Mistério da fé! [21]


A presença sacramental de Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados na eucaristia tem uma (única) finalidade: ser refeição, ser alimento, partilhado em comunidade. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Lucas 24, 13-35; Catecismo da Igreja Católica, números 1384 a 1405]

«Como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão»

— concluiu a narração do encontro de Jesus Cristo com os discípulos de Emaús. «É à mesa que, em Emaús, ocorre uma surpresa. [...] Aquele que era o forasteiro, agora é o anfitrião. Aquele que estava morto convida a partilhar a sua vida. A sequência dos gestos de Jesus à mesa atesta que Ele não só toma o pão como se dá naquele pão, num gesto que reenvia para a dádiva total, na hora máxima da cruz» (José Tolentino Mendonça, «O tesouro escondido. Para uma arte da procura interior, ed. Paulinas, Prior Velho 2011, 105).

Eucaristia

A expressão «fração do pão» foi um dos primeiros nomes para designar a Eucaristia. E durante o primeiro milénio a comunhão foi sempre com pão partido. «A partir dos séculos XI-XII, pensou-se nas ‘formas’ individuais que conhecemos. O Missal determina que se volte ao ‘pão partido’ e que se potencie o gesto simbólico da fração. Explica-o e motiva-o várias vezes, sempre simbolizando a fraternidade [...]. As hóstias pequenas admitem-se só ‘quando assim o exija o número dos comungantes’. É uma pedagogia simbólica simples e profunda: parte-se, reparte-se e partilha-se o Corpo Glorioso de Cristo. Exprime-se visualmente, compartilhando o mesmo Pão, o mistério invisível de um Cristo que se nos dá a todos em alimento, com o que se quer ajudar a que a Eucaristia vá construindo a comunidade» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho 2007, 124-125).

Comunhão

«A Eucaristia constitui o apogeu da obra de salvação de Deus: com efeito, fazendo-se pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos. É por isso que geralmente, quando nos aproximamos deste Sacramento, dizemos que ‘recebemos a Comunhão’, que ‘fazemos a Comunhão’: isto significa que no poder do Espírito Santo, a participação na mesa eucarística nos conforma com Cristo de modo singular e profundo, levando-nos a prelibar [provar] desde já a plena comunhão com o Pai, que caracterizará o banquete celestial, onde juntamente com todos os Santos teremos a felicidade de contemplar Deus face a face» (Francisco, Audiência Geral de 5 de fevereiro de 2014). Por isso, a participação na eucaristia «exige» a comunhão. Mas não é suficiente fazê-lo apenas uma vez por ano? «Para um cristão consciente, de fé adulta, hoje, comungar só uma vez por ano, talvez somente para cumprir uma lei, é um absurdo, uma enormidade! Compreendemos que, sendo a Eucaristia uma refeição, faz parte da refeição, o comer. Imagine você convidado para um jantar: entra na sala da refeição, reza as orações da mesa, participa da conversa e... fecha a boca e não come... Pois todas as vezes que participamos numa Eucaristia, numa missa, deveríamos comungar, como a coisa mais ‘natural’» (José Ribólla, «Os Sacramentos trocados em miúdo», Editora Santuário, Aparecida 1990, 116). Uma das dificuldades que se coloca para não comungar está relacionada com o «jejum eucarístico». As normas quanto ao jejum foram variando ao longo da história. Em tempos próximos (meados do século XX) era preciso estar em jejum desde a meia noite anterior. Hoje, recomenda-se uma hora de jejum (beber água e tomar remédios não quebra o jejum). Dito isto, é ainda mais importante perceber o que é verdadeiramente essencial. «Alguns ficam na dúvida sobre os ‘60 minutos’. Perguntam: e 50 minutos?... Ora, o cristão ainda conserva o bom senso para lhe dizer que não é a matemática do relógio que funciona aqui, mas, bom senso mesmo...» (José Ribólla..., 117). Outra questão secundária, mas às vezes sobrevalorizada é a forma de comungar: na mão ou na boca? A decisão compete ao comungante: ambas são válidas e aprovadas pela Igreja. [Para aprofundar as rubricas e outros aspetos relacionados com a celebração da Eucaristia, recomenda-se a leitura da Instrução Geral do Missal Romano: http://bit.ly/1pp0o7X]

«A celebração pode até ser impecável sob o ponto de vista exterior, maravilhosa, mas se não nos levar ao encontro com Jesus corre o risco de não oferecer alimento algum ao nosso coração e à nossa vida» (Francisco, Audiência Geral de 12 de fevereiro de 2014).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.2.14 | Sem comentários
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