ANO CRISTÃO


Bento XVI, em três Audiências Gerais (8 de abril de 200931 de março de 2010 e 20 de abril de 2011), explicou o sentido da Sexta-feira Santa, incluído no contexto do Tríduo Pascal, «coração da Semana Santa» e «alicerce de todo o ano litúrgico»: «fazemos memória da paixão e da morte do Senhor; adoraremos Cristo Crucificado, participaremos dos seus sofrimentos com a penitência e com o jejum». A Sexta-feira Santa, embora seja «um dia cheio de tristeza, é portanto ao mesmo tempo, um dia muito propício para despertar a nossa fé, para reforçar a nossa esperança e a coragem de carregar cada qual a sua cruz com humildade, confiança e abandono a Deus, na certeza do seu apoio e da sua vitória».

Chegamos à Sexta-feira Santa, dia da paixão e da crucifixão do Senhor. Todos os anos, estando em silêncio diante de Jesus pregado no madeiro da cruz, sentimos quanto são cheias de amor as palavras por Ele pronunciadas na vigília, durante a Última Ceia. «Isto é o Meu sangue, sangue da aliança, que vai ser derramado por muitos» (cf. Marcos 14, 24). Jesus quis oferecer a sua vida em sacrifício pela remissão dos pecados da humanidade. Como diante da Eucaristia, assim diante da paixão e morte de Jesus na Cruz o mistério torna-se insondável para a razão. Somos postos diante de algo que humanamente poderia parecer surdo: um Deus que não só se faz homem, com todas as necessidades do homem, não só sofre para salvar o homem assumindo toda a tragédia da humanidade, mas morre pelo homem.
A morte de Cristo recorda o cúmulo de sofrimento e de males que pesa sobre a humanidade de todas as épocas: o peso esmagador do nosso morrer, o ódio e a violência que ainda hoje ensanguentam a terra. A paixão do Senhor continua nos sofrimentos dos homens. Como justamente escreve Blaise Pascal, «Jesus permanecerá em agonia até ao fim do mundo; não se deve dormir durante este tempo» (Pensamentos, 553). Se a Sexta-feira Santa é um dia cheio de tristeza, é portanto ao mesmo tempo, um dia muito propício para despertar a nossa fé, para reforçar a nossa esperança e a coragem de carregar cada qual a sua cruz com humildade, confiança e abandono a Deus, na certeza do seu apoio e da sua vitória. A liturgia deste dia canta: «O Crux, ave, spes unica — Ave, ó cruz, única esperança».



Na Sexta-feira Santa faremos memória da paixão e da morte do Senhor. Jesus quis oferecer a sua vida em sacrifício pela remissão dos pecados da humanidade, escolhendo para esta finalidade a morte mais cruel e humilhante: a crucifixão. Existe uma relação inseparável entre a Última Ceia e a morte de Jesus. Na primeira Jesus oferece o seu Corpo e o seu Sangue, isto é, a sua existência terrena, oferece-se a si mesmo, antecipando a sua morte e transformando-a num ato de amor. Assim a morte que, por sua natureza, é o fim, a destruição de qualquer relação, é por ele tornada um ato de comunicação de si, instrumento de salvação e proclamação da vitória do amor. Deste modo, Jesus torna-se a chave para compreender a Última Ceia que é antecipação da transformação da morte violenta em sacrifício voluntário, em acto de amor que redime e salva o mundo.



Na Sexta-feira Santa fazemos memória da paixão e da morte do Senhor; adoraremos Cristo Crucificado, participaremos dos seus sofrimentos com a penitência e com o jejum. Dirigindo «o olhar para aquele que trespassaram» (cf. João 19, 37), poderíamos beber do seu coração dilacerado de onde jorra sangue e água como de uma nascente; daquele coração, do qual brota o amor de Deus por todos os humanos, recebemos o seu Espírito. Por conseguinte, acompanhemos também nós na Sexta-feira Santa Jesus que sobe ao Calvário, deixemo-nos guiar por Ele até à cruz, recebamos a oferenda do seu corpo imolado. [...]
Queridos amigos, procurámos compreender o estado de ânimo com que Jesus viveu o momento da prova extrema, para compreender o que orientava o seu agir. O critério que guiou cada opção de Jesus durante toda a sua vida foi a firme vontade de amar o Pai, de ser um com o Pai, e ser-lhe fiel; esta decisão de corresponder ao seu amor levou-o a abraçar, em todas as circunstâncias, o projeto do Pai, a fazer seu o desígnio de amor que lhe foi confiado de recapitular n'Ele todas as coisas, para reconduzir tudo a Ele. Ao reviver o Tríduo Santo, disponhamo-nos a aceitar também nós na nossa vida a vontade de Deus, conscientes que na vontade de Deus, mesmo se parece difícil, em contraste com as nossas intenções, encontra-se o nosso verdadeiro bem, o caminho da vida. A Virgem Mãe nos guie neste itinerário, e nos obtenha do seu Filho divino a graça de poder empregar a nossa vida por amor a Jesus, ao serviço dos irmãos.

© Libreria Editrice Vaticana
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014



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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.4.14 | Sem comentários
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