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Sacrosanctum Concilium — Constituição Conciliar sobre a Liturgia


Este texto aborda os capítulos II e III da Constituição Conciliar sobre a Liturgia (SC), sendo o II totalmente dedicado à Eucaristia. A visão teológica apresentada confirma a doutrina definida no Concílio de Trento (século XVI), mas ao mesmo tempo, procura atualizá-la no que diz respeito à pastoral. Esta preocupação, comum a todos os documentos do II Concílio do Vaticano, pode ser percebida nas determinações e sugestões para que os rituais das Celebrações Litúrgicas dos Sacramentos e Sacramentais fossem revistos, a fim de contribuir para a santificação dos cristãos e para a edificação Igreja (59).
Os Sacramentos são sinais sensíveis e visíveis da fé, alimentam-na e fortificam-na, e existem para a Igreja. Não existe cristão nem sacramento fora da comunidade, porque, por mais ténue que seja o vínculo estabelecido entre o cristão e a comunidade eclesial, todo aquele que o recebe, recebe também a graça, que é a vida de Deus nos seres humanos; dispõe-se a honrar a Deus e a praticar a caridade associando-se a Cristo e à sua Igreja.
Sendo sinais da fé, a Igreja precisa de criar condições para que os fiéis celebrem os sacramentos e possam compreender o alcance da graça recebida e as exigências que dela decorrem na sua vida pessoal e comunitária. Desde os primórdios, a Igreja entendeu que uma das formas de fazer isso era através da catequese. O Concílio de Trento ordenou a sistematização daquilo que ficou conhecido como Catecismo Romano que era destinado a orientar os padres para a realização da catequese nas suas paróquias. No início do século XX, São Pio X ordena a publicação de um catecismo abreviado com perguntas e respostas destinado ao povo, e esta atitude deve ser considerada como uma grande preocupação pastoral da época, mas trouxe consigo um vício formativo. As pessoas passaram a decorar o catecismo sem refletir sobre a fé que professavam, de tal forma que os bispos, presentes no II Concílio do Vaticano, perceberam a necessidade de se procurar uma catequese que fosse menos intelectualizada e mais ligada à vida comunitária. A SC sugere que a pastoral sacramental cuide que a preparação dos fiéis para os sacramentos seja apresentada como um itinerário mistagógico para toda a vida cristã e não apenas, como um momento preparatório dos sacramentos. Não obstante esta orientação mais profunda, a saída encontrada foram os «cursos» de preparação para os vários sacramentos, que sem dúvida contribuíram para superar a prática de decorar a doutrina, mas ainda não conseguiram despertar a reflexão sobre o porquê e para quê de celebrar um sacramento. Esta ainda é a principal preocupação da pastoral sacramental.
Em 1992, depois de seis anos de árduo trabalho, surge o Catecismo da Igreja Católica que se torna o livro doutrinal por excelência. E, em 2005, foi publicado o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, uma versão concisa, em forma de perguntas e respostas, ao modo do Catecismo de São Pio X.

Eucarista

No que diz respeito à Eucaristia, a SC lembra que a Igreja celebra a Eucaristia e esta constrói a Igreja. Profundamente associadas, uma realidade não existe sem a outra. A celebração da Eucaristia é sinal da Igreja reunida como corpo do Senhor, que ritualmente presta culto a Deus e oferece pão e vinho, pedindo-Lhe que os transforme no Seu próprio Corpo e Sangue, alimento da caminhada.
Para que os fiéis pudessem descobrir esta riqueza, a SC lembra que a Igreja deve cuidar para que não sejam meros expectadores da celebração eucarística, mas ativos participantes da oferta de Cristo, pois todas as vezes que dela participam, juntamente com Ele oferecem as suas vidas na Eucaristia (48). Para que isso aconteça, afirma que é fundamental que o ritual da missa seja revisto, simplificado e reformado (50).
Na dimensão catequética, a SC destaca a importância da Liturgia da Palavra, que é também alimento para as pessoas, o que indica que as Leituras Bíblicas não estavam a receber o seu devido valor na celebração da Eucaristia (51). Ela recomenda com veemência a pregação e/ou homilia como parte da Liturgia, que ajuda na exposição dos mistérios da fé e das normas da vida cristã, na intenção de oferecer aos fiéis o contacto com a Palavra de Deus como o percurso de um itinerário espiritual cristocêntrico dentro do Ano Litúrgico (52). Insiste, também, para que os fiéis participem nas orações e especialmente dos cantos, o que antes era limitado devido à língua latina desconhecida pela maioria das pessoas que, ao invés de participarem na celebração, apenas ‘assistiam’, sem nada compreender dos Ritos Litúrgicos (53-54).
Quanto aos demais sacramentos, a contribuição mais importante da SC é a determinação de que todos os rituais sejam atualizados (67-78) e traduzidos na língua materna. Os sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia passaram a ser chamados de Sacramentos da Iniciação Cristã e, ainda que as preparações sejam separadas, devem ser vistas dentro de um único processo formativo. Desta visão se retoma a preocupação com a Iniciação Cristã dos Adultos, devido ao grande número de adultos não batizados existentes nos territórios de missão e também nas grandes cidades atingidas pela modernidade. A SC determinou a elaboração de um novo ritual (63-55) e, após nove anos, em 1972, surgiu o Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos (RICA), reformado por Decreto do II Concílio do Vaticano e promulgado pelo Papa Paulo VI.

Sacramentais

Os sacramentais ou bênçãos, embora não sejam sacramentos, são sinais sagrados que colaboram para a santificação dos fiéis (60), como por exemplo, uma bênção pessoal ou de uma casa, um carro etc. A SC não só incentiva o uso dos sacramentais, como também determina que alguns sejam realizados por leigos, o que permite compreender o quanto a Igreja deseja que assumam a sua vocação missionária e evangelizadora. Dentro deste contexto foi de suma importância a publicação do Ritual das Bênçãos. Trata-se de um livro de grande valor, onde as bênçãos estão divididas em cinco partes: bênção de pessoas, objetos, de coisas destinadas ao uso litúrgico, de objetos de piedade e, finalmente, bênçãos para diversos fins. A estrutura de cada bênção comporta uma proclamação da Palavra e um louvor da bondade de Deus com um pedido de auxílio, além de um breve rito de abertura e conclusão.

© Ambiente Virtual de Formação — www.ambientevirtual.org.br —
© Arquidiocese de Campinas, Brasil
© Adaptado por Laboratório da fé, 2014



Questões para reflexão

  • O que significa a expressão ‘a Igreja celebra a Eucaristia e esta constrói a Igreja’?
  • Como é que a equipa de liturgia da tua paróquia e/ou comunidade pode contribuir para que a comunidade e o povo celebrem e vivam melhor os sacramentos?
  • Como vês o processo de Iniciação Cristã? 
  • Estas informações sobre Sacramentos e Sacramentais acrescentaram alguma coisa aos teus conhecimentos e à tua vida? O quê?

Partilha connosco a tua reflexão!


II Concílio do Vaticano, no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.2.14 | Sem comentários
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