CELEBRAR A COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Reflexões e sugestões para alcançar o fruto de «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



A Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos («Missal Romano», página 963 e seguintes) — que este ano acontece ao domingo, substituindo assim a liturgia do trigésimo primeiro domingo — torna presente todos aqueles e aquelas que fizeram caminho entre nós e que já não estão fisicamente connosco. «Na oração pelos defuntos, a Igreja manifesta a sua qualidade de Corpo de Cristo e vive a solidariedade com todos os membros deste corpo, inclusive com aqueles que já faleceram. Ao rezar pelos mortos, a Igreja também reza com eles» (Luciano Manicardi). Confiamos que Deus, pela sua bondade, os acolhe na vida nova e plena dos ressuscitados. Como recorda o «Prefácio dos Defuntos V» («Missal Romano», página 513): por dom maravilhoso da vossa bondade, Cristo, com a sua vitória, nos redime da morte, e nos chama a tomar parte na sua vida gloriosa». Trata-se de enfrentar a morte sem rodeios, mas com fé.
Como em todos os domingos, celebramos o mistério pascal de Jesus Cristo, pelo qual recebemos o dom da salvação e o fundamento da nossa esperança. É sempre a morte e ressurreição de Jesus Cristo que celebramos: uma celebração da vida! O Círio Pascal, sinal da Ressurreição, merece um lugar de destaque (na procissão de entrada para ser colocado junto do altar).
Neste dia de oração pelos e com os defuntos, a palavra de Deus ilumina e confirma a esperança da ressurreição. O «Leccionário Santoral» (páginas 332 a 342) sugere três Missas e possibilita ainda que as leituras sejam escolhidas de entre as que são propostas para as Missas pelos defuntos («Leccionário VIII», páginas 1069 a 1131).

«Revestido da minha pele, estarei de pé»
O livro de Job contém o grande debate do Antigo Testamento sobre a justiça de Deus: narra a paciência de um homem que no final é largamente recompensado por Deus. O conteúdo é ilustrado com uma série de diálogos entre Job e os seus amigos, que representam diversos aspetos da fé de Israel, evidenciando a incapacidade de dar uma resposta autêntica ao clamor de Job.
Job não se satisfaz com nenhuma das respostas dos seus amigos. As questões permanecem: Por que tenho de sofrer? Qual é o papel de Deus perante este mistério?
Na tradição bíblica, o defensor ou redentor é o familiar em quem recai diretamente o direito e o dever de proteger a pessoa e os bens do parente em dificuldade e de o vingar em caso de morte. Job acredita firmemente que o próprio Deus será o seu redentor (o texto refere-o com letra maiúscula), porque está convencido da sua própria inocência e da justiça divina. O seu «Redentor está vivo» e ativo — juiz e testemunha — e acabará por confirmar a «boa nova»: Job sabe que será ele mesmo — e não outros, como os amigos que falam sem saber — quem «verá» a Deus.
A confiança de Job permite-lhe afirmar: «revestido da minha pele, estarei de pé». Aliás, todas as afirmações de Job no texto proposto para primeira leitura (Job 19, 1.23-27a) sublinham a fé como a virtude que impede qualquer sinal de desespero, apesar da existência do sofrimento e da morte.

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.10.14 | Sem comentários
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