Viver a fé! [27]


No sétimo capítulo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja («vida económica»), os pontos dois e três, resumidos neste tema, abordam as relações entre a moral e a economia (números 330 a 335) e entre a iniciativa privada e as empresas (números 336 a 345).

Moral e economia

«A doutrina social da Igreja insiste na conotação moral da economia» (330). Entre a moral e a economia há uma relação «necessária e intrínseca: atividade económica e comportamento moral compenetram-se intimamente» (331). Assim, «a dimensão moral da economia faz tomar como finalidades indivisíveis, nunca separadas e alternativas, a eficiência económica e a promoção de um desenvolvimento solidário da humanidade. A moral constitutiva da vida económica não é nem opositiva, nem neutra: inspira-se na justiça e na solidariedade, constitui um fator de eficiência social da própria economia» (332). «Para assumir um carácter moral, a atividade económica deve ter como sujeitos todos os seres humanos e todos os povos» (333): presta um serviço recíproco pela produção de bens e serviços úteis ao crescimento individual e potencia a solidariedade e a comunhão. «Objeto da economia é a formação da riqueza e o seu incremento progressivo, em termos não apenas quantitativos, mas qualitativos: tudo isto é moralmente correto se orientado para o desenvolvimento global e solidário do homem e da sociedade em que ele vive e atua» (334). «Na perspetiva do desenvolvimento integral e solidário, pode-se dar uma justa apreciação da avaliação moral que a doutrina social oferece sobre a economia de mercado ou, simplesmente, economia livre [...]. Assim se define a perspetiva cristã acerca das condições sociais e políticas da atividade económica: não só as suas regras, mas a sua qualidade moral e o seu significado» (335).

Iniciativa privada e empresa

«A doutrina social da Igreja considera a liberdade da pessoa no campo económico um valor fundamental e um direito inalienável a ser promovido e tutelado» (336). Aqui, «a dimensão criativa é um elemento essencial do agir humano, também no campo empresarial, e manifesta-se especialmente na aptidão para projetar e inovar» (337).

A empresa e os seus fins

«A empresa deve caracterizar-se pela capacidade de servir o bem comum da sociedade mediante a produção de bens e serviços úteis. [...] A empresa cumpre também uma função social, criando oportunidades de encontro, de colaboração, de valorização das capacidades das pessoas envolvidas. [...] O objetivo da empresa deve ser realizado em termos e com critérios económicos, mas não devem ser descurados os autênticos valores que permitem o desenvolvimento concreto da pessoa e da sociedade» (338). «Os componentes da empresa devem estar conscientes de que a comunidade na qual atuam representa um bem para todos e não uma estrutura que permite satisfazer exclusivamente os interesses pessoais de alguns» (339). «A doutrina social reconhece a justa função do lucro, como primeiro indicador do bom andamento da empresa [...]. É indispensável que, no interior da empresa, a legítima busca do lucro se harmonize com a irrenunciável tutela da dignidade das pessoas que, a vários título, atuam na mesma empresa» (340). Por isso, «o recurso à usura é moralmente condenável» (341). Por fim, a Igreja recorda que os cenários macroeconómicos atuais exigem que as empresas assumam «responsabilidades novas e maiores em relação ao passado» (342).

O papel do empresário e do dirigente de empresa

«A iniciativa económica é expressão da inteligência humana e da exigência de responder às necessidades humanas de modo criativo e colaborativo. Na criatividade e na cooperação está inscrita a autêntica conceção da competição empresarial» (343). Ora, quanto ao papel do empresário e do dirigente de empresa, a Igreja lembra que «não podem levar em conta exclusivamente o objetivo económico da empresa, os critérios de eficiência produtiva, as exigências do cuidado com o ‘capital’ como conjunto dos meios de produção: é também um preciso dever deles o concreto respeito pela dignidade humana dos trabalhadores que atuam na empresa. Estes últimos constituem ‘o património mais precioso da empresa’» (344). «A doutrina social insiste na necessidade de que o empresário e o dirigente se empenhem em estruturar a atividade profissional nas suas empresas de modo a favorecer a família [...]; respondam, à luz de uma visão integral do ser humano e do desenvolvimento, à demanda de qualidade [...]; invistam [...] nos setores produtivos que oferecem a indivíduos e povos ‘a ocasião de valorizar o próprio trabalho’» (345).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.4.15 | Sem comentários
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