Mistério da fé! [32]


Há dois sacramentos cuja finalidade principal está orientada para a salvação dos outros, para o serviço aos outros: são a Ordem e o Matrimónio. A estes podemos chamar de Sacramentos ao serviço da Comunidade ou Sacramentos ao serviço da Comunhão. [Para ajudar a compreender melhor, ler: 1João 4, 7-21; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1533 a 1535]

«Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus»

— insiste a Primeira Carta de João. O mandamento do amor ajuda-nos a entender o sentido profundo do serviço aos outros dado a conhecer através dos sacramentos da Ordem e do Matrimónio. O fundamento primordial da vocação cristã é «um amor sem reservas que nos precede, sustenta e chama ao longo do caminho da vida e que tem a sua raiz na gratuidade absoluta de Deus. [...] Na realidade, a medida alta da vida cristã consiste em amar ‘como’ Deus; trata-se de um amor que, no dom total de si, se manifesta fiel e fecundo. À prioresa do mosteiro de Segóvia, que fizera saber a São João da Cruz a pena que sentia pela dramática situação de suspensão em que ele então se encontrava, este santo responde convidando-a a agir como Deus: ‘A única coisa que deve pensar é que tudo é predisposto por Deus; e onde não há amor, semeie amor e recolherá amor’ (Epistolário, 26). Neste terreno de um coração em oblação, na abertura ao amor de Deus e como fruto deste amor, nascem e crescem todas as vocações. E é bebendo nesta fonte durante a oração, através duma familiaridade assídua com a Palavra e os Sacramentos, nomeadamente a Eucaristia, que é possível viver o amor ao próximo, em cujo rosto se aprende a vislumbrar o de Cristo Senhor (cf. Mateus 25, 31-46)» (Bento XVI, Mensagem para o 49.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações).

Sacramentos

Os sacramentos não existem para nos sentirmos bem, para uma satisfação pessoal. Os sacramentos servem «para nos tornarmos, nós mesmos, um sacramento, um sinal. Recebendo os sacramentos queremos identificar-nos cada vez mais com Cristo. E isso para podermos ser um sinal de Cristo no mundo através do nosso testemunho de vida, pelas nossas atitudes e palavras. Para podermos, com Cristo, ser sinal do Reino» (José Ribólla, «Os Sacramentos trocados em miúdo», Editora Santuário, Aparecida 1990, 29). Além disso, os sacramentos respondem às situações fundamentais e concretas da vida humana: «ao começo de uma vida nova (Batismo), ao crescimento na maturidade e opção por um projeto ideal de vida (Confirmação), ao alimento contínuo da vida (Eucaristia), ao peso e à dor do pecado e da culpa (Penitência), ao momento do sofrimento (Unção dos Enfermos), à comunidade de amor e de vida (Matrimónio) e ao serviço consagrado aos outros irmãos (Ordem). Os sacramentos assumem, pois, as situações mais importantes da vida humana e santificam-nas para fazermos da nossa vida uma história de salvação em Cristo. Cada sacramento santifica a situação que assume» (Manuel Pelino - António Marto, «Caminho para a vida. Catequese para o Povo de Deus: 2, Secretariado Nacional da Educação Cristã, Lisboa 1993, 209).
[Para completar o significado do termo «sacramento» ler os temas 6, 7 e 23].

Serviço da Comunidade

«Os três Sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia, juntos, constituem o mistério da ‘iniciação cristã’, um único e grande acontecimento de graça que nos regenera em Cristo. Esta é a vocação fundamental que irmana todos na Igreja [...]. Além disso, há dois Sacramentos que correspondem a duas vocações específicas: eles são o da Ordem e do Matrimónio. Eles constituem dois caminhos grandiosos através dos quais o cristão pode fazer da própria vida um dom de amor, a exemplo e no nome de Cristo, cooperando assim para a edificação da Igreja» (Francisco, Audiência Geral de 26 de março de 2014). Ambos «são instituídos para os outros. Ninguém é simplesmente ordenado para si mesmo, como ninguém entra no estado matrimonial apenas para proveito próprio. Os sacramentos da Ordem e do Matrimónio visam a construção do Povo de Deus, isto é, eles são um canal através do qual Deus faz o amor fluir para o mundo» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 248).

«A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco [...]. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno» (Francisco, Mensagem para o 51.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, 11 de maio de 2014).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.5.14 | Sem comentários
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