Mistério da fé! [37]


«O Matrimónio assenta no consentimento dos contraentes, quer dizer, na vontade de se darem mútua e definitivamente, com o fim de viverem uma aliança de amor fiel e fecundo» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1662). O Matrimónio é, por excelência, o sacramento do amor. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Génesis 2, 18-24; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1601 a 1620]

«Os dois serão uma só carne»

— refere o autor do livro do Génesis sobre a união matrimonial entre o homem e a mulher. Os primeiros capítulos do Génesis são uma meditação sapiencial sobre o ser humano nas suas três dimensões fundamentais: com Deus, com o mundo, com os seus semelhantes. O segundo capítulo descreve o projeto de Deus sobre a Humanidade e sobre a realidade criada: um plano a transbordar de harmonia. Neste projeto, a criação do ser humano surge como corolário de toda a obra divina. No segundo capítulo, fica claro que o ser humano foi criado para a relação: «o homem deixará o pai e a mãe, para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne». A expressão «costela do homem» (versículos 21 e 22) usada para designar a mulher expressa a profundidade da relação humana. Assim, o masculino (homem) e o feminino (mulher) descobrem-se mutuamente como seres criados por Deus com a mesma dignidade e grandeza. Neste segundo capítulo destaca-se a relação entre os dois, enquanto que, no primeiro capítulo, evidencia a dignidade de ambos: «Deus disse: ‘Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança’ [...]. Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher» (capítulo 1, versículos 26 e 27). A possibilidade de comunhão é tão profunda que passam a ser «uma só carne».

Matrimónio

O Matrimónio é uma «íntima comunhão (comunidade) de vida e de amor» — assim o designam vários documentos da Igreja, atribuindo a sua origem a Deus (cf., por exemplo, a Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual — «Gaudium et Spes», 48). Aliás, «todas as religiões deram um sentido sagrado à união do homem e da mulher, origem da vida e colaboração explícita com a obra criadora de Deus» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 177). Deus é o autor do matrimónio porque grava no coração do homem e da mulher a capacidade (e também a responsabilidade) do amor e da comunhão. «Desde a origem, a Bíblia mostra que o casamento não é um dado natural sem mais, algo que Deus teria criado como todas as outras coisas. [...] A Bíblia parece sugerir que é exatamente nesta dualidade de amor que se deve ver a ‘imagem e semelhança de Deus’. [...] Não é por sua própria iniciativa ou impelidos pela paixão que se dão um ao outro; não: é o próprio Deus quem os dá um ao outro» (Godfried Danneels, «A alegria de uma pertença», ed. Lucerna, Cascais 2014, 112).

Amor

«A imagem de Deus é o casal no matrimónio: o homem e a mulher; não só o homem, não somente a mulher, mas os dois juntos. Esta é a imagem de Deus: o amor, a aliança de Deus connosco está representada na aliança entre o homem e a mulher. [...] Somos criados para amar, como reflexo de Deus e do seu amor. Na união conjugal o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva. Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do Matrimónio, Deus, por assim dizer, ‘espelha-se’ neles, imprime neles os seus lineamentos e o caráter indelével do seu amor. O matrimónio é o ícone do amor de Deus por nós. Com efeito, também Deus é comunhão: as três Pessoas do Pai, Filho e Espírito Santo vivem desde sempre e para sempre em unidade perfeita. É precisamente nisto que consiste o mistério do Matrimónio: dos dois esposos Deus faz uma só existência. A Bíblia usa uma expressão forte e diz ‘uma só carne’, tão íntima é a união entre o homem e a mulher no matrimónio! Eis precisamente o mistério do matrimónio: o amor de Deus reflete-se no casal que decide viver junto. Por isso, o homem deixa a sua casa, a casa dos seus pais, e vai viver com a sua mulher, unindo-se tão fortemente a ela que os dois se tornam — reza a Bíblia — uma só carne» (Francisco, Audiência Geral de 2 de abril de 2014).

«Assim como o Batismo permite reconhecer a chamada a tornar-se, em Cristo, filhos de Deus, assim também o sacramento do Matrimónio permite reconhecer a palavra de amor que faz com que um homem e uma mulher sejam uma só carne» (Carlo Maria Martini, «O corpo», Paulinas, Prior Velho 2003, 64).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.6.14 | Sem comentários
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