CELEBRAR O DOMINGO DÉCIMO SEXTO


A Liturgia da Palavra possui, no décimo sexto domingo (Ano B), uma tonalidade pastoral capaz de chegar ao coração e à vida de cada pessoa. Com efeito, revela um Deus que, em Jesus Cristo, se faz próximo e cuida de nós, seu rebanho (salmo): é o bom pastor que vem para congregar todas as ovelhas. Jesus Cristo é o Salvador anunciado pelos profetas (primeira leitura), que obtém para nós a reconciliação pelo sangue derramado na cruz (segunda leitura). Celebrar Jesus Cristo, nossa paz, é aderir ao seu desejo de reconciliar todos os povos na unidade do seu amor. Celebrar o Senhor, bom pastor que nos convida a ir com ele (evangelho), é comungar a alegria do Evangelho que nos envia a proclamar no dia a dia.

«Dar-lhes-ei pastores»
Jeremias profetizou em Judá, nos tempos dramáticos da grande crise em que ocorreu a deportação da casa real e dos chefes judaicos para a Babilónia, bem como a destruição do templo de Deus em Jerusalém.
O texto proposto para primeira leitura corresponde ao início do capítulo 23, capítulo que faz parte duma ampla secção onde se recolhem uma série de oráculos dirigidos ao povo de Deus. Aqui, Jeremias queixa-se amargamente dos reis que desaproveitaram todas as oportunidades que Deus lhes tinha oferecido ao longo da história e provocaram a ruína agora inevitável e iminente. Estes, designados como «pastores», tiveram um comportamento indigno: «Dispersastes as minhas ovelhas e as escorraçastes, sem terdes cuidado delas». As ovelhas dispersas são tanto os exilados no passado, quando caiu o Reino do Norte, no ano 722 antes de Cristo, como a premonição de todos os que, aquando da queda de Jerusalém (Reino de Judá), no ano de 587 antes de Cristo, também serão levados para a Babilónia.
Contudo, Deus, o verdadeiro pastor, não abandona o seu povo — «Eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas» — com a promessa duma nova vida: «para que cresçam e se multipliquem». Com isso, acrescenta: «Dar-lhes-ei pastores».
Jeremias não recusa nem esquece a promessa feita a David através do profeta Natã (cf. Segundo Livro de Samuel, capítulo 7), mas retoma-a e interpreta-a através de um jogo de palavras: o rei histórico a quem Jeremias dirige o oráculo é Sedecias (significa: «O Senhor é a nossa justiça»), que não honra o seu nome. Por isso, o profeta anuncia que o Messias não só honrará esse nome, mas realizará plenamente o seu significado.

A Bíblia, em muitas ocasiões, compara a relação de Deus com o povo como a de um pastor com o seu rebanho. E também usa a mesma comparação para se referir aos dirigentes do povo, uma vez que recebem de Deus a missão de cuidar das «ovelhas». Missão que nem sempre é levada a bom termo!
A imagem do povo «como ovelhas sem pastor» será retomada pelos evangelistas para descrever a situação no tempo de Jesus Cristo. Hoje, como ontem, são precisos pastores que contraiam o «cheiro das ovelhas», que sintam paixão pelo povo, que se alegrem com os que estão alegres e chorem com os que choram, que partilhem a vida e as preocupações de todos.

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo décimo sexto (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.7.15 | Sem comentários
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