CELEBRAR O DOMINGO SEXTO DE PÁSCOA


Maravilhosa atualidade da palavra de Deus! A Liturgia da Palavra do sexto domingo de Páscoa (Ano B) está marcada por uma prodigiosa simplicidade e por uma perturbadora atualidade. Simplicidade, uma vez que se trata de amar. Basta amar! Assim, somos fiéis à nossa vocação de filhos de Deus (segunda leitura), cumulados com uma alegria «completa» (evangelho). Atualidade, na medida em que recorda a importância do respeito por todos os seres humanos, pois «Deus não faz aceção de pessoas» (primeira leitura). Ele oferece a todos a salvação (salmo). Eis, para nós, cristãos, o fundamento da fraternidade universal e da caridade sem limites, uma caridade que anuncia, pelas nossas obras, a misericórdia do Pai.

«Deus não faz aceção de pessoas»
A primeira leitura contém fragmentos da boa nova sobre Jesus Cristo anunciada por Pedro na casa de Cornélio, centurião romano. A catequese que Pedro dirige a Cornélio, aos seus parentes e amigos, é resultado da ação do Espírito Santo (nomeado três vezes). É o Espírito quem prepara Pedro e os gentios para tudo o que se vai seguir. É também o Espírito quem determina as consequências daquilo que é anunciado por Pedro.
As consequências são essenciais: os gentios poderão incorporar-se, de pleno direito, na comunidade dos seguidores do Ressuscitado, a Igreja. «O Espírito desceu sobre todos os que estavam a ouvir a palavra». Todos hão de conhecer o amor universal de Deus! A narração é muito parecida com o sucedido no dia de Pentecostes (cf. Atos dos Apóstolos 2): «ouviam-nos falar em diversas línguas e glorificar a Deus».
Até então os israelitas eram os destinatários (privilegiados) da misericórdia de Deus; agora, também os gentios recebem o dom do Espírito Santo. Depois disto, Pedro, que tinha sido um defensor zeloso da pureza ritual, não vê qualquer impedimento para o batismo do centurião e da sua família.
«Deus não faz aceção de pessoas». Este foi o passo mais delicado que a primeira comunidade cristã teve de dar: a abertura aos gentios incircuncisos. Até os primeiros anunciadores do Evangelho ficam perplexos (mas também maravilhados) perante as iniciativas do Espírito Santo!

«A Igreja é chamada a ser sempre a casa aberta do Pai. Um dos sinais concretos desta abertura é ter, por todo o lado, igrejas com as portas abertas. Assim, se alguém quiser seguir uma moção do Espírito e se aproximar à procura de Deus, não esbarrará com a frieza duma porta fechada. Mas há outras portas que também não se devem fechar: todos podem participar de alguma forma na vida eclesial, todos podem fazer parte da comunidade, e nem sequer as portas dos sacramentos se deveriam fechar por uma razão qualquer. Isto vale sobretudo quando se trata daquele sacramento que é a ‘porta’: o Baptismo. […] Muitas vezes agimos como controladores da graça e não como facilitadores. Mas a Igreja não é uma alfândega; é a casa paterna, onde há lugar para todos com a sua vida fadigosa» (Francisco, Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 47).

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo sexto de Páscoa (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.5.15 | Sem comentários
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