Viver a fé! [4]


O quarto e último ponto (números 49 a 59) do primeiro capítulo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja («O desígnio de amor de Deus para toda a Humanidade») retoma os temas anteriores para os colocar em sintonia com a «missão da Igreja». O conteúdo estrutura-se em quatro partes: A Igreja, sinal e tutela da transcendência da pessoa humana; Igreja, Reino de Deus e renovação das relações sociais; Novos céus e nova terra; Maria e o seu ‘fiat’ ao desígnio de amor de Deus. Consciente de que a meta é escatológica, a missão da Igreja visa contribuir para que o Reino de Deus se torne já presente, no aqui e agora das relações humanas. É o próprio Jesus Cristo quem o afirma: «Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo» (Mateus 25, 31-46).

A Igreja, sinal e tutela da transcendência da pessoa humana

«A missão da Igreja é anunciar e comunicar a salvação realizada em Jesus Cristo, a que Ele chama ‘Reino de Deus’ (Marcos 1, 15), ou seja, a comunhão com Deus e entre os homens» (49). Por isso, ela é chamada a ser «sinal», «sacramento» e «instrumento» dessa comunhão que Deus quer estabelecer com todos os seres humanos. Ninguém está excluído (cf. tema 3) de participar no Reino de Deus, cuja realização plena acontecerá «além da história, em Deus» (49). A seguir, acrescenta-se que além de anunciar e comunicar o Evangelho — difundir «pelo mundo os ‘valores evangélicos’» — a missão da Igreja consiste também em constituir «novas comunidades cristãs» (50). Insiste-se que a sua meta é sempre escatológica (cf. 51). Por isso, a Igreja não se pode confundir «com a comunidade política nem está ligada a nenhum sistema político» (50).

Igreja, Reino de Deus e renovação das relações sociais

A salvação oferecida por Deus, em Jesus Cristo, «não redime somente a pessoa individual, mas também as relações sociais entre os homens» (52). A tarefa de transformar as relações sociais, «que responde às exigências do Reino de Deus», é uma competência da Igreja presente em cada comunidade cristã, «que a deve elaborar e realizar através da reflexão e da praxe inspiradas no Evangelho» (53). Ela é «lugar de comunhão, de testemunho e de missão» e «fermento de redenção e transformação das relações sociais» (52). Neste contexto, relembra-se (cf. tema 2) a força e a eficácia do «novo mandamento do amor» para a transformação das relações entre os seres humanos. «Esta lei é chamada a tornar-se a medida e a norma última de todas as dinâmicas nas quais se desdobram as relações humanas» (54). Na verdade, inspirado em Deus («Deus é amor»: 1João 4, 8), o amor entre os humanos é o «instrumento mais potente de mudança, no plano pessoal assim como no social. O amor recíproco, participação no amor infinito de Deus é, com efeito, o autêntico fim, histórico e transcendente, da humanidade. Portanto, ‘embora o progresso terreno se deva cuidadosamente distinguir do crescimento do Reino de Cristo, todavia, na medida em que possa conferir uma melhor ordenação à sociedade humana, interessa muito ao Reino de Deus’» (55).

Novos céus e nova terra

«A promessa de Deus e a ressurreição de Jesus Cristo suscitam nos cristãos a fundada esperança de que para todas as pessoas humanas é preparada uma nova e eterna morada, uma terra em que habita a justiça» (56). A meta é (sempre) escatológica. Contudo, não dispensa, antes pelo contrário, compromete o cristão no amadurecimento da história e das relações entre os humanos que «alcançam a sua perfeição graças ao empenho em melhorar o mundo, na justiça e na paz» (58). Até porque «a configuração com Cristo e a contemplação do seu Rosto», que são fundamentais para o cristão, infundem neste «um anelo indelével por antecipar neste mundo, no âmbito das relações humanas, o que será realidade no mundo definitivo» (58). Trata-se de levar à plenitude a prática das boas obras: as obras de misericórdia (cf. 57): «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes» (Mateus 25, 40).

Maria e o seu 'fiat' ao desígnio de amor de Deus

Este ponto termina com a referência a Maria. Ela, «herdeira da esperança dos justos de Israel» e a primeira entre os discípulos, acolhe Jesus Cristo («o enviado do Pai, o Salvador»), «em nome de toda a humanidade. [...] Maria, totalmente dependente de Deus e toda orientada para Ele, com o impulso da sua fé ‘é a imagem mais perfeita da liberdade e da libertação da humanidade e do cosmos’» (59).

© Laboratório da fé, 2014 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.10.14 | Sem comentários
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