da Antiga Aliança, a mesma disponibilidade para «servir» o nosso Deus. Por isso, o salmo volta a lembrar-nos o quanto é bom saborear a presença de Deus!

«Queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus»
O fragmento do livro de Josué, conhecido como «assembleia de Siquém», remete para um momento novo da vida do povo de Israel. É um acontecimento singular na história bíblica!
Deus tinha libertado o povo da escravidão do Egito; havia-lhe dado Moisés como guia, tendo este desempenhado, ao mesmo tempo, o papel de mediador entre Deus e o povo; tinha-lhe entregue a Lei como expressão da eleição entre todos os povos da terra.
Ora, depois da saída do Egito, o povo teve de viver durante quarenta anos no deserto, o qual também foi lugar de conflito e de tentação. Moisés morreu às portas da Terra Prometida, sem que a tenha chegado a pisar.
Josué, sucessor de Moisés, orientou o povo aquando da entrada e da instalação na terra que Deus prometera dar aos sucessores de Abraão. Agora que o povo se instalou, Josué reune as tribos de Israel e pede-lhes que decidam a qual deus querem adorar: «se os deuses que os vossos pais serviram no outro lado do rio, se os deuses dos amorreus em cuja terra habitais». Contudo, Josué avisa: «Eu e a minha família serviremos o Senhor».
O povo de Israel é consequência de um longo percurso de pactos, decisões, alianças e ruturas entre as tribos. A opção colocada por Josué torna-se um apoio unânime à sua causa, longe de ser um motivo de secessão, de rutura definitiva. Todas as tribos se unem para afirmar que querem continuar a ser fiéis ao Deus da liberdade, o Deus que as fez sair do Egito, as acompanhou e protegeu até ao momento: «Queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus».

O Deus bíblico, o nosso, é um Deus de pessoas livres, às quais até dá a escolher se o querem adorar ou não. A fé exige tomada de decisões, arriscadas às vezes, mas necessárias. Hoje, também temos de escolher se queremos ou não «servir» a Deus. E a saber descrever a ação divina com todo o tipo de detalhes, tal como conta o salmo trinta e três que rezamos (e cantamos) nos últimos domingos. Trata-se de uma eleição que se aprende a saborear! «Deus saboreia-se, Deus é sabor» (J. Tolentino Mendonça, A mística do instante, ed. Paulinas). Saborear Deus — eis a fé!

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo vigésimo primeiro (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.8.15 | Sem comentários
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