VOU FAZER DE TI A LUZ DAS NAÇÕES


Transportamos a luz do Natal nos nossos olhos e mais ainda no nosso coração! Caminhamos com Jesus Cristo, luz do mundo. E assim vamos continuar o nosso caminho, de luz em luz. Que alegria seguir neste caminho, domingo após domingo, para acolher a presença de Deus!
«A luz apaga a escuridão e traz sabedoria, a luz mostra o que existe, não permite esconder nada, a luz revela a verdade. […] A luz esclarece as situações e é atrevida. A luz atreve-se a iluminar e a revelar a verdade mesmo quando alguém não a quer ver. A luz é afirmativa, afirma-se e afirma o que está à sua volta, não compactua com o oculto e assertivamente aponta o caminho» (Cláudia NG Deep, «Sal e luz. Viver em assertividade», Paulus Editora, Lisboa 2010, 17).

Tempo Comum: vou fazer de ti a luz das nações!

Às escuras não vejo nada, repito apenas a escuridão que tende a ampliar-se e a confundir-nos. Preciso, por isso, da luz de Deus para me olhar. Esta luz de Deus, o «grande dom trazido por Jesus» é a fé, é a «luz da fé». Na verdade, «a fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «A luz da fé» [«Lumen Fidei» — LF], 1.4). A luz da fé é o «grande dom» oferecido pelo Pai, trazido por Jesus Cristo, atualizado pelo Espírito Santo. Neste itinerário, seremos interpelados pelas reflexões (primeiros sete números da Carta Encíclica sobre a fé) do papa Francisco: «Mas, como é este caminho que a fé desvenda diante de nós? Donde provém a sua luz, tão poderosa que permite iluminar o caminho duma vida bem sucedida e fecunda, cheia de fruto?» (LF 7).
Ao longo deste Ano Litúrgico propomos a temática da luz, tendo por base textos do profeta Isaías, que nos vão continuar a acompanhar, na primeira leitura, aos domingos. «Vou fazer de ti a luz das nações». Uma palavra luminosa com um envio missionário: «Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra». Deixemo-la ecoar dentro de nós e não hesitemos em «mastigá-la» para a saborear e para nos deixarmos alimentar por ela. Esta é a nossa missão!
«O grande problema surge quando a luz (cristãos) se recusa iluminar em casa, no local de trabalho ou nos momentos de lazer. O problema surge quando queremos esconder a luz que já está em nós (isso é insanidade e acabará por queimar-nos), ou quando aceitamos iluminar mas de uma forma tímida. A Luz deve iluminar ousadamente! Essa é a identidade do cristão» (Cláudia NG Deep, 20).
Tomemos como modelo o relato da vocação de Samuel (quarta-feira da primeira semana, «anos pares»: 1Samuel 1-10.19-20). Parece um sumário realista da nossa experiência. «A palavra do Senhor fazia-se ouvir raras vezes e as visões não eram frequentes». Também o nosso quotidiano se torna rarefeito, fragmentário e ausente em relação à escuta da Palavra de Deus. Porém, sublinhemos a frase extraordinária do autor sagrado: «A lâmpada de Deus ainda não se tinha apagado». Deus é fiel à Pessoa Humana e à história. Mesmo em situações e idades agitadas por ventos e turbulências, a nossa confiança reside aí: «a lâmpada de Deus ainda não se tinha apagado». Diz-nos o texto que Samuel ainda não conhecia o Senhor: e nós, conhecêmo-lo? Nas horas noturnas ou solares da nossa vida, nas horas que estamos a viver, rezemos: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta» (cf. José Tolentino Mendonça, «O tesouro escondido. Para uma arte da procura interior», Paulinas Editora, Prior Velho 2011, 9-10).

Laboratório da Fé celebrada

O Ano Litúrgico está destinado a levar-nos a uma contemplação profunda relacionada com a imersão nos grandes mistérios da fé. «O Ano Litúrgico deve ser o nervo da vida da comunidade» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). Domingo após domingo, luz após luz, somos convocados para formar comunidade, na escuta a Palavra e na partilhar o Pão. Por isso, o domingo e a eucaristia são o centro da vida cristã. «O domingo, tal como a Eucaristia que nele é celebrada, remete para a vida […]. Ambos enviam o fiel ao mundo: de segunda-feira até sábado é o tempo do testemunho, é o tempo de um dia-a-dia melhor, porque na ce­lebração dominical o crente é inspirado e penetrado pela graça da memória do Senhor Ressuscitado. É o tempo de dar um sentido novo a tudo o que se vive» (Mario Chesi). Acendamos a luz de Deus, a luz da fé, no nosso coração! Cumpra-se a profecia de Isaías: «Vou fazer de ti a luz das nações»!

© Laboratório da fé, 2014

Vou fazer de ti a luz das nações

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.14 | Sem comentários
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