CELEBRAR O DOMINGO DO BATISMO DE JESUS


No domingo da celebração do Batismo de Jesus (Ano B), a palavra de Deus — palavra fecunda, eficaz, que há de dar frutos na nossa vida — diz-nos como é o amor de Deus pela Humanidade: vai até ao ponto de estabelecer connosco uma «aliança eterna» (primeira leitura), plenamente realizada em Jesus Cristo, seu «Filho muito amado» (evangelho). E nós somos chamados a deixar-nos amar, a acreditar n’Aquele que nos salva (segunda leitura), a anunciar as maravilhas de Deus a todos os povos com alegria (salmo). O acontecimento do batismo de Jesus por João, no rio Jordão, com a descida do Espírito e a voz do Pai, revela a força trinitária do testemunho de amor que, desde então, se dá a conhecer ao mundo.

«Saboreareis manjares suculentos»
O fragmento da primeira leitura pertence à secção final da segunda parte do livro de Isaías («Segundo Isaías» ou «Deutero Isaías»: capítulos 40 a 55), que se situa na época do exílio na Babilónia, no século quarto antes de Cristo. É uma proclamação jubilosa do regresso dos exiliados a Jerusalém.
O poeta-profeta começa com um contraste muito vivo entre as formas de vida sob o domínio dos babilónios e a nova oferta de vida dada por Deus. O verso inicial, à maneira de um pregão dito por um vendedor, oferece água, vinho e leite, gratuitamente. O contraste com as formas de vida no tempo do opressor é absoluto. Israel é convidado a escolher os novos alimentos oferecidos por Deus. E o resultado é este: «saboreareis manjares suculentos». Trata-se do anúncio da nova aliança oferecida por Deus aos oprimidos.
A última parte da passagem profética abandona a metáfora da comida e passa a falar diretamente da promessa de fidelidade feita por Deus a David, que agora é ampliada a toda a comunidade de Israel. O pacto que Deus oferece é de fidelidade, uma fidelidade que comporta vida — «escutai-Me e vivereis» —, porque o Deus que fala e que convida — «vinde a Mim» — é um Deus vivo e dador de vida a todos os que estão dispostos a escutar e a acolher a sua proposta. Estes são os caminhos de Deus, são os seus pensamentos, sempre superiores aos nossos.
Por fim, o poder de Deus é vinculado à ação da chuva e da neve. Ambas produzem coisas tangíveis na terra. O resultado é regular e digno de confiança: a terra é alimentada e a criação é sustentada. A palavra de Deus também é assim: produz um futuro novo para o povo de Israel.
Não deixa de ser uma maravilha escutar que Deus nunca abandonará o seu desígnio de salvação: a sua palavra, o seu amor, não serão infecundos, antes pelo contrário, cumprirão a sua vontade, realizarão a sua missão. Deus promete-nos o que há de melhor: «saboreareis manjares suculentos».

Hoje, sabemos que, em Jesus Cristo, Deus estabelece connosco a «nova e eterna aliança». Uma aliança jamais irrevogável porque não depende da nossa fidelidade, mas da fidelidade de Deus. A nossa fidelidade consiste, sobretudo, em acolher o rosto bondoso de Deus como fonte de paz e de vitalidade.

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo do Batismo de Jesus (Ano B), no Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.1.15 | Sem comentários
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