CELEBRAR O DOMINGO PRIMEIRO DE PÁSCOA


Eis a aurora de um novo dia: a pedra retirada, o sepulcro vazio, as ligaduras no chão, o sudário enrolado à parte (evangelho). A fé nascente das primeiras testemunhas desafia a proclamar: Deus ressuscitou Jesus Cristo (primeira leitura)! Homens e mulheres que se sentem investidos na missão de anunciar e proclamar a vitória da Páscoa. «Exultemos e cantemos de alegria» (salmo)! Todos os que depositam a sua confiança em Deus já estão ressuscitados, vivos em Jesus Cristo (segunda leitura). Um dia, hão de partilhar plenamente a vitória, porque a ressurreição do Filho abre, para a humanidade, a porta da salvação. A Páscoa é meta e ponto de partida: Jesus Cristo ressuscitou; abre-nos as portas da ressurreição!

«Quem acredita n’Ele recebe a remissão dos pecados»
A Páscoa é o centro do ano cristão. Até ao Pentecostes, vão ser lidos, na primeira leitura de cada domingo, textos retirados do livro dos Atos dos Apóstolos. Neles, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo são apresentadas como ações da graça de Deus, através dos quais os homens e as mulheres são salvos e reconciliados com Deus e uns com os outros.
O fragmento proclamado na primeira leitura do primeiro domingo de Páscoa pertence ao sermão de Pedro dirigido ao centurião romano Cornélio. O facto do destinatário ser um romano não é marginal, considerando o interesse do livro dos Atos em acentuar a universalidade do Evangelho.
O autor coloca na boca de Pedro um discurso que recolhe o «primeiro anúncio» («kerygma») da Igreja. Um anúncio conciso e completo; dito de forma telegráfica: Jesus, galileu de Nazaré, contemporâneo de João Batista, o Ungido de Deus, passou fazendo o bem; mataram-no, mas Deus ressuscitou-O; nós somos testemunhas; Ele enviou-nos a pregar; Deus nomeou-o juiz; os que acreditam recebem o perdão. Conteúdo histórico, teológico, salvífico.
Ora, este é o anúncio da Igreja ao longo dos tempos: Jesus Cristo, morto e ressuscitado, oferece-nos o perdão e a salvação: «Quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados». A missão da Igreja é dar testemunho. A experiência pascal e o anúncio são inseparáveis. Não é um assunto de ideólogos, mas de testemunhas!

A Páscoa não é uma recordação sentimental. É uma realidade que afeta toda a humanidade. A manhã de Páscoa renova-se, em cada ano, em cada domingo, na comunidade, em cada pessoa. «Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que ‘da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído’. […] Ele permite-nos levantar a cabeça e recomeçar, com uma ternura que nunca nos defrauda e sempre nos pode restituir a alegria. Não fujamos da ressurreição de Jesus; nunca nos demos por mortos, suceda o que suceder. Que nada possa mais do que a sua vida que nos impele para diante!» (EG 3).

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo primeiro de Páscoa (Ano B), no Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.4.15 | Sem comentários
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