CELEBRAR O DOMINGO SEGUNDO DE PÁSCOA

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



Na tarde daquele dia, o primeiro da semana

É dia de Páscoa, dia da Ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Naquele dia, o primeiro da semana, Jesus Cristo apresentou-se no meio dos discípulos e eles «ficaram cheios de alegria». Mais à frente, diz o texto evangélico: «Oito dias depois»... o mesmo Jesus Cristo volta a colocar-se no meio dos discípulos. Acaba de nascer o domingo. A partir desse dia, os discípulos sabem que a cada oito dias o Senhor Jesus Cristo apresenta-se no meio para lhes dar o Espírito saudando-os da mesma forma: «A paz esteja convosco». Cada domingo é Páscoa. Deixa de haver uma celebração pascal apenas uma vez no ano, como faziam os judeus. Agora, Páscoa é todos os domingos. Os discípulos reunem-se e o Senhor Ressuscitado apresenta-se no meio deles. E escutam a sua Palavra. E partem o Pão com alegria. Assim relatam os Atos dos Apóstolos: «Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. [...] Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. [...] Partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração, louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo». Desta forma, a comunidade cristã — com Jesus Cristo no centro — converte-se em sinal de um mundo novo, em sinal do Reino de Deus.



A alegria de acreditar

A Páscoa é o tempo da fé. O segundo domingo de Páscoa é, todos os anos, dominado pela figura de Tomé, que nos desafia à alegria de acreditar. Jesus Cristo declara «felizes os que acreditam sem terem visto», os que abrem o coração à vida nova oferecida pela ressurreição. Nascidos na Páscoa, batizados em Cristo, somos os crentes de hoje chamados a construir a Igreja, apoiados no sinal de Cristo Servo: a nossa comunidade é fiel à escuta da Palavra, à oração, à comunhão, ao serviço aos outros? A Eucaristia é fonte de caridade e de alegria para todos os seres humanos.



Arte de celebrar

CINQUENTA DIAS DE PÁSCOA. É sempre Páscoa! Os domingos seguintes ao «primeiro» não são domingos «após» ou «depois da» Páscoa. São domingos «de Páscoa». A Igreja celebra a ressurreição de Jesus Cristo ao longo de cinquenta dias. Ora, isto tem de estar visível e tem de ser proclamado. A decoração floral, o Círio Pascal, a aspersão com a água (em todos os domingos), a iluminação do altar, do ambão e da fonte batismal, e todos os sinais e símbolos presentes na Vigília Pascal têm de estar presentes e visíveis em todas as celebrações até ao dia de Pentecostes. Sem esquecer a parte musical: os cânticos escolhidos hão de ajudar a perceber o contexto pascal; tal como o «Aleluia», que há de ser cantado com solenidade antes e depois da proclamação do evangelho.



Fé celebrada com a comunidade

  • O Senhor esteja convosco. A Igreja está em Páscoa! Vive a alegria da Ressurreição. Os sinais e os símbolos relativos ao tempo de Páscoa precisam de estar bem presentes e bem cuidados: Círio Pascal; fonte batismal; arranjos florais; frase (lema) para o tempo pascal; limpeza e iluminação cuidada do espaço litúrgico. E, na celebração, as palavras e os gestos feitos com simplicidade e beleza, com destaque para a saudação («A paz esteja convosco!») e a bênção final («Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós»).
  • A alegria esteja convosco. A alegria, fruto do Espírito Santo, é capaz de nos transfigurar — afirma Pedro (na Primeira Carta, capítulo 1, versículos 3 a 9). Jesus Cristo também sublinha a alegria daqueles que acreditam sem terem visto e se tornam suas testemunhas. Esta alegria esteja presente em todos os membros da assembleia, com destaque para os leitores, quer aquando da proclamação, quer também aquando da deslocação para o ambão e do regresso aos seus lugares na assembleia. A mesma alegria há de ser «inefável e gloriosa» durante a profissão de fé com recurso à fórmula batismal (a mesma que foi usada na Vigília Pascal).
  • A paz esteja convosco. Como nos primeiros dias da jovem Igreja, também vamos partir o pão. Se for o caso, os neófitos (novos batizados na Vigília Pascal) são convidados a tomar parte na procissão dos dons, vinda do meio da assembleia, pelo menos com os elementos essenciais: pão e vinho. E, depois, não esquecer a simplicidade expressiva do gesto da paz.
  • A fé esteja convosco. No número 39 da Carta Encíclica sobre a fé — «Lumen Fidei», o papa Francisco chama a atenção para algo que deveria ser «óbvio» (mas que anda meio esquecido): é impossível acreditar sozinhos porque a fé nunca é só uma opção individual. Ela abre-nos do «eu» ao «nós» e acontece sempre «dentro da comunhão da Igreja». O exemplo da primeira comunidade cristã (Atos 2, 42-47) serve, sobretudo, para nos lembrar os pilares importantes para a vivência da fé cristã: a escuta da Palavra, a oração, a Eucaristia, a caridade e a partilha, no serviço dos outros.



Fé celebrada com a catequese

  • «Felizes os que acreditam sem terem visto». No momento da profissão de fé (Credo), dar às crianças a oportunidade de se expressarem. Este momento pode ser preparado antecipadamente, no encontro de catequese: um painel com a bem-aventurança escrita no centro («Felizes os que acreditam»). Cada criança aproxima-se e cola um desenho, uma imagem recortada de uma revista, ou escreve uma frase, para expressar o que significa acreditar em Jesus Cristo: o testemunho de alguém; o amor em família, alegria no rosto; partilha — são alguns exemplos exemplos.

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo segundo de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.4.14 | Sem comentários
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