BRILHARÁ NA ESCURIDÃO A TUA LUZ


«Ponham-se em maior realce, tanto na Liturgia como na catequese litúrgica, os dois aspetos característicos do tempo quaresmal, que pretende, sobretudo através da recordação ou preparação do Batismo e pela Penitência, preparar os fiéis, que devem ouvir com mais frequência a Palavra de Deus e dar-se à oração com mais insistência, para a celebração do mistério pascal» (Constituição Conciliar sobre a Liturgia — «Sacrosanctum Concilium», 109). A Quaresma não é um tempo «arqueológico» de práticas avulsas, mais ou menos com sentido. A Quaresma é um tempo novo, um tempo dito no presente, que faz mergulhar no mistério pascal de Jesus Cristo. «A celebração do mistério pascal de Cristo é celebração da salvação do ser humano que se faz realidade na morte e ressurreição de Jesus Cristo» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). O acento não se coloca tanto nas práticas ascéticas, mas mais na ação purificadora e santificadora de Jesus Cristo na nossa vida. As dinâmicas penitenciais são úteis na medida em que se tornam sinal da participação na Páscoa de Jesus Cristo, que se há de tornar na nossa própria páscoa.

Quaresma: brilhará na escuridão a tua luz!

«São 40 oportunidades (40 dias) para mudarmos o significado dos hábitos […]. Não pretendemos que a Quaresma seja apenas mais um tempo do calendário litúrgico, mais um tempo de carácter penitencial ou mais um tempo inútil, mas que seja, acima de tudo, um tempo e um teste de conversão progressiva» (Mensagem do Arcebispo de Braga, Dom Jorge Ortiga). Este «teste de conversão» não se esgota no tempo da Quaresma. É um desafio para todo o ano, para toda a vida.
A Quaresma torna-se «o ‘tempo exemplar’ para todo o ano: ou seja, fornece as linhas de fundo para uma vida cristã que, inspirando-se na Páscoa do Senhor, se coloca em atitude de ‘conversão permanente’. É preciso ter muito cuidado, então, para não isolar a Quaresma da Páscoa. […] Toda a vida do cristão é sempre uma caminhada na luz da Páscoa e em direção à luz da Páscoa, por isso requer um dinamismo de conversão permanente: a Quaresma, sinal sacramental da nossa conversão, torna-se momento de referência e de reabastecimento necessário para todas as estações da vida do cristão» (Mario Chesi).
Então, a Quaresma não pode ser vista como um tempo de «trevas» ou «escuridão». Também na Quaresma há uma luz, a luz da fé, que permite ver com mais clarividência o caminho. «A fé desvenda-nos o caminho e acompanha os nossos passos na história. Por isso, se quisermos compreender o que é a fé, temos de explanar o seu percurso, o caminho dos homens crentes» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «A luz da fé» [«Lumen Fidei» — LF], 8), desde o patriarca Abraão até ao apóstolo Paulo, culminando com «a forma eclesial da fé»: «O crente aprende a ver-se a si mesmo a partir da fé que professa. A figura de Cristo é o espelho em que descobre realizada a sua própria imagem. E dado que Cristo abraça em Si mesmo todos os crentes que formam o seu corpo, o cristão compreende-se a si mesmo neste corpo, em relação primordial com Cristo e os irmãos na fé» (LF 22). Ao longo desta Quaresma, percorrendo o primeiro capítulo da Carta Encíclica sobre a fé (números 8 a 22), queremos que se abra para nós um novo modo de ver, que a fé se torne luz para os nossos olhos (cf. LF 22). E com toda a propriedade poderemos dizer que, assim transformados, «brilhará na escuridão a tua luz».

Laboratório da Fé celebrada

Na liturgia, «não celebramos uma mera doutrina teórica, mas o acontecimento concreto da nossa salvação realizada em Jesus Cristo. […] A liturgia é, assim, um lugar privilegiado onde Cristo se torna presente na comunidade cristã e a Quaresma, um tempo privilegiado para meditarmos nos principais momentos da Sua vida pública, que culminou no alto da Cruz. Nesta consciência, gostaria apenas de deixar-vos uma pergunta a ser interiorizada durante este tempo: será que as nossas celebrações convidam realmente a um encontro pessoal e comunitário com Cristo, concretizado num encontro com os mais carenciados? […] Desejo uma boa caminhada quaresmal a todos nós, na certeza de que da Cruz de Cristo radiará uma luz carregada de sentido para as nossas vidas!» (Mensagem do Arcebispo). A Cruz, enquanto parte do mistério pascal, apresenta-se como um sinal luminoso no centro da nossa vida: há de brilhar uma luz capaz de dissipar qualquer tipo de escuridão; serei «envolvido numa luz intensa».

© Laboratório da fé, 2014

Brilhará na escuridão a tua luz

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.3.14 | Sem comentários
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