ANO CRISTÃO


O Secretariado de Liturgia da diocese do Porto, num artigo do jornal «Voz Portucalense» (15 de janeiro de 2014) destaca a importância do «Tempo Comum»: «começa na segunda-feira a seguir ao domingo que ocorre depois do dia 6 de janeiro e prolonga-se até à terça-feira antes da Quaresma inclusive; retoma-se na segunda-feira a seguir ao domingo do Pentecostes e termina antes das Vésperas I do domingo I do Advento». Em latim a designação é «per annum»; algumas línguas traduziram por «ordinário»; em português preferiu-se o vocábulo «comum». Sobre este tempo afirma que «não se trata – longe disso – de um tempo débil ou pouco importante, dado que nele se celebra todo o mistério de Cristo na sua globalidade. Em vez de se debruçar sobre um momento particular ou aspeto específico, procura favorecer a vivência comum e comunitária do 'todo', do global, do impreterível mistério de Cristo. Se virmos bem, este não é o 'último' dos tempos litúrgicos, mas o primeiro».

Com a celebração da festa do Batismo do Senhor, encerrou-se o tempo festivo «especial» do Natal/Epifania e entramos no Tempo Comum. Cumpre-se, assim, o número 44 das Normas Gerais que regem o Ano Litúrgico e o Calendário: «O Tempo Comum começa na segunda-feira a seguir ao domingo que ocorre depois do dia 6 de janeiro e prolonga-se até à terça-feira antes da Quaresma inclusive; retoma-se na segunda-feira a seguir ao domingo do Pentecostes e termina antes das Vésperas I do domingo I do Advento».
Comecemos por anotar a designação: em latim é o tempo «per annum» e, efetivamente, preenche a maior parte do ano começando em janeiro, sendo interrompido durante 14 domingos pelo ciclo Quaresma-Páscoa-Tempo Pascal, para prosseguir depois, durante 6 meses até ao advento do ano seguinte. São 33 ou 34 semanas em 52 que tem o ano: quantitativamente, predomina. Concretamente, em 2014 decorre de 13 de janeiro a 4 de março (terça-feira da oitava semana), recomeça em 9 de junho (segunda-feira da décima semana) e termina em 29 de novembro (sábado da 34.ª semana). Tendo apenas 33 semanas, omite-se a semana seguinte àquela em que se interrompe antes da quaresma (em 2014 omite-se a 9.ª semana).
Na maior parte das línguas modernas (inglês, francês, castelhano, italiano…) «per annum» foi traduzido por «ordinário». Estas versões valorizam o contraste entre o «tempo extraordinário» – assim se consideram os tempos litúrgicos «especiais» (Advento, Natal/Epifania, Quaresma, Páscoa e Tempo Pascal) e o tempo «ordinário», quer dizer, «não especial». Por vezes os autores chamam «tempos fortes» aos tempos litúrgicos «especiais» quase insinuando que as 33/34 semanas do tempo «per annum» seriam um tempo «débil», o que não é de modo algum verdade.
Em Portugal, nos primeiros tempos da aplicação da reforma litúrgica esta designação – «Tempo Ordinário» – chegou a ser aceite e teve os seus defensores. Mas não prevaleceu por várias razões: porque é uma terminologia mais jurídica que litúrgica; e porque o adjetivo tem em português uma conotação semântica pejorativa que desaconselhou o seu uso fora do contexto jurídico-canónico. Encontrou-se então a designação «Tempo Comum» que parece traduzir de forma aceitável a caracterização que dele se dá no número 43 das Normas Gerais acima referidas: «Além dos tempos referidos [os tempos «especiais» descritos nos números18-42: Tríduo Pascal, Tempo Pascal, Tempo da Quaresma, Tempo do Natal e Tempo do Advento], que têm características próprias, há ainda trinta e três ou trinta e quatro semanas no ciclo do ano, que são destinadas não a celebrar um aspeto particular do mistério de Cristo, mas o próprio mistério de Cristo na sua globalidade, especialmente nos domingos. Este período é denominado Tempo Comum».
Não se trata – longe disso – de um tempo débil ou pouco importante, dado que nele se celebra todo o mistério de Cristo na sua globalidade. Em vez de se debruçar sobre um momento particular ou aspeto específico, procura favorecer a vivência comum e comunitária do «todo», do global, do impreterível mistério de Cristo. Se virmos bem, este não é o «último» dos tempos litúrgicos, mas o primeiro.
O Ano litúrgico nasceu com o domingo, a festa primordial dos cristãos. No domingo, a Eucaristia faz a Anamnese/memorial da morte e ressurreição do Senhor, Páscoa celebrada no ritmo de cada semana. A princípio não se sentia a necessidade de nada mais: o ano litúrgico mais não era do que «tempo per annum»: celebração sucessiva e ininterrupta do domingo ao longo de todo o ano e de ano para ano. Posteriormente, alguns domingos ganharam uma coloração especial em virtude de neles se celebrarem momentos ou aspetos particularmente importantes do Mistério de Cristo. E surgiram festas e «tempos especiais»: Tríduo Pascal, Tempo Pascal, Quaresma, Natal/Epifania, Advento… Todos eles se acrescentaram ao «Tempo Comum» que é, assim, tempo principal.

© SDL | Voz Portucalense
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014



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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.1.14 | Sem comentários
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