Mistério da fé! [22]


«A presença eucarística de Cristo começa no momento da consagração e dura enquanto as espécies eucarísticas subsistirem» (Catecismo da Igreja Católica, 1377). A Igreja Católica proclama que Jesus Cristo continua sempre presente nos dons consagrados. Por isso, é, não só válida como salutar, a prática da adoração, dentro e fora da celebração eucarística. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Hebreus 9, 11-15; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1373 a 1381]

«Prestemos culto ao Deus vivo»

— exorta o autor da Carta aos Hebreus. Esta carta é uma solene homilia à volta da figura de Jesus Cristo, apresentado como perfeito (e único) sacerdote. A entrega total e definitiva de Jesus Cristo habilita-nos a oferecer o «culto ao Deus vivo». Este culto, à semelhança da entrega de Jesus Cristo, não é meramente exterior, mas reclama uma entrega total da vida.

Eucaristia

«Fala-se igualmente do ‘Santíssimo Sacramento’, porque é o sacramento dos sacramentos. E, com este nome, se designam as espécies eucarísticas guardadas no sacrário» (CIC 1330). A expressão, embora possa ser usada para designar a Eucaristia, está mais associada ao culto de adoração fora da celebração eucarística. «Pode-se dizer que, nos primeiros séculos, o culto da Eucaristia estava como que implícito na própria celebração do sacramento, que era tratado com suma veneração. [...] Este culto desenvolveu-se mais a partir dos séculos XII-XIII, como reação às controvérsias do século anterior, em que Berengário chegou a negar a presença real. [...] Nas formas de culto, o povo cristão pôde manifestar a sua fé e a consciência que continuava a ter da importância da Eucaristia na vida eclesial e pessoal» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho 2007, 90).

Adoração

«Quando a reforma dava os primeiros passos, aconteceu às vezes não se perceber com suficiente clareza a relação intrínseca entre a Santa Missa e a adoração do Santíssimo Sacramento; uma objeção então em voga, por exemplo, partia da ideia que o pão eucarístico nos fora dado não para ser contemplado, mas comido. Ora, tal contraposição, vista à luz da experiência de oração da Igreja, aparece realmente destituída de qualquer fundamento [...]. De facto, na Eucaristia, o Filho de Deus vem ao nosso encontro e deseja unir-Se connosco; a adoração eucarística é apenas o prolongamento visível da celebração eucarística, a qual, em si mesma, é o maior ato de adoração da Igreja: receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adoração d’Aquele que comungamos. Precisamente assim, e apenas assim, é que nos tornamos um só com Ele e, de algum modo, saboreamos antecipadamente a beleza da liturgia celeste. O ato de adoração fora da Santa Missa prolonga e intensifica aquilo que se fez na própria celebração litúrgica» (Bento XVI, Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre a Eucaristia fonte e ápice da vida e da missão da Igreja — «Sacramentum Caritatis», 66). Apesar de não ser uma prioridade do II Concílio do Vaticano, são vários os documentos da Igreja Católica (assinados por Paulo VI, João Paulo II e por Bento XVI) que recuperam a importância do culto de adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

Sacrário

«É o pequeno recinto, à semelhança de caixa ou armário, onde se guarda a Eucaristia depois da celebração, para que possa ser levada aos doentes ou dela possam comungar, fora da Missa, os que não puderam participar nela. A palavra ‘sacrário’ indica que é o lugar onde se ‘guarda o sagrado’. [...] Nos primeiros séculos, guardava-se a Eucaristia em casas particulares, com todo o respeito, e, a seguir, ao construírem-se as igrejas, num anexo da sacristia, ou ainda, num cofrezinho dentro do presbitério. A partir do século XI, colocava-se este sacrário em cima do altar, ou melhor ainda, dentro de uma ‘pomba’ dependurada sobre o altar. Presentemente, o sacrário não se coloca sobre o altar [...]. A Eucaristia reserva-se num só sacrário, em cada igreja ou oratório, colocado num lugar nobre e destacado, convenientemente adornado, inamovível, de matéria sólida e não transparente, fechado com chave, num ambiente que torne fácil a oração pessoal fora do momento da celebração e, portanto, o melhor local é numa capela separada» (DEL 267).

«Se atualmente o cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela ‘arte da oração’, como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente, em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento?» (João Paulo II, Carta Encíclica sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja — «Ecclesia de Eucharistia», 25).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.3.14 | Sem comentários
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