Mistério da fé! [27]


Os sinais e símbolos (cf. tema 3) ocupam um lugar importante no contexto da vida humana; o mesmo acontece no contexto litúrgico. Por isso, dedicamos este tema à explicação dos sinais e símbolos associados ao Sacramento da Penitência e da Reconciliação. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Lucas 15, 11-32; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1450 a 1460]

«Pai, pequei contra o Céu e contra ti»

— reconhece o filho mais novo da parábola do pai misericordioso (própria do evangelho segundo Lucas). «O jovem, arrependido, tenta acusar os seus pecados. O pai, porém, interrompe-o, pois percebe o arrependimento e a dor do filho que volta. E não só lhe dá o perdão, mas faz uma grande festa: Deus sempre faz festa quando o pecador se converte. [...] A história do pai misericordioso continua em nós» (José Bortolini, «Os Sacramentos na tua vida», São Paulo, Lisboa 1995, 94-95).

Reconciliação

Na designação deste sacramento surge o termo «penitência»: «é chamado sacramento da Penitência, porque consagra uma caminhada pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação por parte do cristão pecador» (CIC 1423).

Arrependimento

A celebração é preparada com um «exame de consciência, feito à luz da Palavra de Deus» (CIC 1454): «Todos os cristãos se devem preparar para a celebração do Sacramento, antes de mais pela oração. Mas a preparação próxima é, sem dúvida, a comparação da própria vida com o exemplo e os ensinamentos de Jesus. É a isto que chamamos o Exame de Consciência» (Secretariado Nacional da Educação Cristã, «Estou com Jesus. Guia do Catequista», Lisboa 1992, 141). Este «exame» há de provocar o arrependimento ou contrição. Embora se possa dizer que «entre os atos do penitente, a contrição ocupa o primeiro lugar» (CIC 1451), não se pode ignorar que o «primado» está no amor de Deus e no reconhecimento desse amor na vida de cada pessoa. Face ao reconhecimento do amor de Deus, «surge o desejo de melhorar; a isto chamamos ‘arrependimento’. A ele chegamos quando reparamos na contradição entre o amor de Deus e o nosso pecado. Então, enchemo-nos de dor pelo nosso pecado, propomo-nos a mudar a nossa vida e depositamos toda a nossa esperança na ajuda de Deus» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 229).

Confissão

«Chama-se confissão, sobretudo, à acusação dos pecados perante o ministro da Igreja, no sacramento da Reconciliação penitencial. É um dos ‘atos do penitente’ neste sacramento, junto com a dor interior, o propósito e as obras de conversão. Talvez o ato mais característico, na sensibilidade do povo cristão, de tal modo que, durante séculos, a este sacramento se lhe chamou ‘confissão, ir confessar-se’» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 81). Além de estar relacionada com a acusação dos pecados, a confissão também diz respeito ao «reconhecimento e louvor da santidade de Deus e da sua misericórdia para com o ser humano pecador» (CIC 1424).

Penitência

«A penitência é a reparação de uma injustiça cometida. Ela não deve acontecer apenas na cabeça, mas tem de se exteriorizar em atos de amor e em compromisso a favor dos outros» (YOUCAT 230). Neste sentido, a «penitência» (ou «satisfação») «não é só rezar umas orações apressadas, mas iniciar uma caminhada nova, caminhada de gente convertida e renovada pelo perdão» (José Bortolini, 92)..

Absolvição

«Do latim, ‘absolutio’ (absolver, desatar, perdoar, declarar livre de culpa ou obrigação). Em vida, Jesus Cristo perdoava, pessoal e diretamente, aos pecadores. Agora, é a Igreja que perdoa em nome de Cristo [...] A absolvição é a resposta à palavra de humilde acusação do penitente. Ao ‘eu me acuso’ responde o ‘eu te absolvo’, em nome de Deus. [...] A absolvição, com as suas palavras e os seus gestos, é o momento culminante do sacramento. Nela se torna visível e audível a aplicação a cada penitente da reconciliação que Cristo nos obteve na sua entrega pascal da Cruz» (DEL 14-15). Há dois gestos que, embora não sejam específicos deste sacramento, são, contudo, significativos: a imposição das mãos (ou, pelo menos, da mão direita) sobre a cabeça do penitente e o sinal da cruz.

«O momento após a absolvição é como um duche após o treino desportivo, como o ar fresco após uma tempestade de verão, como o despertar numa brilhante manhã de verão, como a leveza do mergulhador... Está tudo dito na palavra ‘reconciliação’ (re = novamente; concilium = concílio, união): a nossa relação com Deus fica novamente limpa» (YOUCAT 239).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.4.14 | Sem comentários
0 comentários:
Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
  • Recentes
  • Arquivo
  • Comentários