CELEBRAR O DOMINGO DÉCIMO TERCEIRO


A eucaristia (dominical) celebra sempre o Mistério Pascal de Jesus Cristo que nos salva. Mas a Liturgia da Palavra do décimo terceiro domingo (Ano B) confirma com insistência o coração da nossa fé: Deus não fez a morte, criou-nos para a vida! Afirmação forte do livro da Sabedoria (primeira leitura), que é preciso repetir hoje, precisamente com sabedoria, para expressar a nossa fé e anunciar «a alegria do Evangelho!». Sim, Deus é festa, Deus é vida, Deus é salvação, Deus é alegria (salmo). Aliás, Jesus Cristo «fez-Se pobre» para nos «enriquecer pela sua pobreza» (segunda leitura), livrou-nos da morte para nos dar a vida! Ele várias vezes ofereceu sinais de vida a quem lhe suplicava com fé (evangelho).

«O que nasce no mundo destina-se ao bem»
O livro da Sabedoria, o último livro do Antigo Testamento a ser escrito, apresenta, no texto proposto na primeira leitura, afirmações muito interessantes, bem diferentes das anteriores doutrinas judaicas que apenas acreditavam num Deus misericordioso para a vida terrena e não acreditavam na intervenção divina depois da morte.
O autor do texto declara: «não foi Deus quem fez a morte»; «o que nasce no mundo destina-se ao bem». Este é o projeto de Deus, que permanece válido mesmo depois do pecado que causou a morte. De que morte se fala? «Foi pela inveja do Diabo que a morte entrou no mundo, e experimentam-na aqueles que lhe pertencem»? É evidente que não se pode referir à morte física, porque se trata de uma realidade que afeta a todos, bons e maus, justos e injustos.
Neste contexto, é conveniente deixar claro três coisas: a condição mortal do ser humano é natural; a morte física (que faz parte da realidade criada) é ambígua; a morte eterna é entendida como um castigo.
A morte física é uma realidade ambígua: não é um mal em si mesma; só o é na medida em que se torna sinal da morte radical, da morte eterna. A morte física é ambígua porque, para os justos, é a passagem para a vida eterna e prelúdio da ruína eterna para os malvados. Essa morte eterna é a tal morte que não foi criada por Deus.
Queremos viver e ser felizes! Contudo, a experiência parece ensinar que tudo tem um fim e que o nosso fim é a morte. Mas a palavra de Deus diz-nos que não é bem assim, pois a morte não se afigura como um ponto final ou a meta da nossa existência, pelo menos para quem vive mergulhado no amor. Confirma-o Paulo Varela Gomes (possui um cancro de grau quatro), no texto que escreveu para a revista Granta intitulado «Morrer é mais difícil do que parece»: «Ao contrário da morte, o amor, que é o outro nome da vida, não me deixa morrer às primeiras: obriga-me a pensar nas pessoas, nos animais e nas plantas de quem gosto e que vou abandonar. Quando a vida manda mais em mim do que a morte, amo os que me amam, e cresce de repente no meu coração a maré da vida. […] Quando isto sucede, o meu tempo já não é o Tempo Comum mas antes um longo domingo de Páscoa: sinto a presença amorosa de todos os que precisam de mim e d’Aquele de quem eu preciso».

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo décimo terceiro (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.6.15 | Sem comentários
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