FELIZ DAQUELA QUE ACREDITOU


O mês de Maio, popularmente designado como «Mês de Maria», desafia-nos a entrar na «casa» de Maria para aprender dela o caminho da fé. É oportunidade para contemplar a luz que ilumina a vida de Maria, para que a nossa vida seja também envolvida por essa luz intensa. Neste caminho, um ponto inicial acontece aquando da visita do mensageiro de Deus. É a Anunciação do Anjo, o anúncio da Boa Nova que vem salvar o seu povo, ao qual se segue o «sim» humilde de Maria que acolhe a promessa. Nela, Deus vem habitar na casa da Humanidade. Nela, o Verbo faz-se carne. Nela, a Palavra de Deus é «luz para os homens». Humilde, simples, pobre, sem orgulho nem vaidade, Maria deixa-se penetrar pelo amor do seu Deus.

Maio, Mês de Maria: feliz daquela que acreditou!

A reflexão do papa Francisco sobre a fé termina com uma referência a Maria, «ícone perfeito da fé, como dirá Santa Isabel: ‘Feliz de ti que acreditaste’ (Lucas 1, 45)» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «A luz da fé» — LF], 58). Isabel proclama a felicidade de Maria associada à sua fé, ao seu acreditar. Este é outro ponto fundamental para compreender a figura de Maria. Ela foi «a primeira que acreditou e esperou em Cristo, a primeira que O seguiu desde sua vinda ao mundo até sua morte-ressurreição: uma prioridade que não é meramente temporal, mas qualitativamente supre­ma. A existência cristã ficou insuperavelmente configurada em Maria, em sua adesão pessoal a Cristo e na participação em sua missão salvadora: em síntese, em sua entrega a Cristo e com Ele aos homens. Assim aparece a conexão entre o sentido que Maria deu à sua vida e o sentido que cada cristão é chamado a dar à sua própria vida: a resposta permanente e sempre nova a Cristo na fé-esperança-amor, na entrega a Cristo e aos homens» (Juan Alfaro, «Maria, A bem-aventurada porque acreditou», Edições Loyola, S. Paulo 1986, 6). Por isso, o Papa afirma que em Maria se cumpre o que foi refletido sobre a fé: «que o crente se envolve todo na sua confissão de fé. Pelo seu vínculo com Jesus, Maria está intimamente associada com aquilo que acreditamos» (LF 59). Em tempo de Páscoa, «envolvido numa luz intensa», o cristão aprende com Maria a acompanhar Jesus Cristo, antes e depois da Ressurreição, como confirmam os Atos dos Apóstolos (capítulo 1, versículo 14): «E todos unidos pelo mesmo sentimento, entregavam-se assiduamente à oração, com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus». A felicidade de Maria no seu acreditar é um testemunho para todos os cristãos, quer da Igreja nascente, quer da Igreja do terceiro milénio. Por isso, «se a fé é sinónimo de ‘estar com Jesus’, Maria ensina-nos esta arte, desde que cada um encontre um tempo próprio, para que, livre de preocupações, saboreie a graça deste encontro, aprofundando o sentido da vida e restituindo esperança a quem se sente perplexo» (Dom Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga). Por fim, a Visitação de Maria à sua prima Isabel (festa litúrgica que se celebra no último dia do mês: 31 de maio) recorda que «Maria sai da sua casa natal, inicia a sua viagem, metáfora de todas as viagens da alma e da própria vida. Quando abres a tua vida a Deus, então nunca mais deves ter moradas. A dinâmica da existência processa-se do interior para o exterior, da própria casa para o espaço do mundo, do eu para o espaço dos afetos e das relações» (Ermes Ronchi, «As casas de Maria. Polifonia da existência e dos afetos», ed Paulinas, Prior Velho 2009, 25).

Laboratório da Fé celebrada

«Continuamos o encargo de ‘redescobrir a Identidade Cristã’ num compromisso de mergulhar numa compreensão mais consciente da fé. Ela é dom de Deus a acolher e compreender. Compreender através da reflexão e acolher mediante momentos de intimidade com Deus por Jesus Cristo e no Espírito Santo. Como peregrinos e membros dum Povo, necessitamos de olhar para referências e aproveitar os momentos favoráveis. […] Embora a devoção seja já antiga, o mês de Maio, particularmente, tornou-se um tempo carregado duma densidade mariana que não pode ser esquecida. […] Saibamos aproveitar este tempo e peçamos a Maria que nos coloque na dinâmica dos ‘eixos’ apontados pelo nosso Programa Pastoral: Domingo, Oração, sacramentos, Ministérios, Ano litúrgico e Religiosidade Popular. Tudo são itinerários para um encontro com Cristo presente na comunidade, pois ‘onde dois ou três estão reunidos no meu nome, Eu estarei no meio deles’ (Mateus 18, 20)» (Dom Jorge Ortiga).

© Laboratório da fé, 2014

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Feliz daquela que acreditou
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.14 | Sem comentários
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