CELEBRAR O DOMINGO DÉCIMO QUINTO


Não é fácil ser mensageiro do Evangelho! Na continuação do domingo passado, a palavra de Deus proposta para o décimo quinto domingo (Ano B) dá-nos exemplos concretos sobre a difícil condição dos «enviados»: Amós tem de deixar o seu trabalho de pastor porque Deus quer fazer dele um profeta para enfrentar os poderes instalados (primeira leitura); os Doze, que Jesus Cristo envia em missão, são alertados para prováveis hostilidades (evangelho). Mas nada pode deter, no anúncio do Reino, aqueles que Deus «abençoou… escolheu… predestinou» (segunda leitura). Então, escutemos o que Deus nos diz (salmo), a nós, sua Igreja, seu povo, mas também a todos os homens e mulheres a quem mostra todo o seu amor e misericórdia.

«Vai profetizar ao meu povo»
Amós é o profeta escritor mais antigo da Bíblia. Em meados do século oitavo (antes de Cristo), em tempos de convulsão, recebe o encargo de ir pregar ao reino de Israel, a norte, apesar de ser proveniente do sul, das terras de Judá. E vai revelar-se um profeta com uma força singular: preocupa-se com os pobres e reprova o comportamento dos ricos e poderosos. Ora, esta postura, ontem como hoje, envolve sempre grandes riscos.
Amós apresenta-se no santuário real de Betel para denunciar a iniquidade dos poderosos e a insensibilidade face às necessidades dos pobres. O discurso não agrada ao sacerdote Amasias, que lhe diz: «Vai-te daqui, vidente».
Eram frequentes, nesse tempo, os profetas «profissionais», isto é, pessoas que exerciam a profecia como uma profissão reconhecida socialmente e com os correspondentes benefícios económicos. Nos vários templos e santuários do reino do Norte (também designado como reino de Israel), havia pessoas que «ganhavam o pão» dizendo-se profetas em nome de Deus. Um desses santuários era o de Betel, cujo responsável era o sacerdote Amasias. O sacerdote pensa que aquele homem, que anuncia desgraças, se trata de um profeta por conta própria. Amós responde-lhe: «Eu não era profeta, nem filho de profeta». Amós era um pastor, um camponês, que foi chamado e enviado por Deus: «Vai profetizar ao meu povo» (de Israel, o povo de Deus).

Há uma frescura nas vocações verdadeiras que lhes dá força para não se atemorizarem face às ameaças dos poderes que se sentem incomodados pelas suas palavras e ações. Porque o «vocacionado» não fala nem atua em nome próprio: «Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho e me disse: ‘Vai profetizar ao meu povo de Israel’»; «Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois». Então, se queremos manter a frescura da nossa vocação cristã temos de assumir que esta é a hora da missão, hora de nos pormos a caminho, de deixarmos o nosso lugar de conforto, para nos tornarmos uma «Igreja em saída», uma Igreja como «hospital de campanha» composta por homens e mulheres dispostos a «sujar as mãos». É a frescura que o Papa Francisco não se cansa de propor: «Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo» (cf. EG 27): costumes, estilos, horários, linguagem.

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo décimo quinto (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.7.15 | Sem comentários
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