Mistério da fé! [30]


O Sacramento da Unção dos Enfermos associa a si aspetos que devem ser tidos em conta, na preparação, na celebração e até depois da celebração. Quem, como, quando e onde — são questões que sintetizam alguns desses pontos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Tiago 5, 13-15; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1514 a 1519]

«Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja»

— exorta a carta pastoral atribuída a Tiago, demonstrando que se trata «de uma prática que já se usava na época dos Apóstolos. Com efeito, Jesus ensinou aos seus discípulos a ter a sua mesma predileção pelos doentes e pelos sofredores e transmitiu-lhes a capacidade e a tarefa de continuar a conceder no seu nome e segundo o seu coração alívio e paz, através da graça especial deste Sacramento» (Francisco, Audiência Geral de 26 de fevereiro de 2014).

Quem pode pedir/receber a Santa Unção?

Qualquer cristão pode pedir a celebração da Santa Unção, desde que esteja numa situação de doença ou de velhice. «Não é sacramento só dos que estão no fim da vida. É já certamente tempo oportuno para a receber quando o fiel começa, por doença ou por velhice, a estar em perigo de morte» (Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium», 73). Além disso, «se um doente que recebeu a Unção recupera a saúde, pode, em caso de nova enfermidade grave, receber outra vez este sacramento. No decurso da mesma doença, este sacramento pode ser repetido se o mal se agrava. É conveniente receber a Unção dos Enfermos antes duma operação cirúrgica importante. E o mesmo se diga a respeito das pessoas de idade, cuja fragilidade se acentua» (CIC 1515). [cf. Ritual Romano da Unção e Pastoral dos Doentes. Preliminares, 8-15]

Quem pode presidir à Santa Unção?

«A presidência da celebração da Unção dos Enfermos está reservada aos bispos e aos presbíteros. É Cristo que, por força da sua ordenação, age através deles» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 246).

Como é celebrada a Santa Unção?

«O rito essencial na celebração da Unção dos Enfermos consiste numa unção da testa e das mãos com o Santo Óleo, acompanhada de orações» (YOUCAT 244). Depois dos ritos iniciais e da Liturgia da Palavra (como acontece em todos os sacramentos), o presbítero ou o bispo impõe, em silêncio, as mãos sobre a cabeça do enfermo («é a epiclese própria deste sacramento» [CIC 1519]); unge o doente na fronte e nas mãos ao mesmo tempo que pronuncia a oração: «Por esta santa Unção e pela sua infinita misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo [Amen] para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua bondade, alivie os teus sofrimentos. [Amen]» (Ritual da Unção e Pastoral dos Doentes, 76); seguem-se outras orações e momentos de acordo com as várias possibilidades apresentadas no Ritual da Unção e Pastoral dos Doentes: Visita e comunhão dos doentes; Ritual da unção do doente (dentro ou fora da Missa); Viático (dentro ou fora da Missa); Ritual da administração dos sacramentos ao doente em perigo de vida; Confirmação em perigo de vida; Encomendação dos moribundos.

Quando se pode celebrar a Santa Unção?

Sempre que necessário, observadas as condições referidos no que foi dito sobre quem pode pedir/receber a Santa Unção (cf. também os temas 28 e 29). «Há duas atitudes erradas que, enquanto, depender da gente, devem ser evitadas: nunca chamar o padre; esperar para chamar tarde demais. [...] Já é tempo de acabar com certas ignorâncias a respeito da Unção dos Enfermos» (José Ribólla, «Os Sacramentos trocados em miúdo», Editora Santuário, Aparecida 1990, 238).

Onde se pode celebrar a Santa Unção?

O local (adequado) para a celebração é a igreja paroquial, o lugar onde a comunidade se reúne em nome de Jesus Cristo. No entanto, de acordo com as circunstâncias (cf. tema 5), há outros lugares onde pode acontecer a celebração da Santa Unção: no hospital; na casa do doente. Em qualquer caso, convém não esquecer que «como todos os sacramentos, a Unção dos Enfermos é uma celebração litúrgica e comunitária, quer tenha lugar no seio da família, quer no hospital ou na igreja, para um só doente ou para um grupo deles» (CIC 1517).

Em Jesus, «Deus está presente. Ele impõe as mãos, toca os doentes. [...] O amor de Cristo pelos doentes perdura na Igreja, que os rodeia da sua solicitude pastoral, dos seus serviços caritativos, da sua oração» (Godfried Danneels, «A alegria de uma pertença», ed. Lucerna, Cascais 2014, 105-107).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.5.14 | Sem comentários
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