Viver a fé! [42]


A conclusão do Compêndio da Doutrina Social da Igreja propõe uma meta: caminharmos «para uma civilização do amor». Esta última proposta desenvolve-se nas seguintes alíneas: «a ajuda da Igreja ao homem contemporâneo» (números 575 e 576); «voltar a partir da fé em Cristo» (577); «uma firme esperança» (578 e 579); «construir a ‘civilização do amor’» (580 a 583).

A ajuda da Igreja ao homem contemporâneo

A Igreja reconhece que se vive «uma nova necessidade de sentido na sociedade contemporânea. [...] Revelam-se árduas as tentativas de responder à exigência de projetar o futuro no novo contexto das relações internacionais, cada vez mais complexas e interdependentes, mas também menos ordenadas e pacíficas» (575). Por isso, «às interrogações de fundo sobre o sentido e o fim da aventura pessoal a Igreja responde com o anúncio do Evangelho de Cristo, que subtrai a dignidade da pessoa humana ao flutuar das opiniões, assegurando a liberdade do ser humano como nenhuma lei humana pode fazer. O II Concílio do Vaticano indicou que a missão da Igreja no mundo contemporâneo consiste em ajudar cada ser humano a descobrir em Deus o significado último da sua existência [...]. Somente Deus, que criou o ser humano à sua imagem e o resgatou do pecado, pode oferecer às interrogações humanas mais radicais uma resposta plenamente adequada por meio da Revelação realizada definitivamente no seu Filho feito homem» (576).

Voltar a partir da fé em Cristo

«A fé em Deus e em Jesus Cristo ilumina os princípios morais que são ‘o fundamento único e insubstituível da estabilidade e tranquilidade, da ordem interior e exterior, particular e pública, únicos valores capazes de criar e salvaguardar a prosperidade dos Estados’. A vida social deve ser ancorada no desígnio divino [...]. Também no que diz respeito à ‘questão social’, não se pode aceitar ‘a esperança ingénua de que possa haver uma fórmula mágica para os grandes desafios do nosso tempo; não será uma fórmula a salvar-nos, mas uma Pessoa, e a certeza que Ela nos infunde: Eu estarei convosco!’» (577).

Uma firme esperança

«A Igreja ensina ao ser humano que Deus lhe oferece a real possibilidade de superar o mal e de alcançar o bem. O Senhor redimiu o humano, resgatou-o por um ‘grande preço’ (1Coríntios 6, 20). O sentido e o fundamento do empenho cristão no mundo derivam de tal certeza, capaz de acender a esperança não obstante o pecado que marca profundamente a história humana: a promessa divina garante que o mundo não permanece fechado em si mesmo, mas está aberto ao Reino de Deus» (578). «A esperança cristã imprime um grande impulso ao compromisso no campo social, infundindo confiança na possibilidade de construir um mundo melhor, na consciência de que não pode existir um ‘paraíso terrestre’. Os cristãos, especialmente os fiéis leigos, são exortados a comportar-se de modo que ‘a força do Evangelho resplandeça na vida quotidiana, familiar e social’» (579).

Construir a «civilização do amor»

«Finalidade imediata da doutrina social é a de propor os princípios e os valores que possam suster uma sociedade digna do ser humano. Entre estes princípios, o da solidariedade em certa medida compreende todos os demais: ele constitui ‘um dos princípios básicos da conceção cristã da organização social e política’. Tal princípio é iluminado pelo primado da caridade, ‘sinal distintivo dos discípulos de Cristo’ [...]. O comportamento da pessoa é plenamente humano quando nasce do amor, manifesta o amor e é ordenado para o amor. Esta verdade vale também no âmbito social» (580). Assim, «o amor deve estar presente e penetrar todas as relações sociais [...]. Este amor pode ser chamado ‘caridade social’ ou ‘caridade política’ e deve ser estendido a todo o género humano» (581). Ora, «para tornar a sociedade mais humana, mais digna da pessoa, é necessário revalorizar o amor na vida social – nos planos político, económico, cultural –, fazendo dele a norma constante e suprema do agir. [...] Não se pode regular as relações humanas ‘unicamente com a medida da justiça’» (582). «Só a caridade pode transformar completamente o ser humano. Uma semelhante transformação não significa anulação da dimensão terrena numa espiritualidade desencarnada. [...] A caridade representa o maior mandamento social. Ela respeita o outro e os seus direitos, exige a prática da justiça, de que só ela nos torna capazes e inspira-nos uma vida de entrega [...]. Tão-pouco pode a caridade esgotar-se unicamente na dimensão terrena das relações humanas e das relações sociais, porque toda a sua eficácia deriva da referência a Deus» (583).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.7.15 | Sem comentários
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