Mistério da fé! [24]


«A vida nova recebida na iniciação cristã não suprimiu a fragilidade e a fraqueza da natureza humana, nem a inclinação para o pecado, a que a tradição chama concupiscência, a qual persiste nos batizados, a fim de que prestem as suas provas no combate da vida cristã, ajudados pela graça de Cristo. Este combate é o da conversão, em vista da santidade e da vida eterna» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1426). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Mateus 4, 12-17; Catecismo da Igreja Católica, números 1422 a 1439]

«Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu»

— é o primeiro apelo de Jesus Cristo ao iniciar a sua missão, a chamada «vida pública». A mensagem de Jesus Cristo pede conversão. Isto significa deixar as seguranças e as rotinas para assumir uma vida nova, ou melhor, deixar-se surpreender pela novidade que é o próprio Jesus Cristo. Por isso, é Evangelho, isto é, Boa Nova.

Reconciliação

«Reconciliar é voltar a conciliar, fazer a união do que estava separado. A mensagem fundamental de Cristo foi a reconciliação com Deus, a conversão e o perdão. E também foi este o conteúdo básico, desde o princípio, da evangelização por parte da Igreja» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho 2007, 252). Este Sacramento de Cura toma, entre outros, o nome de Sacramento da Reconciliação «porque dá ao pecador o amor de Deus que reconcilia: ‘Deixai-vos reconciliar com Deus’ (2Coríntios 5, 20). Aquele que vive do amor misericordioso de Deus está pronto para responder ao apelo do Senhor: ‘Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão’ (Mateus 5, 24)» (CIC 1424). Neste sacramento, desde sempre, estão presentes duas dimensões que nunca se podem separar: a reconciliação com Deus e a reconciliação com a comunidade cristã.

Conversão

«É chamado sacramento da conversão, porque realiza sacramentalmente o apelo de Jesus à conversão e o esforço de regressar à casa do Pai da qual o pecador se afastou pelo pecado» (CIC 1423). Este apelo de Jesus Cristo não se circunscreve a um abandono dos pecados anteriores ou à confissão desses pecados. O que está em causa é uma mudança de direção, a situar-se num novo conjunto de valores, a mudar de critérios, a deixar-se conduzir pelo Evangelho. Este é o núcleo da pregação de Jesus Cristo e há de ser também o núcleo da pregação dos seus discípulos e da Igreja. «Este convite à conversão constitui a conclusão vital do anúncio feito pelos Apóstolos depois do Pentecostes. [...] Já não é genericamente o ‘reino’, mas a própria obra de Jesus, inscrita no plano divino prenunciado pelos profetas. Ao anúncio de quanto ocorreu com Jesus Cristo, morto, ressuscitado e vivo na glória do Pai, segue o premente convite à ‘conversão’» (João Paulo II, Audiência Geral de 15 de setembro de 1999). Por isso, a Igreja, ao anunciar a Palavra de Deus, «visa a conversão cristã, isto é, a adesão plena e sincera a Cristo e ao seu Evangelho» (João Paulo II, Carta Encíclica sobre a validade permanente do mandato missionário — «Redemptoris Missio» [RM], 46). Historicamente, «este apelo dirige-se, em primeiro lugar, àqueles que ainda não conhecem Cristo e o seu Evangelho. Por isso, o Batismo é o momento principal da primeira e fundamental conversão. É pela fé na boa-nova e pelo Batismo que se renuncia ao mal e se adquire a salvação, isto é, a remissão de todos os pecados e o dom da vida nova. Ora, o apelo de Cristo à conversão continua a fazer-se ouvir na vida dos cristãos. Esta ‘segunda conversão’ é uma tarefa ininterrupta para toda a Igreja, que ‘contém pecadores no seu seio’ e que é, ‘ao mesmo tempo, santa e necessitada de purificação, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e de renovação’. Este esforço de conversão não é somente obra humana. É o movimento do ‘coração contrito’ atraído e movido pela graça para responder ao amor misericordioso de Deus, que nos amou primeiro» (CIC 1427-1428). Neste sentido, «a consciência das grandes obras que o Senhor realizou para a nossa salvação dispõe a nossa mente e o nosso coração para uma atitude de ação de graças a Deus, pelo que Ele nos concedeu, por tudo aquilo que leva a cabo em benefício do seu Povo e da humanidade inteira. É aqui que tem início a nossa conversão: ela é a resposta reconhecida ao mistério maravilhoso do amor de Deus. Quando nos damos conta deste amor que Deus tem por nós, sentimos a vontade de nos aproximarmos dele: é nisto que consiste a conversão» (Francisco, Audiência Geral de 5 de março de 2014).

«Não podemos pregar a conversão, se nós mesmos não nos convertermos todos os dias» (RM 47).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.3.14 | Sem comentários
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