CELEBRAR O DOMINGO TERCEIRO DE PÁSCOA


O Ressuscitado tem necessidade de testemunhas: esta é uma constatação evidenciada na Liturgia da Palavra dos domingos de Páscoa. Ele, o Vivente, mostra-se ao seus discípulos, come com eles, explica-lhes que nele se cumprem as Escrituras, faz deles suas testemunhas (evangelho). Depois do Pentecostes, Pedro não hesita em proclamar a boa nova diante de todo o povo (primeira leitura); e apela à conversão. Sim, Deus concretizou a promessa e, portanto, o mal foi vencido para sempre (segunda leitura). «O Senhor faz maravilhas pelos seus amigos» (salmo)! Hoje, cada eucaristia é celebração do encontro com o Ressuscitado, cada eucaristia é memorial da salvação que nos é oferecida: Jesus Cristo torna-se presente no meio de nós para partilhar connosco a Palavra e o Pão. Queremos ser suas testemunhas?

«Nós somos testemunhas»
O livro dos Atos dos Apóstolos recolhe, nos primeiros capítulos, a atividade fervorosa dos Apóstolos, em Jerusalém. O texto proposto para primeira leitura do terceiro domingo de Páscoa (Ano B) situa-se imediatamente depois do Pentecostes. É um extrato do (terceiro) discurso de Pedro à multidão, depois de ter curado um paralítico que pedia esmola à porta do Templo. É uma resumo preciso e precioso da mensagem cristã dirigida ao coração de fé israelita: Jesus Cristo foi glorificado pelo «Deus de nossos pais».
A primeira parte contém uma reprimenda. Todos — até os amigos — merecem ser repreendidos pelo que aconteceu na morte de Jesus Cristo, porque, duma ou doutra maneira, todos tiveram culpa (curiosamente, o menos culpado parece ser Pilatos!). Agora, também no Templo, um judeu — Pedro — desafia a todos para se abrirem às novas fronteiras da fé. Aquilo que tinha sido um acontecimento trágico — a morte de Jesus Cristo — converteu-se, pelo poder de Deus, em milagre de vida e de ressurreição.
O que tinha começado como uma palavra de juízo torna-se numa proclamação do amor salvador de Deus, um amor tal que não pode ser prejudicado pelos nocivos planos humanos.
As palavras de Pedro terminam com um anúncio de absolvição. Deus, não só trocou as voltas às más intenções humanas, mas também se prepara para as perdoar. Afinal, os que crucificaram Jesus Cristo, sem ter consciência disso, deram um contributo para o cumprimento da promessa divina: um Messias sofredor. O final não é a tragédia; a última palavra é pronunciada por Deus. Há um mistério singular: nas mãos de Deus, até o nosso mal pode ser convertido em bem!

Uma vez mais, Pedro evoca, no plural (refere-se aos Apóstolos), a sua condição essencial: «nós somos testemunhas». Este é o terceiro domingo de Páscoa; esta é a terceira vez que o livro dos Atos dos Apóstolos refere a importância do testemunho. Somos herdeiros de uma fé alicerçada no testemunho dos Apóstolos. Eles mostram como passaram da dúvida à confiança, do medo à paz interior, da desilusão ao entusiasmo, da deceção à alegria do testemunho. Hoje, compete-nos a nós, cristãos, assumir a «suave e reconfortante alegria» (Paulo VI) do testemunho!

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo terceiro de Páscoa (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.4.15 | Sem comentários
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