Mistério da fé! [33]


A Igreja é «uma comunidade sacerdotal. Os fiéis exercem o seu sacerdócio batismal através da participação, cada qual segundo a sua vocação própria, na missão de Cristo, sacerdote, profeta e rei» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1546). Mas, ao serviço do «sacerdócio comum dos fiéis» (batizados), existe o «sacerdócio ministerial», conferido pelo Sacramento da Ordem. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Hebreus 5, 1-10; Catecismo da Igreja Católica, números 1536 a 1553]

«Tomado de entre os homens é constituído em favor dos homens,

nas coisas respeitantes a Deus»

— afirma o autor da Carta aos Hebreus para referir a missão do «Sumo Sacerdote». Esta Carta serve-se da tradição judaica para dar a conhecer a plenitude da novidade do cristianismo: Jesus Cristo é constituído, de uma vez para sempre, como o único e verdadeiro «sacerdote». No texto, o sacerdote é descrito com três elementos: a definição geral do sacerdote, mediador entre os seres humanos e Deus; a relação do sacerdote com os pecadores; a relação do sacerdote com Deus. Para aprofundar o tema, aconselha-se a leitura dos capítulos 28 e 29 do livro do Êxodo e todo o livro do Levítico.

Ordem

«A palavra ‘Ordo’, ‘ordem’, aplicava-se no uso civil romano, com um sentido colegial, a um grupo social, distinto do resto do povo: a ordem dos senadores, dos cavaleiros. Muito cedo passou a usar-se em registo cristão para designar os ministros dentro da comunidade: a ordem dos bispos, dos presbíteros, dos diáconos. E chamou-se ‘ordenação’ à celebração sacramental, na qual, com orações e gestos simbólicos, se confere a graça e o poder dos diversos ministérios, introduzindo uma pessoa na ‘ordem’ correspondente» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 210).

Sacerdócio

A palavra «sacerdócio» está relacionada com dois termos latinos que exprimem a capacidade de «dar» o «sagrado» («sacer», em latim). Ora, «em todas as religiões há pessoas constituídas como mediadoras entre a divindade – o sagrado, o transcendente – e o povo. Pessoas que trazem ao povo, da parte da divindade, a palavra ou o oráculo, e que levam à divindade, da parte do povo, a oração ou o sacrifício. [...] Em Israel, considerava-se que o povo inteiro, face às outras nações, exercia um verdadeiro sacerdócio (cf. Êxodo 19, 6), mas dentro da própria comunidade, foi-se estruturando, para o culto e para a palavra, o sacerdócio de determinadas pessoas, sobretudo da tribo de Levi (os levitas) e os descendentes de Aarão, em particular, quando já no Templo de Jerusalém se organizou o culto a Javé. [...] A grande novidade e plenitude do Cristianismo foi a convicção de que Jesus Cristo tinha sido constituído de uma vez por todas como o único e verdadeiro Sacerdote da Nova Aliança, que ‘não penetrou num santuário feito por mãos de homem, mas no próprio Céu, para se apresentar agora diante da aceitação de Deus em nosso favor’, como ‘Sumo Sacerdote dos bens futuros’, oferecendo-se a si mesmo como sacrifício definitivo por toda a humanidade: cf. Hebreus 3, 1; 4, 14ss; 9; 10… Cristo é o profeta e mestre que nos vem da parte de Deus e o sacerdote que se oferece a si mesmo como sacrifício em nome de toda a humanidade» (DEL 263).

Ministerial

A Igreja apresenta dois modos de participar no sacerdócio de Jesus Cristo: o «sacerdócio comum dos fiéis» e o «sacerdócio ministerial». Aquele é pertença de todos os batizados. Este é missão dos que, pelo sacramento da Ordem, «participam do sacerdócio de Cristo de um modo distinto, recebendo o Espírito que os faz atuar ‘in persona Christi Capitis’ (‘na pessoa de Cristo-Cabeça’), para serem pastores da comunidade» (DEL 264). É preciso compreender bem estas afirmações para não cair no erro de colocar em contraposição os dois modos eclesiais de «sacerdócio». Não há uma Igreja dualista! «O ministério do sacerdote ordenado só pode ser entendido como uma chamada ministerial particular para estar ao serviço do sacerdócio de todos os batizados. [...] É o sacerdócio dos batizados que determina a forma do sacerdócio ministerial, e não o contrário» (Catherine E. Clifford e Richard R. Gaillardetz, «As ‘chaves’ do Concílio», Paulinas Editora, Prior Velho, 2012, 138-139).

«A identidade sacerdotal só pode ser descoberta fazendo a pergunta mais básica: Que significa viver o sacerdócio comum dos fiéis? Quais são as exigências do autêntico discipulado cristão? Só quando tivermos uma noção das respostas a estas perguntas poderemos analisar de que modo o sacerdócio ministerial deve ser entendido» (Catherine E. Clifford e Richard R. Gaillardetz... 134).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.5.14 | Sem comentários
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