CELEBRAR O DOMINGO TERCEIRO DA QUARESMA


À medida que a Quaresma avança, progredimos no caminho da Aliança: depois de Noé (primeiro domingo) e Abraão (segundo domingo), eis a Aliança do Sinai (terceiro domingo), onde Deus comunica ao seu povo as palavras de vida — os Dez Mandamentos («Decálogo») —, as orientações para o caminho (primeira leitura). Sim, a Lei de Deus é fonte de vida (salmo).
Esta é também uma nova etapa no tempo quaresmal, em que se propõe textos do evangelho segundo João, com o objetivo de nos preparar para a Páscoa de Jesus Cristo: começa com o relato da purificação do Templo. Entretanto, para nós, há uma questão que se mantém: qual é o fundamento da nossa fé? (segunda leitura).

«Eu sou o Senhor teu Deus»
O texto do livro do Êxodo, proposto para primeira leitura do terceiro domingo da Quaresma (Ano B), situa-se num momento decisivo: Israel chega ao monte Sinai. Depois deste acontecimento, Deus não voltará a falar diretamente ao povo; toda a comunicação posterior será através de Moisés.
Antes de mais, Deus recorda o seu nome: «Eu sou o Senhor teu Deus». A identidade divina está profundamente relacionada com o momento libertador e salvador do Êxodo.
O que está em causa é a forma como Israel se há de relacionar com Deus: a insistência está no facto de Deus ser um «Tu», uma pessoa que merece ser honrada, levada a serio, à qual é preciso corresponder.
Além disso, a vida é um acontecimento interpessoal; os Mandamentos são a garantia dessa dinâmica interpessoal (com Deus e com os outros).
O descanso prescrito é um dom do Deus libertador aos antigos escravos, que rompe o jugo de um ciclo de trabalho indigno, no qual não havia possibilidade para gozar o dom da vida.
O texto parece dar a entender que existem outros «deuses», que competem com o Deus do Êxodo. Mas Deus insiste numa lealdade exclusiva, total, sem nenhuma espécie de compromisso à margem dos seus propósitos. É também um Deus que não pode ser capturado por qualquer espécie de imagem e cujo nome não pode ser invocado para qualquer outro fim.
Os Mandamentos não são uma mera lista de normas, mas uma estratégia usada por Deus para anunciar a Aliança com Israel.

A fé apresenta-se «como um caminho, uma estrada a percorrer, aberta pelo encontro com o Deus vivo; por isso, à luz da fé, da entrega total ao Deus que salva, o Decálogo adquire a sua verdade mais profunda, contida nas palavras que introduzem os Dez Mandamentos: ‘Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egito’. O Decálogo não é um conjunto de preceitos negativos, mas de indicações concretas para sair do deserto do ‘eu’ autorreferencial, fechado em si mesmo, e entrar em diálogo com Deus, deixando-se abraçar pela sua misericórdia a fim de a irradiar. […] O Decálogo aparece como o caminho da gratidão, da resposta de amor, que é possível porque, na fé, nos abrimos à experiência do amor de Deus que nos transforma. E este caminho recebe uma luz nova de tudo aquilo que Jesus ensina no Sermão da Montanha» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «Lumen Fidei», 46).

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo terceiro da Quaresma (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.3.15 | Sem comentários
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