CELEBRAR O DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE


Quem é Deus? A Liturgia da Palavra não nos responde diretamente… Com uma paciente pedagogia, toma-nos pelo mão e ajuda-nos a fazer memória da revelação de Deus: criou o ser humano, escolheu um povo (primeira leitura), «é o nosso amparo e protetor» (salmo). Entretanto, em Jesus Cristo, revela-se como nosso Pai (segunda leitura): faz de nós seus filhos, seus herdeiros com Jesus Cristo; pelo Espírito Santo, faz-nos participantes da sua vida. Eis a Boa Nova que somos chamados a anunciar «até ao fim dos tempos» (evangelho), na certeza de que, em seu Filho ressuscitado e pelo Espírito que nos une, Deus está sempre connosco.

«Medita no teu coração que o Senhor é o único Deus»
Terminado o tempo de Páscoa começa a segunda parte do «Tempo Comum». Contudo, os dois primeiros domingos são dedicados a celebrações especiais: Santíssima Trindade; Corpo e Sangue de Cristo. Neste domingo, celebramos a solenidade da Santíssima Trindade. É certo que em cada Eucaristia recordamos sempre a Trindade Divina, mas neste domingo é recordada de um modo especial e particular.
O livro do «Deuteronómio» (à letra, «Segunda Lei») foi elaborado com base em (três) discursos supostamente proferidos por Moisés ao despedir-se do povo que tinha guiado desde o Êxodo até chegar à Terra Prometida.
O texto da primeira leitura agrupa dois fragmentos que fazem parte da conclusão do primeiro discurso (Deuteronómio 1, 1 — 4, 43) atribuído a Moisés: faz uma recompilação de alguns factos para os apresentar como uma história de amor da parte de Deus, como uma revelação desse amor. Eis é o acontecimento fundamental: Deus quis dar-se a conhecer a um povo de escravos, revelou-lhes a sua voz, combateu com eles contra o opressor, libertou-os da escravidão.
A recordação da história leva ao reconhecimento da ação divina, leva à fé: «Medita no teu coração que o Senhor é o único Deus». Esta afirmação tinha de ser lembrada constantemente por causa dos povos vizinhos de Israel, que eram politeístas (adoravam muitos ídolos como deuses). A repetição desta narrativa de fé era como um antídoto contra a idolatria, avivava a chama da fé no coração de cada crente. A fé é sempre uma recordação atual, viva, ativa, criativa, luz para iluminar o caminho que conduz à autêntica felicidade.

Quem é Deus, para mim? Que imagem tenho de Deus? A relação pessoal com Deus depende muito da resposta dada a estas questões. Os textos bíblicos apresentam-nos um Deus que é salvador, que perdoa, que é rico em misericórdia, que é próximo, que ama com amor imenso, a ponto de nos dar o seu próprio Filho, o Emanuel, o Deus connosco. Acreditamos nisto, embora não o saibamos explicar melhor ou entender totalmente? Temos consciência de que somos filhos de Deus e que o podemos invocar como Pai, tal como o fazemos na oração do «Pai nosso»? Se temos verdadeira consciência disto, o nosso rosto tem de transbordar de alegria, a alegria do Evangelho, a alegria da fé, a alegria de ser amado por Deus, um Deus que é comunhão: Pai, Filho, Espírito Santo.

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo da Santíssima Trindade (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.5.15 | Sem comentários
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