Mistério da fé! [20]


«O que vemos quando nos congregamos para celebrar a Eucaristia, a Missa, já nos faz intuir o que estamos prestes a viver. No centro do espaço destinado à celebração encontra-se o altar, que é uma mesa coberta com uma toalha, e isto faz-nos pensar num banquete» (Francisco, Audiência Geral de 5 de fevereiro de 2014), é a «mesa do Pão» (Liturgia Eucarística). [Para ajudar a compreender melhor, ler: 1Coríntios 10, 16-17; Catecismo da Igreja Católica, números (CIC) 1350 a 1372 e 1383]

«Todos participamos desse único pão»

— escreve Paulo na Primeira Carta aos Coríntios. «A Igreja é o corpo de Cristo: caminha-se ‘com Cristo’ na medida em que se está em relação ‘com o seu corpo’. [...] É precisamente o único Pão eucarístico que nos torna um só corpo» (João Paulo II, Carta Apostólica para o Ano da Eucaristia — «Mane Nobiscum Domine», 20).

Eucaristia

O Sacramento da Eucaristia também está intimamente unido à oferta de Jesus Cristo na cruz. Por isso, é designado como «Santo Sacrifício, porque atualiza o único sacrifício de Cristo Salvador e incluiu a oferenda da Igreja» (CIC 1330). A palavra «sacrifício» é de origem latina: «‘sacrum-facere’ (tornar algo sagrado, ou fazer que uma coisa se converta em sagrada, separada, oferecida). Entende-se o sacrifício como expressão da entrega à divindade, ou por humilde reconhecimento da sua dependência, para lhe dar graças, para expiar os pecados, ou para suplicar a sua ajuda. [...] No Novo Testamento, não tem grande importância o conceito clássico de sacrifício: só o de Jesus Cristo. Assim como Ele é o verdadeiro sacerdote e Mestre, é também de uma vez por todas o Sacrifício definitivo, aquele que, com o seu Sangue, estabelece e rubrica a Nova Aliança.[...] Aos cristãos encarrega-se-lhes que, em toda a sua vida, se unam a esta entrega sacrificial de Cristo, antes de mais com a atitude interior e com o oferecimento do seu corpo, da sua vida« (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho 2007, 268-269).

Mesão do Pão

A segunda mesa presente na Eucaristia é o «lugar» onde decorre o segundo momento central da celebração: a Liturgia Eucarística [sobre as divisões desta parte ver o tema 18]. Após o alimento da Palavra, os cristãos são convidados a receber o alimento do Pão. Ambos (Palavra e Pão) constituem o mesmo e único Corpo de Cristo (cf. tema 19). «O ato de comer tem a ver com a atividade cultural do homem: implica o trabalho, a preparação do alimento, a sociabilidade (tanto na aquisição e preparação do alimento, como no seu consumo), o convívio. Com efeito, o homem come com outros homens, e o ato de comer está ligado a uma mesa, lugar primordial de criação e de amizade, de fraternidade, de aliança e de sociedade. À mesa não se partilha apenas o alimento, mas também se trocam palavras e discursos, alimentando assim as relações, ou seja, aquilo que dá sentido à vida sustentada pelo alimento» (Luciano Manicardi, «A caridade dá que fazer», ed. Paulinas, Prior Velho 2011, 79). Tudo isto está presente na Eucaristia. Acresce ainda a dimensão sacramental da presença de Jesus Cristo, que confirma e plenifica o significado do pão partido e repartido.

Altar

A mesa do Pão, no espaço litúrgico, designa-se com o termo «altar», «centro do espaço celebrativo, seu princípio de unidade e ponto de referência mais imediato. O seu primeiro sentido foi o sacrifício: a ara onde se sacrificavam as vítimas à divindade. Por isso, a etimologia do nome latino ‘altare’ parece que vem de ‘adolere’, ‘arere’ (arder: o lugar onde pelo fogo se queima a vítima do sacrifício). Também poderia provir de ‘altus’ (alto), porque os altos (sobretudo as colinas e montes) sempre se consideraram lugar de encontro dos humanos com a divindade. [...] Para os cristãos, o altar tem, antes de mais, uma conotação sacrificial [...]. Mas predomina o sentido de refeição eucarística [...]. Junto ao carácter de ‘ara’, acentua-se o de ‘mesa’ [...]. Ao princípio, esta mesa era de madeira: um trípode para os dons eucarísticos. Mas mais tarde, preferiu-se que fosse de pedra. [...] Nos primeiros séculos, o altar era independente. Na Idade Média, encostou-se à parede ou ábside do fundo, e agora de novo se pede que esteja separado da parede, para poder celebrar de frente para a comunidade e rodear processionalmente o altar.[...] Prefere-se que o altar principal seja fixo» (DEL, 24-26).

«Ir à Missa não só para rezar, mas para receber a Comunhão, o pão que é o corpo de Jesus Cristo que nos salva, nos perdoa e nos une ao Pai. É bom fazer isto!» (Francisco, Audiência Geral de 5 de fevereiro de 2014).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.2.14 | Sem comentários
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