CELEBRAR O DOMINGO QUARTO DA QUARESMA


Misericórdia: palavra-chave da Quaresma e outro nome de Deus para exprimir o seu amor. Na caminhada para a Páscoa, a Liturgia da Palavra revela-nos que Deus «é rico em misericórdia» (segunda leitura). Já na antiga Aliança, era com misericórdia que Deus respondia às infidelidades do povo (primeira leitura). Na Nova Aliança, vai até à entrega do seu Filho para nos salvar e nos oferecer a vida eterna (evangelho). Deus não julga, não condena; é o ser humano que se condena (salmo), quando volta as costas à luz… Para se ser salvo, para se obter a vida, é preciso escolher Jesus Cristo e seguir os seus passos.

«Queria poupar o seu povo»
Desde Moisés até Jesus Cristo, a Lei da Aliança, no Sinai, regeu a vida do povo bíblico. Embora, nesses treze séculos, houvesse homens e mulheres que se mantinham fiéis a Deus, há (pelo menos) um momento histórico em que já não havia nada a fazer. Deus tudo fez para o evitar: «queria poupar o seu povo». Mas o autor dos últimos versículos do Segundo Livro das Crónicas, texto proposto para primeira leitura do quarto domingo da Quaresma (Ano B), constata, com tristeza, que tanto as autoridades religiosas como o povo «escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam as suas palavras e riam-se dos profetas, a tal ponto que deixou de haver remédio». A consequência foi nefasta: a destruição do Templo e de Jerusalém.
Os caldeus — uma dinastia que tinha tomado o poder na Babilónia e feito da Assíria um grande império do Médio Oriente — apoderaram-se de Jerusalém, destruíram o Templo e deportaram a aristocracia judaica para a Babilónia. A destruição de Jerusalém e a deportação são interpretadas como um castigo divino. Mas Deus é (sempre) misericordioso!
Quando tudo parecia perdido, acontece uma alteração histórica fundamental: a tomada de Babilónia pelos persas. Então, o rei Ciro da Pérsia — um pagão a quem Isaías apelida de «ungido» (Isaías 45, 1) —, em nome do «Senhor, Deus do Céu», dá a conhecer a sua missão: construir um Templo em Jerusalém e oferecer, aos judeus deportados, a possibilidade de regressarem à Cidade.

Deus é o único dono da história e serve-se dos meios mais insólitos para manifestar a sua presença salvadora. Sim, Deus é sempre surpreendente! A Escritura mostra que a História da Salvação não «fecha» portas, mas abre sempre novas oportunidades, novos caminhos. Por isso, Jesus Cristo diz que «Deus amou[a] tanto o mundo que entregou o seu Filho». E Paulo confirma: «Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, a nós, que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida com Cristo». O cardeal Walter Kasper apresenta a misericórdia como o (único) atributo de Deus que «constitui o núcleo da mensagem bíblica» (A Misericórdia — Condição fundamental do Evangelho e chave da vida cristã). E acrescenta que «não se trata de um tema secundário, mas sim de um tema fundamental do Antigo e do Novo Testamento, de um tema fundamental para o século XXI, em resposta aos “sinais dos tempos”».

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo quarto da Quaresma (Ano B), no Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.3.15 | Sem comentários
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