Vale a pena estar agradecidos


A palavra «pontífice» vem do latim e foi adoptada pela Igreja quando esta se converteu em Estado, como parte na herança do Império Romano. Pontífice é «o que constrói pontes entre Deus e os seres humanos». Mas, este Papa, além de estabelecer pontes, navega nos rios, para se aproximar de uns e de outros, molhando-se e molhando-nos. Leva, na sua mochila interior, o manual e o estilo para o caminho: o Evangelho de Jesus como mensagem de alegria para o mundo.
Ao seguir a sua trajetória de 365 dias, desde o primeiro instante ao aparecer na varanda do Vaticano para se apresentar ao mundo, vemos que iniciou um tratamento de choque, começando pelos detalhes mais externos: as suas vestes papais exibiam uma simplicidade a que estávamos poucos habituados. Depois, veio um olhar de estremecimento diante da multidão que estava na Praça e diante dos meios de comunicação d todo o mundo; em seguida, uma simples petição: rezar todos juntos.
Voltei a ler os meus desejos escritos no ano passado enquanto se celebrava o conclave; o que pedia ao novo futuro Papa. Contudo, tenho de me beliscar para não pensar que estou a sonhar... há coisas que estão a fazer caminho na Igreja: está a cair muita folha seca, estão a abrir-se janelas para deixar entrar o ar fresco do Espírito e portas para acolher quem quer que se aproxime. Estão a fazer-se coisas inimagináveis há treze, quatorze, quinze meses... e muitos anos atrás.
Para a frente, ainda há muito para fazer, muita paciência, mas os sinais de esperança animam a espera e dá a alegria capaz de eliminar a cor cinzenta das relações.

Vale a pena estar agradecidos. Por isso, quero dar graças a Deus, doze vezes, uma por mês, desde a eleição do papa Francisco:
1. Obrigado, porque sabe comover-se sem vergonha;
2. Obrigado, porque pede que rezemos por ele, mostrando a sua própria debilidade;
3. Obrigado, porque sabe abeirar-se e beijar;
4. Obrigado, porque continua a usar uns sapatos que indicam que há ainda muito caminho a percorrer juntos;
5. Obrigado, porque não gosta de viver sozinho: come, reza e celebra a Eucaristia de forma próxima;
6. Obrigado, porque deixa que as crianças se aproximem dele;
7. Obrigado, porque se coloca contra os poderes do mundo e denuncia-os como em Lampedusa;
8. Obrigado, porque dialoga e responde às perguntas;
9. Obrigado, porque pegou na vassoura para varrer a sujidade do interior da Igreja;
10. Obrigado, porque aos pobres dá prioridade, aos leigos maioridade, às mulheres mais amplo espaço vital na Igreja (embora de sacerdócio, de momento, «nada de nada»);
11. Obrigado, porque fala uma linguagem que pode ser entendida pelo estudioso e pelo que não pôde estudar, pelo teólogo e pelo recém convertido, pelo que trabalha no campo e pelo que terminou a sua tese de doutoramento, por todos. Ah!... e não esquece o II Concílio do Vaticano e a Teologia da Libertação;
12. Obrigado, porque nos deu a Exortação «A alegria do Evangelho» («Evangelii Gaudium»).

Aqui vai o meu agradecimento em doze pontos, que poderiam ser mais. Continuemos a rezar pelo papa Francisco, como ele nos pede.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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O Evangelho da alegria e a alegria do Evangelho

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.3.14 | Sem comentários
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