CELEBRAR O DOMINGO TRIGÉSIMO

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Reflexões e sugestões para alcançar o fruto de «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



A palavra de Deus coloca-nos, no trigésimo domingo (Ano A), diante do essencial: o amor. De novo, os fariseus querem pôr Jesus Cristo à prova (evangelho). Enquanto eles colocam a questão do maior mandamento da Lei, Jesus Cristo prefere, sobretudo, mostrar como a vê, em toda a sua essência: o amor não tem limites. Deus está próximo de todos os pobres e excluídos; e convida-nos a fazer o mesmo, a praticar a misericórdia (primeira leitura). Ser exemplo, anunciar a palavra de Deus (segunda leitura), supõe o amor aos irmãos: a caridade vem de Deus e nunca nos afasta dele. O primeiro e o segundo mandamento são apenas um: amar, simplesmente amar. Então, a nossa oração não se pode esquecer de cantar (salmo) o amor de Deus e o amor a Deus.

«Escutá-lo-ei, porque sou misericordioso»
O fragmento proposto para primeira leitura do trigésimo domingo (Ano A), retirado do livro do Êxodo, pertence à coleção de leis mais antiga do Antigo Testamento. O Êxodo reporta-as ao contexto da aliança, o pacto que Deus ofereceu ao povo de Israel, através de Moisés, no Sinai.
Esta passagem contém duas ordem expressas no negativo — «não prejudicarás... não maltratarás» — seguidas de um comentário. O primeiro mandamento protege os estrangeiros que vivem no meio do povo de Israel. São pessoas muito vulneráveis, sem direito de cidadania. A segunda ordem protege as viúvas e os órfãos: as mulheres e as crianças que perderam o seu protetor masculino encontram-se expostas a todo o tipo de abusos. Os comentários às leis são muito interessantes. O que se refere aos imigrantes remete para a tradição do Êxodo. Da mesma maneira que Israel foi protegido quando era marginalizado, assim também há de agir com os desfavorecidos. A memória do Êxodo, o ato libertador de Deus por antonomásia, há de ser sempre um fundamento da ética.
A segunda parte do texto refere-se aos pobres e é muito radical: a atividade económica há de ser regulada pelo princípio da solidariedade comunitária. Os israelitas não podem ser como os outros banqueiros; têm de ser diferentes: não se pode «brincar» com a miséria. A lei não fala diretamente de uma economia lucrativa; simplesmente exige que se cuide da vida do pobre. Essa sim, há de estar acima de todos os interesses. A garantia é dada pelo próprio Deus, que se mostra disposto a escutar o clamor e a exercer a misericórdia: «Escutá-lo-ei, porque sou misericordioso». Atua sempre como um Deus de graça.

A palavra «eucaristia» significa «dar graças», dizer obrigado (agradecer). Os mais novos (crianças e adolescentes da catequese, por exemplo) podem fazê-lo, na celebração, com as suas próprias palavras ou gestos, de acordo com a criatividade de cada um (de cada grupo). A «Oração Eucarística para as Missas com crianças II» («Missal Romano», página 1331 e seguintes) coloca em evidência o tema do amor e da gratidão pelo amor recebido: «Glória a Vós, Senhor, que tanto nos amais». E a introdução ao gesto da paz merece ser feita a partir do (duplo) mandamento do amor!

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo trigésimo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.10.14 | Sem comentários
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