Viver a fé! [29]


O sétimo capítulo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja termina com um ponto dedicado às «coisas novas [‘res novae’] em economia» (números 361 a 376). Este quinto ponto aborda as oportunidades e os riscos da globalização, o sistema financeiro internacional, o papel da comunidade internacional, um desenvolvimento integral e solidário, a necessidade de uma grande obra educativa e cultural.

A globalização: as oportunidades e os riscos

«O nosso tempo é marcado pelo complexo fenómeno da globalização económico-financeira [...]. Uma realidade multiforme e não simples de decifrar, dado que se desenrola a vários níveis e evolui constantemente ao longo de trajetórias dificilmente previsíveis» (361). «A globalização alimenta novas esperanças, mas também suscita interrogações inquietantes» (362). «O zelo pelo bem comum exige [...] ‘uma globalização na solidariedade, uma globalização sem marginalização’» (363). Por isso, a Igreja chama «a atenção para a importância dos critérios éticos que deveriam orientar as relações económicas internacionais: a busca do bem comum e o destino universal dos bens; a equidade nas relações comerciais; a atenção aos direitos e às necessidades dos mais pobres nas políticas comerciais e de cooperação internacional» (364). «Uma solidariedade adequada à era da globalização requer a defesa dos direitos humanos» (365). E «particular atenção deve ser reservada às especificidades locais e às diversidades culturais» (366). «Na época da globalização, deve-se ressaltar com força a solidariedade entre as gerações [...]. Este princípio deve ser aplicado sobretudo – ainda que não apenas – no campo dos recursos da terra e da salvaguarda da criação, [...], que diz respeito a todo o planeta, entendido como um único ecossistema» (367).

O sistema financeiro internacional

«Os mercados financeiros não são certamente uma novidade da nossa época: há já muito tempo que, por várias formas, eles cuidam de responder à exigência de financiar atividades produtivas. A experiência histórica atesta que, na ausência de sistemas financeiros adequados, não teria havido crescimento económico» (368). Todavia, «uma economia financeira cujo fim é ela própria está destinada a contradizer os seus fins, pois que se priva das próprias raízes e da própria razão constitutiva, ou seja, do seu papel originário e essencial de serviço à economia real e, ao fim e ao cabo, de desenvolvimento das pessoas e das comunidades» (369).

O papel da comunidade internacional na época da economia global

«A perda de centralidade por parte dos agentes estatais deve coincidir com um maior empenho da comunidade no exercício de um decidido papel de orientação económica e financeira» (370). «Sobressai a exigência de que [...] seja a comunidade internacional a assumir esta delicada função, mediante a utilização de instrumentos políticos e jurídicos adequados e eficazes» (371). «Também a política, a par da economia, deve saber estender o próprio raio de ação para além dos confins nacionais, adquirindo rapidamente aquela dimensão operativa mundial que lhe pode consentir orientar os processos em curso à luz de parâmetros não só económicos, mas também morais» (372).

Um desenvolvimento integral e solidário

«Uma das tarefas fundamentais dos atores da economia internacional é a obtenção de um desenvolvimento integral e solidário para a humanidade, isto é, ‘promover todos os homens e o homem todo’. [...] Os problemas sociais assumem, cada vez mais, uma dimensão planetária: a paz, a ecologia, a alimentação, a droga, as doenças» (373). «Um desenvolvimento mais humano e solidário favorecerá também os próprios países mais ricos» (374).

A necessidade de uma grande obra educativa e cultural

«Para a doutrina social, a economia ‘é apenas um aspeto e uma dimensão da complexa atividade humana. [...] A vida do ser humano, a par da vida social da coletividade, não pode ser reduzida a uma dimensão materialística, ainda que os bens materiais sejam extremamente necessários quer para a mera sobrevivência, quer para o melhoramento do teor de vida» (375). «Em face do rápido andamento do progresso técnico-económico e da mutabilidade, igualmente rápida, dos processos de produção e de consumo, o magistério adverte para a exigência de propor uma grande obra educativa e cultural [...] que abranja a educação dos consumidores para um uso responsável do seu poder de escolha, a formação de um alto sentido de responsabilidade nos produtores e, sobretudo, nos profissionais dos mass-media, além da necessária intervenção das Autoridades públicas» (376).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.4.15 | Sem comentários
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