ANO CRISTÃO


O Secretariado de Liturgia da diocese do Porto, num artigo do jornal «Voz Portucalense» (4 de abril de 2007), apresenta a dinâmica do tempo de Páscoa, a partir da carta da Congregação para o Culto Divino sobre a «Preparação e Celebração das Festas Pascais». Em primeiro lugar, chama a atenção para a designação dos domingos: de Páscoa e não da Páscoa. E resume todos os pontos da referida carta, colocando em destaque a Iniciação Cristã, o tempo da «mistagogia» e a vivência pascal: «Mediante uma actividade pastoral mais diligente e um maior empenho espiritual por parte de todos e cada um, com a graça de Deus, será possível a quantos tiverem participado nas festas pascais testemunharem na vida o mistério da Páscoa celebrado na fé».

A celebração da Páscoa prolonga-se no tempo pascal. Os cinquenta dias que seguem o Domingo da Ressurreição até ao Domingo de Pentecostes, celebram-se na alegria como um único dia de festa, mais ainda, como o «grande Domingo» (Carta circular da Congregação para o Culto Divino, 1988, sobre Preparação e celebração das Festas Pascais [ PCFP], 100).
Os domingos deste tempo são considerados como «Domingos de Páscoa» e têm precedência sobre qualquer festa do Senhor e qualquer solenidade. As solenidades que ocorram nestes domingos devem transferir-se para a segunda-feira seguinte… (PCFP, 101).
Para os adultos que celebraram a Iniciação Cristã na Vigília Pascal, todo este tempo é reservado à «mistagogia» … Além disso, durante a Oitava da Páscoa faça-se em toda a parte na oração eucarística memória dos que receberam o Batismo na Vigília pascal (PCFP, 102).
Os neófitos tenham reservado um lugar especial entre os fiéis durante todo o tempo pascal, nas missas dominicais… Na homilia e, quando parecer oportuno, na oração universal ou dos fiéis, faça-se menção deles. Organize-se uma celebração especial, conforme os costumes de cada região, nas proximidades do Pentecostes, para terminar o tempo da mistagogia. É muito conveniente que as crianças façam a sua primeira comunhão nestes domingos pascais (PCFP, 103).
Durante o Tempo Pascal, os pastores instruam os fiéis já iniciados no Sacramento da Eucaristia sobre o significado do preceito da Igreja de receber neste tempo a sagrada comunhão. Muito se recomenda que, especialmente durante a Oitava de Páscoa, se leve a comunhão aos enfermos (PCFP, 104).
Onde é costume benzer as casas por ocasião das festas pascais, essa bênção seja feita pelo pároco ou por outros sacerdotes ou diáconos por ele delegados… O pároco acorra às casas, para fazer visita pastoral a cada família, mantenha um colóquio com os seus membros e com eles celebre um momento de oração, usando os textos do Ritual das Bênçãos (bênção anual nas casas). Nas grandes cidades veja-se a possibilidade de reunir várias famílias ao mesmo tempo, para celebrar em conjunto o rito da bênção (PCFP, 105).
Segundo a diversidade de países e culturas, existem muitos costumes populares, vinculados com as celebrações do Tempo Pascal, que porventura suscitam uma participação popular superior à das próprias celebrações litúrgicas. Tais costumes não devem ser desprezados, dado que, frequentemente, exprimem bem a mentalidade religiosa dos fiéis... (PCFP, 106)
O Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia refere algumas práticas ou tradições que se deverão manter e adequar: o encontro do Ressuscitado com a Mãe, a bênção da mesa familiar, a saudação pascal à Mãe do ressuscitado, com bênção e oferta de flores (149-151). Entre nós, o costume do anúncio pascal pelas casas (vulgo, «compasso»). Durante este tempo, como lembra o Diretório aludido, pode ter lugar a bênção anual das famílias (152), o exercício piedoso da «Via Lucis» (recordando as aparições do Ressuscitado – 153), a devoção à Misericórdia divina – Segundo Domingo de Páscoa – 154), a novena do Pentecostes e a Vigília de oração do Pentecostes (155-156).
Este sagrado tempo de cinquenta dias conclui-se com o Domingo de Pentecostes em que se comemora o dom do Espírito Santo derramado sobre os Apóstolos, os primórdios da Igreja e o início da sua missão a «todas as línguas, povos e nações».
Recomenda-se a celebração prolongada da Missa da Vigília de Pentecostes, que não tem um caráter batismal como a Vigília de Páscoa, mas antes o de oração intensa, segundo o exemplo dos Apóstolos e discípulos, que perseveravam unânimes em oração com Maria, a Mãe de Jesus, esperando o dom do Espírito Santo (PCFP, 107).
«É próprio da festa pascal que toda a Igreja se alegre pelo perdão dos pecados, concedido não só àqueles que renasceram por meio do santo Batismo, mas também àqueles que já são contados há mais tempo no número dos filhos adoptivos de Deus».
Mediante uma actividade pastoral mais diligente e um maior empenho espiritual por parte de todos e cada um, com a graça de Deus, será possível a quantos tiverem participado nas festas pascais testemunharem na vida o mistério da Páscoa celebrado na fé (PCFP, 108).

© SDL | Voz Portucalense
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014



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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.4.14 | Sem comentários
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