CELEBRAR O DOMINGO SEGUNDO DE PÁSCOA


O segundo domingo de Páscoa, Oitava da Páscoa e Domingo da Divina Misericórdia, é o domingo da alegria (da fé). Jesus Cristo declara: «Felizes os que acreditam sem terem visto» (evangelho), felizes os que colocam toda a confiança em Deus, pois «é eterna a sua misericórdia» (salmo). E quem acredita que Jesus Cristo é o Filho de Deus «vence o mundo», explica São João (segunda leitura). Os cristãos, vivificados «pela água e pelo sangue» — pelo Batismo e pela Eucaristia — constituem a Igreja de Jesus Cristo, chamada a viver em comunhão e a testemunhar a caridade, distribuindo «a cada um conforme a sua necessidade» (primeira leitura). Eis o brilho duma fé vivida!

«Um só coração e uma só alma»
O livro dos Atos dos Apóstolos mostra que a nova realidade inaugurada pela ressurreição de Jesus Cristo não se encontra exclusivamente orientada para a relação entre as pessoas e Deus, nem apenas para um momento além da história terrena. O Evangelho, isto é, a Boa Nova do Ressuscitado tem implicações imediatas na vida das pessoas e das comunidades.
O versículo anterior ao texto proposto para primeira leitura do segundo domingo de Páscoa (Ano B) refere a ação do Espírito Santo que enche de coragem os discípulos para pregarem a Palavra de Deus. Portanto, tudo o que se explica a seguir tem de ser entendido como resultado da ação do próprio Espírito Santo.
A ressurreição de Jesus Cristo e o dom do Espírito Santo são sinais da presença do Reino de Deus. Por isso, tinham «um só coração e uma só alma».
O objetivo da atividade dos primeiros cristãos não é político, mas teológico e antropológico, apoiado na convicção de que, em Jesus Cristo, todos formamos um só povo. Constitui-se uma nova (e única) família — a Igreja — que acolhe e cuida de todos os seus membros. A comunhão de bens é expressão da unidade em Jesus Cristo e da presença do Reino de Deus; e também servia para assegurar que «não havia entre eles qualquer necessitado».
Este «sumário» não pretende despertar a saudade dum passado em que tudo era maravilhoso nas comunidades cristãs. É, isso sim, um acicate para torná-lo presente, hoje. A palavra de Deus bebe do passado histórico, mas não é nostálgica; é palavra viva para «aqui e agora». Com este texto dos Atos dos Apóstolos o homileta (e cada cristão) reconhece «o poder da vida do Senhor ressuscitado operante nas primeiras comunidades, e proclama com fé ao povo que o mesmo poder ainda atua entre nós» («Diretório homilético», 53).
O texto diz ainda que «gozavam todos de grande simpatia». Ora, para despertar simpatia e mostrar que o «poder» do Ressuscitado «atua entre nós» é preciso estar próximo. Estar próximo é o primeiro passo para testemunhar uma fé vivida: «é preciso também desenvolver o prazer espiritual de estar próximo da vida das pessoas, até chegar a descobrir que isto se torna fonte duma alegria superior […]. Não como uma obrigação, nem como um peso que nos desgasta, mas como uma opção pessoal que nos enche de alegria e nos dá uma identidade» (EG 268-269).

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo segundo de Páscoa (Ano B), no Laboratório da fé, 2015
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.4.15 | Sem comentários
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