VIVER A QUARTA-FEIRA DE CINZAS


Hoje, começamos a Quaresma

Ou melhor, hoje começamos o grande Tempo de Páscoa da Igreja. Quarenta dias de preparação para a Páscoa; e, depois, cinquenta dias de celebração da Ressurreição do Senhor e da presença salvadora do seu Espírito. É o tempo forte da comunidade cristã.
Há alguns elementos que marcam muito a maneira de viver a Quaresma. Talvez o primeiro seja o facto de a celebrarmos todos os anos. Para muitos, significa que a repetem há já vinte, trinta ou mais vezes. É muito difícil evitar a sensação de rotina, de ver aproximar-se uma coisa já conhecida. Outro aspeto é a carência progressiva, já quase total, de eco social, quando não é o eco por contraste do carnaval; precisamente o tempo que nos convida a superar a superficialidade é anunciado por um estalido de frivolidade.
A Quaresma convida-nos a tomar consciência do que é a fé cristã, em concreto no mundo de hoje. O centro é Jesus Cristo, a sua pessoa e a sua mensagem, o mistério da sua Morte e Ressurreição. O nosso momento histórico de crise, em muitos sentidos, está cheio de perguntas, de sofrimento, de perplexidades. Pois bem, nós acreditamos que também este nosso mundo encontra a luz verdadeira da vida na mensagem de Jesus, no mistério da sua Páscoa. O Evangelho, situando-nos diante da morte e ressurreição de Jesus Cristo, põe-nos a cada um e a cada comunidade diante da própria fidelidade. Não há outro caminho. Tudo o que seja procurar culpas fora de nós são desculpas. O Evangelho de Jesus e o seu processo pessoal até à entrega à morte e à plenitude da ressurreição interpelam-nos a todos e propõe como caminho verdadeiro a conversão pessoal e comunitária segundo o seu Espírito, a nós cristãos, e a todos.
Este é o sentido do «combate» cristão (oração coleta). A Igreja oferece-nos um tempo favorável (segunda leitura), para voltar a colocar cada cristão e cada comunidade — se fosse possível, cada pessoa e cada grupo humano — diante do mistério de Jesus Cristo como caminho verdadeiro, diante da própria vida como a única coisa que temos em mãos. Trata-se não só de fazer um exercício de devoção, mas de progredir na tarefa de aprender a viver.
[...]
A cinza recorda o nosso erro, correndo atrás de tantas coisas que nos enchem o coração e não nos podem dar a vida, mas fazem este mundo agressivo e injusto. Contudo, esta tónica é parcial e precisa de ser completada. Há que colocar em destaque o que tem de ser o objeto da nossa atenção, centro de toda a Quaresma: o Senhor Jesus, a sua vida, a sua morte e ressurreição. [...]
A Quarta-feira de Cinzas é um convite à conversão. Isto é, a reconhecer com espírito arrependido a falta de humanidade em que vivemos, o pecado, para mudar de mentalidade, de perspetiva, de interesses. A cinza há de significar também esta mudança. É evidentemente um desafio a cada pessoa; mas não é um refúgio espiritualista e individual, mas a recordação da grande mensagem cristã: só pela conversão pessoal e pela fé, os seres humanos acolhemos o dom da Vida e entramos no Reino. [...]
Tudo conduz para dar importância ao que a tem: a verdadeira vida no Espírito.

© Gaspar Mora, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Brilhará na escuridão a tua luz
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.3.14 | Sem comentários
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