CELEBRAR A DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DE LATRÃO

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Reflexões e sugestões para alcançar o fruto de «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



A Igreja, em cada dia nove de novembro, celebra a festa da «Dedicação da Basílica de Latrão» (as orações tomam-se do «Comum da Dedicação de uma Igreja: No aniversário da Dedicação – 2. fora da Igreja dedicada», páginas 1004 e 1005). A basílica de Latrão é a catedral da diocese de Roma. Portanto, o Papa, que é o bispo de Roma, tem nesta basílica a sua sede, a sua cátedra (Sé Catedral). Todos recordamos vivamente a imagem do papa Francisco no dia da sua eleição quando se apresentou como «o bispo de Roma».
Este domingo corresponde ao aniversário da dedicação da basílica que aconteceu no dia nove de novembro de 324 pelo papa Silvestre I. Hoje, celebrar o seu aniversário é expressar a comunhão das Igrejas e comunidades locais com a Igreja fundada por Jesus Cristo sob o alicerce dos Apóstolos.
As leituras propostas para este dia («Leccionário Santoral», páginas 347 a 350) colocam a tónica do significado da palavra «templo». Através da visão de Ezequiel (primeira leitura), acolhemos a fonte da vida que brota do templo. Entretanto, surgirá um novo templo: o próprio Jesus Cristo (evangelho), ressuscitado e vivo no meio de nós. Jesus Cristo é o verdadeiro templo. Ele é o «lugar» da comunhão profunda entre os seres humanos e Deus. Ele, pela presença do Espírito, faz de nós templos de Deus (segunda leitura). Sim, Deus está connosco (salmo). Esta é a nossa fé, a nossa alegria!

«Haverá vida por toda a parte aonde chegar esta torrente»
O profeta Ezequiel, membro da família sacerdotal, foi deportado para a Babilónia no ano 597 por Nabucodonosor, juntamente com o rei de Judá e com as famílias aristocráticas judaicas.
A última parte do seu livro profético é destinada às imagens sobre a restauração do templo e do culto, no futuro. Neste contexto, vê que do vestíbulo do santuário nasce uma fonte de água que se converte numa torrente impetuosa que cura e dá vida às zonas mais áridas da terra santa. O profeta, no seu exílio na Babilónia, viu que a riqueza da cidade provinha em boa parte do rio. Então, contempla que a partir do lugar onde Deus manifesta a sua presença e onde se celebra o seu culto — o templo de Jerusalém já restaurado — nasce um manancial de água: «Haverá vida por toda a parte aonde chegar esta torrente». Ora, não se trata da humilde fonte de Siloé, que nascia na encosta da colina do templo, mas de um rio poderoso que enche tudo de vida, porque provém do lugar da presença de Deus Salvador e Senhor da vida.
A água que brotava do vestíbulo do templo, como nos explica o profeta, é a água que dá vida, que purifica até o Mar Morto e dá possibilidade de vida ao que parecia impossível de a ter. E sai do coração do lugar santo. A fonte sai da experiência da vida espiritual em comunhão com a Igreja. Este é o grande bem que podemos fazer quando, vivendo na profundidade da celebração e da comunhão com Deus, encontramos na eucaristia uma fonte de vida; e, depois, saímos dela com a vontade de dar a todos a vida que transportamos dentro de nós.

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar a Dedicação da Basílica de Latrão (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.11.14 | Sem comentários
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