CELEBRAR O SEGUNDO DOMINGO DE ADVENTO


Mexe-te, põe-te a caminho! Depois do convite a vigiar (primeiro domingo), eis o apelo a arregaçar as mangas: o Advento não é tempo de descanso. O Senhor Jesus Cristo vem: preparemos o seu caminho! Pode ser um convite já conhecido; mas é preciso escutá-lo de novo e como novo. Escutá-lo da boca do profeta Isaías (primeira leitura), quando Deus, no Livro da Consolação, responde à oração do povo exilado e lhe promete o fim dos infortúnios. Escutá-lo como Boa Nova, no início do evangelho segundo Marcos: sim, João Batista anuncia a vinda do Salvador... Hoje, nós esperamos esse dia (segunda leitura), certos da bondade do nosso Deus (salmo).

«Então se manifestará a glória do Senhor 
e todo o homem verá a sua magnificência»
No livro de Isaías, o poema escolhido para primeira leitura do segundo domingo de Advento (Ano B) marca o fim do longo exílio do povo de Israel na Babilónia. Estes versos contêm uma mensagem nova, completamente inesperada face ao demorado e terrível silêncio vivido pelo povo exilado. Agora, Deus assegura que a mudança está próxima: «Então se manifestará a glória do Senhor e todo o homem verá a sua magnificência».
Deus quebra o silêncio; e a primeira palavra proclamada é «consolai». Jerusalém já pagou o suficiente pela sua culpa e, por isso, será libertada do cativeiro. Trata-se de um ansiado, mas improvável anúncio de libertação.
O mensageiro tem de falar forte e claro. O «arauto de Jerusalém» tem a missão de anunciar a vitória e o regresso a casa. Ele há de anunciar o novo decreto de Deus, que mudará decisivamente a história e o destino da comunidade ouvinte. A palavra que há de ser dita sem qualquer tipo de temor é: «Eis o vosso Deus». Aquele que parecia derrotado, agora manifesta a sua glória. No imprevisível, Deus fará coisas novas em favor do seu povo: «Então se manifestará a glória do Senhor e todo o homem verá a sua magnificência».
A nova disposição de Deus é evidente na colossal procissão através do deserto que vai tornar possível um novo começo para a comunidade de Israel. A linguagem é também surpreendente: Deus apresenta-se como um guerreiro poderoso — «o seu braço dominará» — que, ao mesmo tempo, é tão gentil e terno como um pastor. O povo não tinha futuro, vivia humilhado e disperso; agora, de forma inesperada, é consolado e reunido por Deus.
Não é de estranhar que os evangelhos citem parte deste poema, aplicando-o à novidade radical iniciada com a vinda ao mundo de Jesus de Nazaré. Será usado na leitura cristã da Escritura para atribuir a João Batista a missão de preparar o caminho do Senhor. O «Segundo Isaías» é o profeta da esperança. O Advento abre o coração à esperança que se cumpre em Jesus Cristo.

Na eucaristia, Deus vem ao nosso encontro, cheio de misericórdia, para reunir todos os seus «filhos dispersos» (Oração Eucarística III). Por isso, esse encontro precisa de momentos de silêncio para oferecer a cada pessoa a possibilidade dum diálogo interior, duma oportunidade para a consolação e a esperança.

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o segundo domingo de Advento (Ano B), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.12.14 | Sem comentários
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