Mistério da fé! [25]


«O perdão dos pecados cometidos depois do Batismo é concedido por meio dum sacramento próprio, chamado sacramento da Conversão, da Confissão, da Penitência ou da Reconciliação» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1486). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Marcos 2, 1-12; Catecismo da Igreja Católica, números 1440 a 1449]

«Os teus pecados estão perdoados»

— diz Jesus Cristo ao paralítico, provocando o espanto de todos os presentes. Eis a ação de Deus! «O poder de perdoar é prerrogativa de Deus (Êxodo 34,6-7; Isaías 1,18) e o perdão dos pecados é o dom messiânico por excelência (Jeremias 31, 31-34 nota; Ezequiel 36, 25 nota). Reivindicando e exercendo a função de perdoar, Jesus revela-se como o Messias» (Bíblia Sagrada, Nota ao texto de Marcos, Difusora Bíblica, 1628). Jesus Cristo é o Filho de Deus e, por isso, tem «na terra» o poder de perdoar os pecados. Apesar da controvérsia provocada pelos «doutores da Lei», Jesus Cristo não discute o perdão de Deus, mas o modo de oferecer o perdão e as suas consequências para a pessoa que o recebe. Para Jesus Cristo, o perdão não é fruto do cumprimento da Lei, mas um dom gratuito que Deus concede por amor. Por isso, o perdão precede a cura. O perdão tem a capacidade de transformar totalmente a pessoa que o recebe, até mesmo fisicamente: «Ele levantou-se e, pegando logo no catre, saiu à vista de todos, de modo que todos se maravilhavam e glorificavam a Deus» (Marcos 2, 12). De facto, «uma das notas características e profundas da Bíblia, tanto do Antigo como do Novo Testamento, é o perdão do amor, da bondade, da misericórdia de Deus. A Bíblia toda é ‘costurada’ pelo fio de meada do perdão» (José Ribólla, «Os Sacramentos trocados em miúdo», Editora Santuário, Aparecida 1990, 212).

Reconciliação

O Sacramento da Penitência e da Reconciliação também «é chamado sacramento do perdão, porque, pela absolvição sacramental do sacerdote, Deus concede ao penitente ‘o perdão e a paz’» (CIC 1424). Eis a fórmula de absolvição: «Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo» (Ritual Romano da Celebração da Penitência, 46).

Perdão

«O perdão é a expressão máxima do amor, da bondade, da misericórdia. Como é bom, como a gente se sente bem, no fundo do coração, quando a gente perdoa e é perdoado. O perdão é a coisa que mais nos aproxima de Deus. [...] Mesmo quando o ser humano rompe com Deus, Deus não reage ao rompimento trancando a porta por dentro. A porta de Deus fica sempre aberta: assim é Deus-Pai. Deus jamais rompe. Deus sempre perdoa!» (José Ribólla). A primeira grande convicção que temos de interiorizar é que o perdão, antes de mais, é sempre um dom (uma oferta) e não um mérito que se conquista com o arrependimento. Por isso, o cristão ofendido não pode ficar à espera que quem o ofendeu lhe peça perdão. O perdão é dado antecipadamente, é ato gratuito e desinteressado, dado por amor. Se isto se aplica à relação entre os humanos, muito mais se aplica à relação de Deus connosco. «O perdão não é fruto dos nossos esforços, mas uma dádiva, um dom do Espírito Santo, que nos enche do lavacro de misericórdia e de graça que brota incessantemente do Coração aberto de Cristo Crucificado e Ressuscitado» (Francisco, Audiência Geral de 5 de março de 2014). É certo que «o divino Salvador e a sua ação salvífica, certamente, não estão ligados a um sinal sacramental, de maneira a não poderem em qualquer tempo e circunstância da história da salvação agir fora e acima dos Sacramentos. Mas na escola da fé aprendemos que o mesmo Salvador quis e dispôs que os humildes e preciosos Sacramentos da fé sejam ordinariamente os meios eficazes, pelos quais passa e opera o seu poder redentor. Seria portanto insensato, além de presunçoso, querer prescindir arbitrariamente dos instrumentos de graça e de salvação que o Senhor dispôs e, no caso específico, pretender receber o perdão, pondo de lado o Sacramento, instituído por Cristo exatamente para o perdão» (João Paulo II, Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre a reconciliação e a penitência na missão da Igreja hoje — «Reconciliatio et Paenitentia», 31).

«Deus perdoa-te! [...] E isto é bom, é ter a segurança que Deus nos perdoa sempre, nunca se cansa de perdoar. E não devemos cansar-nos de ir pedir perdão» (Francisco, Audiência Geral de 20 de novembro de 2013).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.3.14 | Sem comentários
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